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A BORBOLETA TEM VIDA CURTA TAL COMO O NOVO BANCO

por Manuel Joaquim Sousa, em 14.09.14

Todos sabem que a borboleta tem vida curta. O seu exponencial de beleza depois de se libertar do casulo é curto. Curta poderá ser a vida do Novo Banco – que adotou a borboleta como símbolo. Os acontecimentos desta semana dão provas do que aqui falo e confirmam os meus receios em relação à solução encontrada para resolver um dos casos mais complexos da banca portuguesa.
A equipa presidida por Vítor Bento chegou ao antigo Banco Espírito Santo sem saber o que iria encontrar. A imagem de solidez que sempre foi passada para o exterior, levava a crer que o banco estava sólido financeiramente e que a guerra entre a família Espírito Santo para tomar o poder era sinal de que existia dinheiro, para além do grande poder nisto tudo. A equipa de Vítor Bento recebe em mãos um presente envenenado – tal como Cadilhe quando entrou para o BPN. Depois a mesma equipa de gestão é reconduzida após a decisão do Banco de Portugal em dividir o Banco em dois – o Novo e o mau. Ao que parece a decisão não foi bem vista pelo Presidente reconduzido e pela sua equipa. Foi-lhe pedido que continuassem no banco construindo uma estratégia a longo prazo com o objetivo de ser vendido. Porém, os gestores são confrontados com mudanças de rumo e a estratégia de governação do Novo Banco é para uma venda a curto prazo. Terão sido estas as razão para que Vítor Bento, José Honório e João Moreira Rato apresentassem a sua demissão. É no mínimo compreensível porque é impossível que uma empresa – numa situação desastrosa – esteja constantemente a mudar de rumo, sem que se dê tempo à apresentação de qualquer projeto e à execução de qualquer estratégia.

Este tipo de decisões, vindas do Banco de Portugal, mostra como o caso é terrível e mostra como não estamos preparados a lidar com a situação. Todas as decisões que se tomem são más; porém, o Banco de Portugal terá de tomar a que for menos má e que represente menos prejuízo para o Estado e contribuintes.

No meio de toda esta confusão não se ouve a voz do Governo, que sempre se desviou do caso. Mas, é imprescindível que tome posição. Não pode fazer “ouvidos moucos”. Esta atitude em nada ajuda à estabilização desta situação.

O mais impressionante em tudo isto é que as decisões ou pretensões do Governo, que nada diz ou decide, sejam comunicadas ao público através dos comentadores políticos – como Marques Mendes, na SIC, que divulgou a venda rápida do Banco.

Não há administração que sobreviva às diversas intensões que lhes são comunicadas e aos anúncios do que vai acontecer vindos de fora.

Sou muito leigo em assuntos relacionados com a Banca para criticar as opções do Presidente do Banco de Portugal – assim como a maioria do povo português ou dos clientes do Novo Banco -, mas isso não invalida que tenha uma série de questões ou comentários a fazer de acordo com as notícias que tenho vindo a ler sobre o assunto. O semanário Expresso revela em título “FMI TINHA GES NA MIRA HÁ UM ANO”. Porquê esta surpresa?
FMI já tinha denunciado preocupação com o grupo GES no segundo semestre de 2013 - assunto que seria aprofundado aquando da 10ª avaliação da Troika. Em Novembro, o FMI teria contactado a CMVM com indícios que seriam suficientes para a preocupação que haviam manifestado – lembrem-se que este foi o único banco que não recebeu qualquer ajuda do Estado. Em Julho deste ano, o FMI recomendou uma supervisão bancária.
Faz sentido que só agora se tenha chegado à triste conclusão do estado do grupo BES?
Como disse, sou um leigo na matéria, mas faz-me confusão algumas das coisas que leio.

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Por: Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

Dia 6 de Abril de 2011, será uma data que ficará na História de Portugal, como a data em que o Governo, de José Sócrates, pede ajuda para que seja efectuada uma intervenção externa no país, que vive mergulhado numa crise económica e financeira cada vez mais grave e sem solução à vista.
Ao final de sucessivas semanas e declarações de que não era necessário qualquer intervenção externa, veio dar o dito por não dito e reconhecer que essa ajuda é inevitável e é uma última alternativa que temos disponível para salvar o país. Apesar de, na sua declaração ao país contradizer tudo o que foi dito anteriormente pelo Governo, simplesmente responsabiliza a oposição como se esta fosse responsável pelo pedido de ajuda externa por não ter aprovado o PEC4. Não é compreensível que este executivo demissionário continue a desresponsabilizar-se das suas opções e das suas estratégias na condução do país nos últimos anos.
A necessidade de pagar a dívida pública que vence dentro em breve, a necessidade de injecção de fundos em diversas empresas públicas, tecnicamente falidas, a necessidade de baixar drasticamente o défice público, foram os motivos que inevitavelmente conduziram à decisão tomada hoje. Era inevitável por muito que se adiasse semana após semana.
Apesar dessa ajuda, é também certo que tenham de ser tomadas medidas de austeridade e que os afectados serão os mesmos de sempre.


Haveria necessidade de se chegar a este ponto? Não. Muito poderia ser feito enquanto era tempo, a começar pela gordura do Estado que não preocupou o executivo. A oposição apresentou propostas viáveis? Sim, não foram tidas em conta por não irem de encontro aos interesses de quem estava no poder.
É importante rever as obras públicas e a sua necessidade imediata ao país; evitar os desvios orçamentais das obras públicas; repensar, fundir e encerrar institutos públicos e fundações desnecessárias; repensar a constituição de empresas e organismos públicos onde poderiam existir cortes nas direcções, mordomias, subsídios e afins; cortar nas despesas desnecessárias como cartões de crédito, carros de alta cilindrada e ao serviço permanente de executivos e cargos de topo; cortar nas telecomunicações; cortes nos estudos e mais estudos que nunca surtem em efeitos, práticos; acabar com as Parcerias Público Privadas; cortar nos organismos do Governo tornando mais pequeno e sem tachos desnecessários; obrigar que as empresas como a CP, Refer sejam geridas com responsabilidade e com a responsabilização de que as descapitalizam; cortar subsídios atribuídos sem qualquer justificação ou aqueles que usufruem deles possam e devam desenvolver trabalhar onde o Estado mais precisar destes. São algumas das medidas que podem ser aplicadas no imediato e que levariam a um controlo das finanças públicas, mas ao mesmo tempo para as quais não há coragem de serem aplicadas e evitar os sacrifícios que vêm sendo exigidos aos que menos podem.
O Governo pede ajuda externa e José Sócrates apresenta-se com discurso de vitimização. É necessário falar verdade ao país seja o PS, sejam os restantes partidos de oposição e é necessário que a próxima campanha seja exemplar e realista. Os portugueses atingiram um ponto de exaustão, que poderá resultar numa explosão social da qual se desconhecem as consequências.

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