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Espelho meu, espelho meu haverá algum penteado mais bonito que o meu? – será este o pensamento de Hollande cada vez que passa frente a um espelho. E não será apenas de manhã quando se levanta, é durante todo o dia, a todas as horas e em todos os lugares. Só assim se poderá justificar um cabeleireiro particular a ganhar uns míseros 10 mil Euros por mês. 10 mil Euros para pentear as guedelhas ou as suíças do presidente. Alguém me pode dar um emprego destes por favor? Eu sei cortar cabelo e pentear – faço isso ao meu. São prioridades, luxos para um presidente mal amado num país onde os resultados da final do Euro 2016 lhe deixaram o cabelo em pé – loucos são os dias do cabeleireiro em pentear os cabelos do presidente. Hollande justifica a necessidade e a fidelidade do seu empregado, que tanta falta lhe faz, a ponto de ter faltado ao batizado do filho. Defenderá essa lealdade quando sair do Eliseu? Terá a mesma necessidade com um valor mensal de 10 mil Euros. À boa moda portuguesa, este cabeleireiro merecia uma condecoração pelos serviços prestados.

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EURO 2016: GANHÁMOS. ATÉ EUSÉBIO SALTOU NO PANTEÃO.

por Manuel Joaquim Sousa, em 11.07.16

Os portugueses explodiram de alegria. Deixaram que o grito contido saltasse para o exterior. Precisavam os portugueses de deitar a cabeça no travesseiro com rouquidão na voz de tantos gritos de alegria e de tanto êxtase.

Crónica de uma vitória anunciada - era o título do meu último artigo neste blogue. Uma vitória anunciada foi o que aconteceu ontem. Vitória saborosa frente à França. Ganhámos. Sofremos. Ganhámos. Tivemos esperança. Ganhámos. Era esse o nosso fado. Ganhar. Ser campeões. A vitória limpa. Ninguém a pode contestar. Vitória sem margem para dúvidas - quem as tiver que reveja o golo. Esta vitória é para muitos, sobretudo os mais velhos, um acerto de contas com o passado por uma anterior derrota frente aos franceses. Esta vitória é uma lição para os que diziam à boca cheia que Portugal não merecia estar no Europeu - esta vitória tira todas as dúvidas e deixou muitos críticos de boca aberta. Críticos não existiam só lá fora. Por cá, a esperança na chegada às meias finais era mínima. Havia quem achasse a Selecção murcha, incapaz de ganhar no tempo regulamentar. Queriam um futebol mais bonito e exibicionista - que não combina com resultados. Se passamos todas as fases e a selecção se tornou campeã, significa que o importante é ser eficaz - mais resultados e menos manias. Merecemos esta vitória pelo sofrimento que tivemos durante todo o jogo e pela esperança que os nossos jogadores transportavam. Merecemos este resultado pela lição que demos ao mundo, acerca da integração de pessoas com as mais diversas origens e em quem valeu a pena acreditar (a prova de que os nacionalismos não são as glórias dos países). O jogo da final provou que a equipa é mais que o protagonismo do Cristiano Ronaldo e que consegue ganhar sem este dentro das linhas de campo - duvido da mesma capacidade da selecção sem Ronaldo por perto, nem que seja no banco. Ronaldo sagrou - se campeão por ser mais que um jogador, por ser também o capitão que eu duvidei, por ter chorado sem vergonha no momento em que a sua condição física não lhe permitiu mais, por ser o motivador fora de campo e querer transmitir aos colegas a garra que estava dentro de si. Merecemos ganhar pelo treinador que está aos comandos da selecção nacional - integridade, motivação, capaz de apostar naqueles que qualquer outro colocaria fora das suas opções. Merecemos ganhar pela necessidade de uma glória nacional que tanto necessitamos para revigorar o patriotismo ameno. Somos saudosistas e tristonhos porque a vida não oferece o desafogo que merecemos. Os portugueses explodiram de alegria. Deixaram que o grito contido saltasse para o exterior. Precisavam os portugueses de deitar a cabeça no travesseiro com rouquidão na voz de tantos gritos de alegria e de tanto êxtase. Obrigado Selecção pela alegria que provocaram nos nossos corações. Eu escrevi num post anterior que o Napoleão deveria dar voltas no túmulo e deu; além do Eusébio que saltou no panteão a comemorar a vitória. A França engoliu parte do seu orgulho e de cada vez que se cruza na História com Portugal fica sempre um sabor amargo. Mas afinal, o que seria da França sem os portugueses? Viva Portugal!

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EURO 2016: AMANHÃ NAPOLEÃO DARÁ VOLTAS NA SEPULTURA

por Manuel Joaquim Sousa, em 09.07.16

Independentemente do resultado final da disputa entre a Seleção de Portugal e de França, podemos manter o orgulho nacional pelo feito conseguido. Eu e muitos querem que Portugal ganhe. Espero e desejo muito esta vitória. Será uma alegria imensa para o meu coração. Espero que igualmente para o coração de todos os portugueses. Espero mais uma vez arrepiar-me ao ouvir o hino nacional nesta final – o mundo vai ouvir e vai sentir o desejo de também ter a sua seleção ali. Ao ouvirem o hino pensarão: Portugal existe, não é província de Espanha; aqueles craques da bola são mesmo bons. Os Franceses vão engolir aquilo que pensam de Portugal, sobretudo quando disseram que Portugal não deveria estar neste Europeu. É do catano. Os franceses não contavam com esta. Poderia falar aqui da relação entre franceses e portugueses que emigraram, mas fica para outra discussão. Sinto-me contente por saber que o Napoleão, onde quer que esteja, dê voltas e voltas na sepultura porque na disputa entre Portugal e França as coisas não são fáceis e, apesar de pequenos, somos duros de roer – o fulano, o Napoleão, vai lembrar das tentativas de invasão a Portugal mal sucedidas. O meu fervor pela Seleção Nacional não está nada relacionado com fervor futebolístico – de futebol pouco percebo -, está sim relacionado com o orgulho pela equipa, pelo país, pela lição que fica para a Europa: Uma seleção com mistura de cor, origens, com o mesmo amor e orgulho. Enquanto uns se querem fechar ao mundo contra a vinda de emigrantes, nós provamos em campo que, com abertura, podemos construir algo poderoso. Aos nossos jogadores obrigado. Força. Pela vitória lutar, lutar. Não interessa jogo bonito; interessa ganhar.

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QUANDO POR MOMENTOS PORTUGAL É A FRANÇA

por Manuel Joaquim Sousa, em 23.08.15

Os nossos emigrantes já vão de partida, rumos aos países que os acolhem. Um ritual que se repete ano a ano e ao qual já nos habituamos. Quando pensávamos que o desenvolvimento do nosso país faria com que cada vez menos pessoas emigrassem, a emigração aumentou nos últimos anos a um ritmo que só temos memória nos anos 60 ou 70. Algo na sociedade portuguesa ou algo no país correu mal. Continuamos a ver os nossos familiares partirem. Somos cada vez mais cidadãos do mundo e cada vez menos neste país que perde os profissionais que formou com tanta dedicação – investimos para exportar cérebros, uma nova moda de exportação que o governo tem aplaudido e aconselhado.

Por um mês, Portugal torna-se na França. Ainda estes dias fui, por engano, ao centro comercial mais concorrido da cidade e: não ouvi falar português além dos locais onde entrei e fui atendido por um funcionário – se ouvi mais que isso não captei, a minha atenção estava focada nos que apelidamos de “avecs”. Eram inúmeros aqueles que ficavam nas filas dos restaurantes e outros que guardavam as mesas para a família inteira, a ponto de não existirem mais lugares disponíveis a quem queria comer um simples prato de comida e tinha o desespero de sair dali – por isso, disse que lá caí por engano, sem me lembrar na confusão que iria encontrar.
À parte da confusão fora do habitual deste mês, tenho bem a noção do quanto é importante para o país a vinda destes conterrâneos para a economia local e mesmo nacional. O comércio tem a oportunidade de ganhar um extra para o resto do ano.

Admirável é a forma como os emigrantes ainda gostam do seu país de origem. É certo que, em alguns, há extravagância excessiva e superioridade em relação a quem cá está e isso tira muitos portugueses fora do sério, sobretudo aqueles que têm de aguentar estas manias. Mas, não podemos generalizar. O amor pelo país vai muito para além do mês de Agosto e isso nota-se pelas inúmeras comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, onde se continua a praticar as mesmas tradições. Usam a bandeira portuguesa e outros símbolos representativos da nossa pátria e da nossa cultura – símbolos que, se calhar, pouco ligamos. A única coisa que tenho pena em muitos emigrantes é o desapego pela língua materna, como se fosse um parente pobre da cultura e da identidade e para alguns símbolo de superioridade – conhecem todos casos de emigrantes que entre si falam, muitas vezes, em português e quando dirigem a palavra aos residentes é em francês ou infelizmente desapegam-se totalmente da língua e falam entre si e com os restantes em francês. Mais uma vez, não se pode generalizar, apesar da recorrência dos casos.

Estão de partida e o país volta à sua normalidade. Um ritual que se repete. São portugueses a quem o país não deu oportunidade a todos de ter uma vida melhor ou simplesmente não lhes deu oportunidade de realizar a carreira para a qual estudaram. Vão para outras paragens na procura de maior retorno laboral e financeiro, num país que paga pouco, reconhece pouco o esforço destes, perdendo uma mão-de-obra cada vez mais qualificada e tão necessária para o crescimento da nossa economia. O futuro reserva um preço caro.

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PORQUÊ JE SUIS CHARLIE?

por Manuel Joaquim Sousa, em 10.01.15

No calor dos momentos, em que sentimos o perigo e o horror perto de nós, assim como, os atentados aos valores que tanto queremos na vida, leva-nos às afirmações mais sentimentais e revoltadas como forma de defesa daquilo que somos. O atentado em França contra o jornal Charlie Hebdo revoltou muita gente por esse mundo fora e, por isso, muitos assumiram a frase "Je suis Charlie". Quando vi a faixa negra em muitos perfis do Facebook parei para pensar se também deveria substituir a minha imagem por aquela palavra de ordem. Preferi antes partilhar no meu mural. Partilhar no mural para me associar à revolta que os franceses estavam a sentir porque enquanto bloguer, desejo ter liberdade de opinião em relação aos assuntos que me interessam comentar, independentemente dos visados.

 

Não substitui a fotografia do mural porque continuo a ser quem sou - um ser individual como qualquer um de nós. No entanto, conjugar o verbo être (que se utiliza para ser/estar) e afirmar "je suis Charlie" significa que defendo uma liberdade de expressão em todas as direções; significa a condenação do silêncio e a submissão às ideias que quero contrariar; significa querer ser critico, ainda que sarcástico, ao mundo que rodeia.

 

É certo que se isto não acontecesse meio mundo, como eu, não se lembrava de ser Charlie e é preciso que o pior aconteça para defender aquilo que afinal custa tão caro - a liberdade.

 

Criticar, debater, desenhar são tudo formas de expressão. Charlie Hebdo criticava sem olhar a quem - não apenas o Islamismo. Dessa forma, não entendo que seja tendencioso. Na sua mira esteve sempre a política, religião a sociedade. As suas publicações em nada se relacionam com o facto da França ter atitudes menos democráticas com algumas minorias - acredito que as tenha. Acredito que exista muito trabalho a fazer na integração. Mas integrar e acolher implica silenciar opiniões como Charlie Hebdo? Ou implica outro trabalho como igualdade de direito para os cidadãos e a possibilidade de viverem segundo as suas tradições, desde que não ponham em causa a vida dos outros?

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EU TAMBÉM ME TORNEI CHARLIE E TU?

por Manuel Joaquim Sousa, em 09.01.15

 

A imagem de fundo negro com inscrição “Je suis Charlie” tornou-se, nestes dias, numa das mais partilhadas do mundo através das redes sociais, como manifestação de solidariedade e pesar pelos acontecimentos em França - atentado as instalações do semanário satírico Charlie Hebdo, onde morreram doze pessoas entre funcionários, polícias e corpo redatorial do jornal.

 

Como qualquer atentado, foi horrível. Rápido, bem-sucedido, praticado por jovens com uma preparação fora do normal (embora pouca preparação mental). Foi horrível pelas vidas que se perderam. Foi horrível pelo ataque aos valores mais importantes de França - a liberdade de expressão.

Neste momento crítico, confirmamos que a liberdade de expressão tem um preço muito elevado e serve também para termos consciência disso mesmo. Por vezes, podemos cometer o erro de achar que a liberdade é um direito adquirido. Na realidade, não é um direito porque em todos os países onde se lutou por essa liberdade existiram custos elevados para muitas vidas.

 

A cultura ocidental é muito diferente de outras paragens, de outros países ou povos que vivem em repressão, e o contraste com países de maior liberdade leva à existência de quem festeje estes acontecimentos como uma grande vitória – embora a maior parte do mundo tenha condenado. Só quem vive em França é que consegue perceber a diferença entre o satírico Charlie e a tolerância do povo em aceitar de forma aberta todas as críticas, independentemente dos assuntos e temas que esta toca. Cartoons, sátiras são formas de expressão em relação aos nossos costumes, religiões, política ou sociedade. É saudável convivermos bem com a crítica. É saudável o respeito pela opinião do outro, seja em contexto sério ou satírico. O humor é mesmo assim - ninguém ri do bem, mas do mal do outro e do ridículo a que a espécie humana foi condenada. Brincar com Deus não tem mal algum porque imagem dessas caricaturas ou cartoons é aquela que outros homens, pelos seus atos, fazem passar sem que tenham consciência disso. Se Maomé tem um turbante foi porque a atitude de alguns e os seus atos fizeram outros criar essa imagem. O humor como qualquer forma expressão e arte merece o seu respeito ou a ignorância daqueles que não gostam e não se reveem - nada justifica atentado dia 7 de janeiro.

 

A melhor reação que podemos ter a este ataque é usar como armas: o papel, a caneta, o lápis e todo material de transmissão de opinião que nos vai no pensamento para algum suporte como forma de transmissão e divulgação. Usar estas armas implica coragem, mas são as armas mais fortes. A forma como uma caneta fere é mais profunda, duradoura e imortalizada em tantas almas, que uma arma convencional não consegue matar.

 

Podem aqueles três terroristas vingarem ou achar que vingaram Alá ou Maomé. Na realidade, não foram vingados, mas despertaram nos cidadãos de todo o mundo uma revolta bem pior. Poderão suscitar outros sentimentos mais dolorosos em relação a pessoas, culturas, sem que tenham culpa disso mesmo.

Charlie Hebdo não foi silenciado, mas tornou-se mais forte entre a dor da perda de preciosos elementos. Hoje há muitos mais. Hoje muitos de nós tornaram-se Charlie.

 

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DEPARDIEU: SER FRANCÊS OU RUSSO É UMA QUESTÃO DE IMPOSTOS

por Manuel Joaquim Sousa, em 06.01.13

Gérard Depardieu é agora cidadão Russo, após a renúncia da nacionalidade francesa e a assinatura do decreto por Vladimir Putin que lhe atribuiu a cidadania Russa. Depardieu terá demonstrado amor à Russa por a considerar uma grande democracia. A mudança de nacionalidade do ator é na sequência da intenção do Presidente Francês, François Hollande, em criar uma taxa de 75% sobre o rendimento dos mais ricos – na Rússia pagará 13% de impostos.
Não será este o único caso no mundo de mudança de nacionalidade, o mesmo já acontece com as sedes das empresas que são deslocalizadas de país em país, mediante os impostos praticados nos mesmos. Culpa de quem (?) quando em tempos de crise económica o esforço tem de ser repartido por todos, em vez dos mesmos do costume; ou será legítimo que as grandes fortunas sejam preservadas de qualquer medida de carater excecional?
Como é que certos países aceitam de forma tão célere o pedido de cidadania a alguns estrangeiros, quando a maioria dos comuns esperam até ao limite ou simplesmente não é aceite, devido às complexas políticas de emigração?
Este exemplo demonstra que a nacionalidade é cada vez mais uma questão de impostos que amor à pátria.

E tu, farias o mesmo? 

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