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COPO MEIO VAZIO OU MEIO CHEIO EM DOIS ANOS DE GOVERNO!

por Manuel Joaquim Sousa, em 06.06.13

Por estes dias o Governo fez dois anos que se encontra em funções - já parece que está há muitos anos no poder, tal a agonia lenta em que o país se encontra. Ainda me lembro do momento em que o Governo foi apresentado aos portugueses e que o Sr. Primeiro-Ministro foi fazer a sua visita ao Palácio de Belém - estava eu de férias em Lisboa, fui até ao Palácio de Belém e todo o aparato já tinha desaparecido (certamente para almoçar) e depois apanhei o autocarro até à Assembleia da Republica que estava fechada e não permitiram fotografias à entrada. Nesse momento, o país político estava de férias na expectativa do que estava para vir (pena não ter chegado mais cedo para ver se arranjava um tacho para mim).

Desde esses anos para cá muita coisa já aconteceu – não são assim tantos anos, são apenas dois, mas parecem muitos – continuo a dizer que vivemos uma agonia lenta, que tem provocado muita revolta no nosso povo, que se vê obrigado a pagar por uma crise que não tem culpa (pelo menos eu e os que me rodeiam não têm culpa); assim se cumpre o velho ditado: “paga o justo pelo pecador”. Enquanto uns pagam, aqueles que provocaram a crise continuam intocáveis – os responsáveis pelo BPN (que pagaria uma crise); os políticos que geriram mal as obras públicas; os políticos que geriram mal as empresas públicas e os famosos swaps; os políticos que gastam em secretárias, motoristas, carros e despesas de deslocação como se vivêssemos num estado rico. Poderia continuar a enumerar erros e responsáveis, mas acabaria por provocar depressão e cansaço naqueles que estão a ler.

Andam por aí a apregoar a queda do Governo, para que esse flagelo social possa terminar ou então os nossos direitos estarão em causa - aqueles que dizem estar consagrados na Constituição (será que o Sr. Gaspar e o Sr. Passos conhecem a constituição?) -; porém, acredito muito pouco nas reuniões entre o principal partido da oposição e os seus parceiros à direita ou à esquerda como se estivéssemos na iminência de eleger o Sr. Seguro para líder do Governo. Também sinto desconfiança em relação à convenção/reunião/encontro promovido pelo Sr. Soares com toda a esquerda porque a esquerda em Portugal anda, há muito, de costas voltadas, mais que a própria direita com os partidos do centro-direita ou centro-esquerda. Por muito boas intenções que existam, parece que apenas sejam meras intenções.

Palhaços há muitos por aí e creio que podemos fazer parte do clube (sem ofensa para ninguém), pois muitas foram as mentiras – comparem o prometido na campanha e o que está a ser aplicado na realidade; comparem os objectivos e previsões do Governo e a realidade dos números. Não vale a pena falarmos em números de desemprego, dívida pública, agravamento fiscal, perda de poder de compra ou então ficarão deprimidos ao ler este artigo.

É possível encontrar algo de positivo nestes dois anos de Governo de coligação? Talvez, tudo depende como olhamos o copo – meio cheio ou meio vazio – os portugueses na sua maioria reparam que está meio vazio. Mas a crise é uma oportunidade…

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HISTÓRIA DA BELA ADORMECIDA - POR CAUSA DO GASPARZINHO

por Manuel Joaquim Sousa, em 06.10.12

Era uma vez um príncipe que desejava muito ser chefe de governo e que queria muito ter as contas do país equilibradas, para o bem do seu reino e para ser feliz ao lado do seu amor. Nesse reino existia um povo muito ordeiro e feliz com os seus governantes – não havia crise e o dinheiro era em abundância.

Um dia o príncipe ofereceu uma festa ao seu povo para que o elegessem e convidou muitas gentes de terras vizinhas, para ver como seria bom vender o seu país e as suas riquezas a preço de saldo. Durante a festa, chegaram três fadas para se apresentarem ao povo – o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu. O FMI desejou pobreza; o BCE desejou dieta financeira, mas quando a CE ia lançar o seu desejo apareceu a Sra. Merkel que disse: Vão ter um Ministro das Finanças que vos fará dormir cada vez que falar e vós aceitareis as medidas de austeridade como algo que vos salvará a vida.

Depois de dizer isto desapareceu algures perdida na Alemanha porque não sabia onde fica Berlim.

Todos ficaram espantados e cheios de medo com o feitiço da bruxa Merkel. Então a CE falou:
O povo não morrerá. Ficará num sono profundo, enquanto as suas economias e os seus ordenados são saqueados e confiscados pelo Governo até que acordarão na miséria e num país mudado.

O príncipe ficou muito assustado e ordenou que procurassem todos os economistas que falassem pausadamente para que fossem presos, de forma a acabar com a maldição da bruxa.

Tempos passaram. O príncipe governava e viu que os cofres estavam falidos e que uma certa gente comeu o que o povo pagou. O país deixou de ser o mar de rosas. Era preciso carregar os cofres do Estado com dinheiro fresco, primeiro emprestado pelas fadas e depois pago pelo povo (eram os únicos que trabalhavam). Lembrou-se da bruxa má. Recorreu aos economistas que mandara prender por serem lentos na linguagem e escolheu o Gasparzinho. Entregou-lhe a pasta das Finanças e ordenou que fosse ele a comunicar ao povo do Reino as medidas de grande austeridade – porque quando o príncipe o fez uns tempos antes o povo saiu à rua em massa.

Um dia, numa tarde de Outono, o sol estava meio encoberto e soprava um vento estranho, que não parecia ser de bom agoiro. O Gasparzinho cumpriu o que o príncipe pedia. Juntou os mensageiros da desgraça e os seus escribas no castelo. Eram 15h. Ecoaram-se as primeiras palavras e uma onda de sonolência varreu o Reino e atingiu todos os que o ouviam. Consta-se que ninguém escapou à maldição da bruxa má.

Não se sabe o que aconteceu depois. Alguém que conte o resto da história.

Público: http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/vitor-gaspar-o-povo-portugues-revelouse-o-melhor-do-mundo-1565861 

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