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TAP: A CRÓNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.05.15

Pelos vistos a greve não está a ter o efeito desejado. Desejado por quem? Pelos sindicados que a convocaram. Convocaram uma greve de 10 dias. Sim dez dias. O que isso representa? A falência da joia da coroa portuguesa – a TAP.

Se no passado as caravelas e as naus davam novos mundos ao mundo e do nosso país partiram para colonizar e trazer riqueza; a TAP faz o semelhante – leva portugueses para outras paragens para trabalhar, passear e traz riqueza para o país através dos milhões de turistas que visitam o nosso país, sendo a maior força exportadora atual.


Dez dias de greve é a machada moral, económica e social que querem dar à TAP e com isso assassina-la à vista de todos, como se fosse a “Crónica de Uma Morte Anunciada”, de Gabriel Garcia Marques – todos sabiam da morte de um fulano e ninguém acorreu para o avisar. Machada moral porque se trata de uma empresa portuguesa por quem muitos portugueses têm um carinho e defendem a sua existência em nossas mãos, seja no domínio público, seja no domínio privado – a greve derruba esses defensores deixando-os sem argumento. Machadada económica porque esta greve pode provocar um prejuízo de 70 milhões de Euros e a perda de muitos clientes que se somará a 512 milhões de Euros em prejuízos de capital e ajuda aos 1062 milhões de Euros da sua dívida. Machada social porque posteriormente estarão em risco dezenas de trabalhadores com o despedimento à vista.

 

Desde que me lembro de acompanhar notícias que sempre ouvi falar nas dificuldades da TAP, na sua ingovernabilidade, na sua necessidade de aumento de capital, nas greves. Mas, também ouvi falar de qualidade dos seus serviços, segurança e qualidade dos seus quadros técnicos e do seu pessoal. Há muito mais na TAP para preservar do que para “deitar fora”. Há muito mais razões para lutarem todos pela sobrevivência da empresa do que pelo seu encerramento lento e penoso que poderá ser inevitável. Eu defendia que a TAP ficasse em mãos portuguesas, até numa gestão pública eficiente porque é algo possível; na impossibilidade de isso acontecer preferia que fosse vendida a empresas/grupos com capitais portugueses para que o seu património e a sua gestão fosse nacional; na impossibilidade disso ser acontecer teremos que vender a outros – estrangeiros. Vender a TAP não é o mesmo que vender uma PT, um grupo de supermercados ou uma construtora – antes fosse. Não temos História ou empresas de aviação que assegurem o negócio – um negócio com gestão nacional e capital nacional.


É uma realidade dura aquela a que a TAP está entregue e que só será desbloqueada se os pilotos tiverem o condão de se juntarem à salvação da transportadora e pensarem no melhor futuro possível, independentemente do negócio que será necessário fazer. Os pilotos não podem fazer o que lhes vai na cabeça só pelos seus interesses no negócio sem ponderarem os interesses económicos de todos os trabalhadores e sem pensarem nas machadas que há pouco referi. Se o fizerem, estão a ter uma atitude puramente gananciosa – a mesma que patrões e grande capital têm quando ameaçam o desmantelamento de uma empresa em troca do maior lucro possível, sem pensar nos trabalhadores que mantém a todo o custo a operacionalidade da empresa por necessidade do seu salário. Se assim é, os Sindicatos atuam por defesa do capital e não na defesa social. Os sindicatos não podem atuar apenas em função dos seus associados – para bem das suas cotas -, mas em função da normalidade social de todos os trabalhadores da empresa, defesa dos clientes ou então fecha-se no seu corporativismo que condenará o seus sindicalizados ao desemprego.

 

A TAP precisa de um rumo diferente – uma luz ao fundo do túnel -, que evite ser a eterna pedra no sapato de todos os governos – direita e esquerda – e o eterno cansaço dos portugueses, que a cada greve mais revoltados estão contra esta atitude dos pilotos – para além do rótulo que os outros trabalhadores têm injustamente.

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UMA GREVE QUE CHEIRA MAL

por Manuel Joaquim Sousa, em 29.12.13

A greve dos cantoneiros, em Lisboa, tem sido frequentemente falada nos noticiários à medida que se amontoam toneladas de lixo nas ruas da cidade. Ninguém gosta de ver a sua cidade cheia de lixo, ainda para mais quando se acumula durante dias e dias seguidos e nesta época em que os desperdícios são em quantidades absurdas (fruto do espírito consumista da época). Ninguém gosta e muitos devem criticar esta atitude dos cantoneiros sem que se pense nas razões que levaram a esta greve.

 

Aliás, seguindo o raciocínio de Nicolau Santos, no seu artigo do Expresso, de 28 de Dezembro, são poucos os que se lembram desta gente que trata de limpar o lixo da cidade, a porcaria que nós depositamos na rua. É um emprego digno como os demais, mas pouco desejado pelas pessoas, por ser sujo, desprezível, pouco reconhecido e pouco respeitado por quem quer que seja (há muita falta de cuidado na forma como se deposita e na forma como se embala o lixo que se vem pôr à rua).

É um emprego digno, mas indesejado por qualquer um e, por isso, talvez fique no esquecimento as condições laborais a que esta gente está sujeita e os salários ou direitos que lhes são retirados.
Por muito que António Costa tenha a maioria do eleitorado para implementar em Lisboa as medidas que deseja, como passar os cantoneiros para a alçada das Juntas de Freguesia, tal não significa que possa fazer tais mudanças sem ignorar a precariedade a que estes trabalhadores fiquem sujeitos.

Acredito que esta greve seja feita com razão de ser, mas temo que as pessoas no geral possam ficar insensíveis a ela só porque caminham pelas ruas cheias de lixo e de cheiro nauseabundo.

 

http://www.publico.pt/local/noticia/lisboa-aumenta-para-52-os-contentores-de-obras-para-deposito-de-lixo-1617869

 

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O CESSAR-FOGO NA EDUCAÇÃO

por Manuel Joaquim Sousa, em 26.06.13

A guerrilha entre Sindicatos de Professores e o Ministério da Educação terminou – uma cedência de parte a parte está na origem do cessar-fogo.
Para quem está, de fora, a assistir a esta guerrilha, como eu, nem sempre compreende o que gerou a mudança de posições em ambas as partes – para mim tudo é muito vago e incógnito. A sensação com que fico, e muitos devem também sentir o mesmo, é que tudo ficará na mesma e que a greve às avaliações foi apenas por causa do alargamento de horário para as quarenta horas semanais – eu acredito que existam mais razões que não foram bem explicadas.

Mas, um bom professor, há muitos felizmente, já trabalham mais de quarenta horas semanais ou estou errado? Talvez poucos pensam no muito trabalho que existe para além da sala de aula (os pais são prova disso, quando vão à escola saber como estão os seus filhos. Não podemos generalizar a meia dúzia de faltosos e sem vocação para ensino ao resto da classe. É importante clarificar todos os reais motivos que geraram esta guerra perfeitamente desnecessária se o consenso chegasse mais cedo.


Anteriormente escrevi: Na pele de um aluno e de um professor


http://www.publico.pt/sociedade/noticia/crato-frisa-que-assumiu-ha-muito-tempo-os-compromissos-que-so-hoje-foram-aceites-pelos-sindicatos-1598377 

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NA PELE DE UM ALUNO E DE UM PROFESSOR...

por Manuel Joaquim Sousa, em 18.06.13

Vejo as notícias do dia, já um pouco tarde, e não posso ficar indiferente à greve dos professores; greve que provocou uma certa confusão na realização de exames nacionais – as imagens que nos chegam do liceu Sá Miranda, em Braga, é um exemplo do caos do dia. A escola pública teve um dia negro, o único com uma visibilidade mediática, já que a greve às avaliações tem muitos dias – e o atraso nas avaliações poderá ter mais influência e talvez seja mais prejudicial que uma greve que coincide com um exame nacional.

O decorrer dos acontecimentos, que continuará com novos capítulos nos próximos dias, deixa grande parte dos portugueses perplexos e a questionarem-se sobre os motivos dos professores e se realmente justificam uma luta tão cerrada ao Ministério da Educação.

Se fosse um aluno que teria o exame hoje, como me sentiria perante a incerteza da realização do mesmo? Depois de vários dias de estudo a anulação do exame poderia ser frustrante, para além da ansiedade que se vai criando com o aproximar da hora e da incerteza – mas, o exame poderá sempre ser realizado numa outra altura, já que a matéria estaria estudada. Porém, existe um imbróglio por resolver, uns alunos fizeram exame outros não tiveram essa possibilidade, como se vai fazer agora? Os que vão fazer posteriormente sairão beneficiados ou prejudicados? O grau de dificuldade será o mesmo? Até que ponto os que conseguiram fazer o exame hoje terão resultados reais, depois de tanta pressão e confusão no exterior de algumas das escolas, a ponto de ficarem desconcentrados? Que validade tem os exames quando alguns foram alegadamente entregues fora de horas e outros alegadamente vigiados por pessoas sem a formação necessária para o correcto preenchimento e distribuição das versões? Em que condições foram realizados os exames, quando existem relatos de que alguns foram realizados em cantinas das escolas? Que consequências para esses alunos que não têm culpa destas condições menos adequadas?
São motivos que devem deixar revolta em muitos estudantes, tenham ou não realizado os exames – o princípio da igualdade não existiu.

Confesso que tenho alguma dificuldade em perceber muito do que está em questão, assim como, perceber se estas reivindicações têm reais fundamentos para uma greve e uma contestação tão elevada – atirar a pedra seria muito simples sem ter a sensibilidade de perceber como vivem os professores; ou seja, se estivesse num lugar de professor compreenderia e teria uma visão muito diferente em relação aos motivos que movem estas pessoas. Sei que as suas vidas têm limitações; não é fácil estar numa carreira em que nem sempre têm horário completo, estão em constante mobilidade, sem possibilidade de terem uma família estável e uma vida segura, têm de trabalhar para além das aulas (aulas para preparar, testes para fazer e corrigir, avaliações para lançar), têm um número de alunos por turma cada vez maior (o que não permite um acompanhamento com qualidade a todos, numa escola pública igual para todos).

Temo que para o Ministério da Educação tudo seja uma questão de números e não uma questão de qualidade de ensino e igualdade com os alunos que são os principais lesados desta guerra. Poderia ter gerido esta situação de forma diferente? Talvez.

O ensino é o futuro do país e a qualidade e estabilidade do mesmo terá reflexos na formação dos alunos e na sua qualidade como pessoas e profissionais. 

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