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ESTE PAPA NÃO É DE TODOS!

por Manuel Joaquim Sousa, em 12.05.17

A esta hora o Papa Francisco - o peregrino - já chegou à Base de Monte Real, para uma curta visita a Portugal, neste centenário das aparições de Fátima. No país não se fala noutra coisa. Há claramente razões para isso. Porquê? Francisco não é um Papa qualquer. É acima de tudo um homem que nunca deixou de pertencer ao povo e que gosta de estar com o povo – um Papa de afetos.
Afetos é aquilo que as pessoas mais precisam neste mundo atual. As pessoas – crentes e não crentes – desejam ouvir falar de afeto, amor, paz, concórdia, respeito e fé; as pessoas não querem que lhes falem em grandes verdades teológicas e outras coisas complexas que não entendem e que não têm qualquer sentido prático para as suas vidas – as pessoas precisam de algo emocional e adequado às suas vidas. Francisco tem essa capacidade – falar para os humildes e ser entendido. Nestes tempos, as verdades teológicas escritas merecem o seu debate, a sua reflexão; no entanto, as pessoas precisam muito mais de “verdades” sociais, humanistas para cumprir nas suas 24h do dia. Afinal, o sentido da religião é a ligação do transcendente com o quotidiano das pessoas. Cada coisa em seu lugar. Quem vai a Fátima não vai à procura de grandes verdades da fé – caso contrário não ia -, mas vai à procura de proteção para si, para a família, vai na busca de encontrar a solução para os problemas com que se confronta no dia-a-dia ou até mesmo em simples agradecimento. Quem vai a Fátima procura reconhecimento e um lugar no seio de uma Mãe, que acreditam estar lá para acolher todos os seus filhos; não procura perceber em que escala hierárquica Ela deve ser colocada na Teologia e qual o tipo de veneração se deve fazer.
Francisco percebe que a Igreja tem de falar da Terra, dos vivos, daqueles que são explorados e calcados pelos poderes – os verdadeiros demónios do nosso tempo. Os crentes ouvem-no, compreendem-no e por isso correm atrás de si. A Instituição – excluído aquela que trabalha na obra social – fala do céu, do pecado quando as realidades da vida terrena são duras.
Este é o Papa do povo – ele sorri apenas quando está entre o povo - e não das tristes elites que habitam no interior das paredes dos templos majestosos.


“Ai que riquinho” dizem as pessoas ao meu lado, que acompanham pela televisão cada passo. As pessoas precisam de amor, que é tão imenso, mas infelizmente escasso.

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IVO E HÉLDER - O CASAMENTO. SÃO MOMENTOS DE MUDANÇA

por Manuel Joaquim Sousa, em 05.11.12

 

(Fonte de imagem da Página do Facebook de Momentos de Mudança)

 

Portugal é um país de brandos costumes, muito ligado às tradições e conservador nos seus princípios, mas evoluído na forma como deseja tratar a dignidade das pessoas em alguns desses princípios. Portugal, é um dos poucos países no mundo que permite o casamento de pessoas do mesmo sexo perante a lei e a Republica Portuguesa.

Com isto, não significa que se viva num “mar de rosas” de uma sociedade desenvolvida e com uma mentalidade aberta, mas a abertura para novas forma de casamento ou organização familiar começa a ser encarada como uma normalidade – ainda bem que assim é.

Escrevo estas palavras momentos após ter assistido à reportagem de “Momentos de Mudança”, na SIC (que não perco desde o início), que, de forma simples, retrata o dia-a-dia de um casal homossexual – Ivo e Hélder. Foi importante esta desmistificação em torno da vida de um casal como este. Têm uma vida normal, de luta, com os seus empregos, dificuldades económicas, sonhos e projetos. É notável e louvável a coragem deste casal ao expor publicamente a sua vida pessoal, numa sociedade que na realidade ainda vive mergulhada em preconceitos, conscientes dos riscos que infelizmente correm (foram convidados a sair do rancho folclórico que frequentavam).

Interessante também saber que existem famílias que enfrentaram qualquer preconceito da sociedade e apoiaram os seus, estando presentes na cerimónia do casamento, preparado de forma simples e humilde.

Outra mensagem importante, não só para a sociedade, mas também para instituições de moral e fé como a Igreja Católica - que se encontra fechada à evolução das mentalidades e, por causa da recusa do amor de pessoas do mesmo sexo, vê perder fieis que durante muito tempo dedicaram a sua vida às obras da Igreja e à fé. Este jovem casal afastou-se da Igreja, mas não da fé e a prova está no momento de partilha, com a equipa de reportagem e agora com os espetadores, de um dos momentos mais emocionantes e importantes para eles, em Fátima. Uma outra crente que se apercebeu que Ivo e Hélder se casaram recentemente foi ao pé deles desejar felicidades – significa que no seio de muitos crentes existe aceitação, a mesma que a Igreja não aceita. Por vezes, confunde-se quem é dono da moral e das doutrinas e o desfasamento entre instituições e crentes provocam rotura, afastamento e desejos de fé em sentidos opostos.

Esta era uma reportagem que faltava sobre o tema - apesar de muito já se ter falado sobre ele. Estivemos perante um testemunho íntimo, despreocupado, real e que constituiu uma verdadeira lição de moral e de vida para todos os que assistiram. Resta deixar felicidades a este casal e uma vida cheia de conquistas pessoais.

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COGITARE II: ESCRITA: UM ACTO DE SEDUÇÃO E DE FÉ

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.07.12

A escrita é uma forma de sedução do tempo, que teima em fugir e fazer que tudo passe tão depressa sem termos tempo de viver, sentir, abraçar, saborear.
Escrever permite que os pensamentos, os desejos, os sentimentos fiquem congelados para a eternidade, contornando as fortes limitações temporais em que vivemos. Além do mais, permite que os escreventes parem por momentos, para sentir o que realmente vai dentro de si.
A escrita é uma terapia para os escravizados do tempo repentino e em constante fuga para a rotina tenebrosa do dia-a-dia.
Por vezes, temos dificuldade em escrever uma única palavra onde quer que seja. Não podem escreventes e escritores permitir que isso aconteça em qualquer momento de suas vidas, para que a sua liberdade se mantenha e assim o que desejamos, pensamos e sentimos possa ficar registado para a eternidade.

O acto de escrever ajuda o Homem a ser eterno, como se escrever fosse um acto de fé. Na verdade é um acto de fé, que implica acreditar que se pode passar em palavras bonitas e deliciosas o que tantas vezes desejamos. Os escreventes procuram essa fé em cada frase e em cada palavra, enquanto que os escritores são os seres iluminados que dão aos outros pão que necessitam para a sobrevivência como seres pensantes.

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