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O ASSALTANTE É LOBO E VESTE PELE DE CORDEIRO!

por Manuel Joaquim Sousa, em 22.05.16

 

Artigo de Pedro Santos Guerreiro.jpg

                 Excerto do artigo de Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 21/05/2016

 

Concordo plenamente com as palavras de Pedro Santos Guerreiro. Sabemos bem que é verdade. Não há que esconder ou fazer de conta que não sabemos. Para se roubar um banco não é necessário ir encapuçado e de arma em punho, sequestrar toda a gente que se encontra no interior da Agência. O ladrão tem de ser mais esperto. Tem de entrar com pele de cordeiro, para depois mostrar que é lobo - só mostra quando todo o trabalho já está feito. Foi assim que aconteceu no BES. O lobo sai e o que sobra fica dentro para alguém limpar. Sim. Este tipo de ladrões deixa muito que limpar. A devastação é grande.

Mas, a melhor maneira de se ser roubado é quando muitos são donos do banco. São quando pagam do bolso as injeções de capital. Fazem crer que são donos do banco, mas apenas quando há prejuízos para liquidar. Assim se vendeu a imagem do BES, comprar papel comercial duvidoso ou acorrer ao aumento de capital, enquanto o lobo estava dentro para o golpe fatal.

Dizem que vivemos acima das possibilidades. Falsas generalizações. Os bancos viveram acima das possibilidades. Foram estes que deram créditos em jeito de prenda aos amigos. Amigos da onça. Meros parasitas da economia nacional.

Falta saber se ainda há mais lixo para limpar debaixo do tapete. De surpresas já estamos cheios. Existe o medo que algum outro lobo com pele de cordeiro exista em alguma administração à espera do momento para o seu golpe final. 

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TODOS SABEM DOS OFFSHORES E VIVEM BEM COM ISSO!

por Manuel Joaquim Sousa, em 09.04.16

Ainda não li a investigação do Expresso acerca do escândalo Panama Papers, mas há uma conclusão a retirar - os offshores são a parte podre da economia, mas aquela que dá poder. Uma economia que se tenta regular, mas que fica impedida de fazer mais. A culpa é do capitalismo e da globalização - verdade. Os capitais circulam pelo mundo em teias complexas, para que se perca o rasto. Assim vive maior parte do dinheiro deste mundo - escondido. Lá diz o velho ditado: "o dinheiro onde está não fala". A investigação é apenas baseada numa sociedade de advogados que criava as empresas em paraísos fiscais. Quantas outras empresas de advogados existem com a mesma tarefa? Nunca saberemos. Nunca saberemos quanto dinheiro vive escondido. Nunca um Estado saberá quanto poderia ter arrecadado em impostos e com estes apoiar as suas sociedades. Vi estes dias um cartoon em que tinhamos um barco de refugiados em direção à Europa e ou outro a sair da Europa com capitais, dinheiro. Podemos dizer que a globalização e o capitalismo têm culpa, que contribuem para a existência destes esquemas de offshores; porém, se não existissem offshores existiria outra coisa qualquer - verdade. Enquanto o Homem tiver a ideia de esconder dinheiro para fuga a impostos, haverá sempre forma e esquemas na lei para que tal aconteça. Lembrem-se que offshores existem por todo o lado, até em Portugal, na Madeira e todos são coniventes com a sua existência e terão a tentação em os utilizar se tiverem essa oportunidade.

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O meu umbigo é mais importante que o dos outros. Por isso, é mais importante o que acontece no meu umbigo, que no umbigo do meu vizinho. Somos assim. Coisas da raça humana. Estamos doridos do que aconteceu em Bruxelas - o coração da Europa -; é razão para estar. Ainda nos estavamos a recompor dos acontecimentos de Paris e fomos abalados. Ficamos com medo porque a Europa deixou de ser segura. Os terroristas viraram-se para nós - somos as vítimas. O jornal Expresso lançou um trabalho de pesquisa sobre o terrorismo que aconteceu por todo o mundo, desde o Verão de 2014 até aos acontecimentos dos últimos dias e concluiu que, no período de dois anos, morreram em média 10 pessoas por dia. Sim, 10. Cada vida é uma vida, mas se morreram 7000 civis em 190 ataques por todo o mundo devemos parar para pensar. A maior parte desconhece estes dados - eu desconhecia. Então há algo de estranho. Qual a diferença para a dor em toda a Europa, e mesmo no mundo, ser maior por Paris e Bruxelas do que por qualquer outra cidade do mundo em que morreram pessoas, muitos mais até? Istambul, Ancara, Costa do Marfim foram outros locais alvos de atentados neste mês de Março. Mereceram igual preocupação, igual manifestação de pesar, igual tratamento nas redes sociais e nos media? Pois... Não tivemos grandes notícias. Muitos dos atentados apenas representam pequenas peças e pequenos apontamentos nas notícias. Os Europeus - no qual me incluo - somos solidários mas para com os nossos. Os outros? São um mal menor. A Europa ainda é um local seguro. Acreditem, mesmo que ainda estejamos com dor pelos que morreram estes dias. É cruel dizer isto? Sim. Se somos tão bons a tomar as dores de revolta pelos nossos camaradas europeus, seria bom tomar as dores de todos os que são vítimas em qualquer parte do mundo. Só quando tivermos a noção de que se trata de um mal global seremos capazes de ter armas e fazer frente a esta gente. Ou será a Europa conivente com alguns dos atentados fora de portas?

Afinal, o meu umbigo não é mais importante que o do vizinho.

 

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A CORAGEM DE LAURA FERREIRA NA LUTA CONTRA O CANCRO

por Manuel Joaquim Sousa, em 19.07.15

Há dias vi de passagem uma imagem de Laura Ferreira, esposa do nosso Primeiro-Ministro, em público sem cabelo. Sabia já que esta senhora estava numa luta contra um cancro e facilmente percebi a razão de estar sem cabelo. A notícia queria no fundo questionar até que ponto deveria Laura aparecer publicamente sem um lenço, uma cabeleira, para tapar a nudez do crânio. Questionava-se até que ponto poderia faze-lo sendo ela uma personalidade pública e, por isso, ter intenções de retirar proveitos políticos para o seu marido. Ao princípio ignorei porque a liberdade de cada um aparecer em público com uma determinada aparência é inquestionável, qualquer que seja a importância social dessa pessoa.

Mas, como em tudo, fizeram-se diversas leituras a gosto de cada oportunidade e pelos vistos o caso continuou a ser escrutinado como se qualquer cidadão tivesse direito de o fazer – assim ditam as regras da liberdade de expressão. É importante distinguir o que é público e o que é privado. O que é público deve ser questionado, escrutinado, investigado e justificado porque diz respeito a todos; o que é privado deve assim ser aceite. Não se preocupem os arautos da crítica quanto à consequência política que o caso de Laura pode provocar nas legislativas que se aproximam. Querer afirmar que há um aproveitamento político é um pensamento, no meu entender, mesquinho. É difícil quantificar os votos que a coligação conseguirá angariar fruto da pena e da desgraça de alguém. É utópico. É uma perda de tempo. A batalha política deve centrar-se noutros rumos, noutros dados, noutras propostas. Assusta-me quando as máquinas partidárias tentam, a qualquer custo, ao de leve e de forma inocente lançar lume na vida privada de alguém, para que o povo acorra a incendiar ainda mais.

 

Acima de tudo, é importante referir que: Laura Ferreira é uma mulher forte. Não tem que sentir vergonha, constrangimento, por publicamente mostrar as cicatrizes de uma doença que deixa marcas e muito sofrimento. A revista “Visão”, desta semana, fala das mulheres que negam ter de andar com uma cabeleira ou com um lenço para tapar aquela nudez, a falta de longos e belos cabelos que é muito característico da mulher. Vergonha que as outras pessoas olhem? – pois que olhem. De chocar? – pois que choque. A realidade não pode, nem deve ser escondida. Acredito que para um homem seja fácil estar sem cabelo, muitos até o rapam, muitos são carecas. Para uma mulher, a perda de cabelo é um desgosto e uma marca que deve ser profunda, assim como profunda é a falta de um seio – difícil de recuperar. Cabelos, seios e tudo o resto que se extrai são partes delas e deles que sofrem com o cancro. Sofrem – talvez ainda poucos tenham a noção do sofrimento. Quantas mulheres sentem a vergonha de si? Quantas têm dificuldade de se olhar ao espelho, para encarar o seu corpo marcado por uma doença que quer matar aos poucos? Quantas só sentem que podem ser elas em casa, longe dos olhares alheios? Quantas escondem com as roupas o sofrimento, que se manifesta em casa, sozinhas e, muitas vezes, sem apoio? Porquê vergonha de mostrar a careca?

Lembro-me do artigo de Henrique Raposo, no semanário “Expresso”, desta semana, quando diz que não têm que sentir vergonha as mulheres alvo da desgraça que lhes aconteceu. Não se deve ter vergonha de algo que não foi desejado, nem tão pouco provocado por elas. Ficar sem um seio, o cabelo ou ter qualquer outra cicatriz é sim um sinal de: CORAGEM. Coragem porque se luta pela vida. A estas pessoas deseja-se coragem, força, energia e que não deixem de acreditar que podem voltar a viver com qualidade de vida e felizes. Não se perde a beleza com a falta de cabelo, mas conquista-se o reconhecimento pela força. Não olhem para alguém que usa o lenço com pena; SORRIAM. Não façam festinhas com lágrimas: agarrem com força e digam: ÉS UM(A) GERRUEIRO(A). Ainda bem que Laura Ferreira tomou esta atitude. De algo que é pessoal e da vida privada, tornou público, falado e comentado, para que o assunto não fique só em pequenas conversas, mas seja exposto, para que as mulheres e os homens sintam a coragem de trazer para a rua o sofrimento que escondem em casa - só para fingir que está tudo bem quando não está.

 

Laura Ferreira é uma mulher com coragem e ainda bem que os holofotes ficaram sobre si, para que também de fora venha o conforto das palavras e das pessoas para sentir otimismo na luta contra esta doença. Parte da luta contra o cancro vem da energia positiva que os outros possam dar; nem que seja para minimizar um pouquinho o sofrimento; nem que seja para acreditar e para ter esperança; nem que seja para se ter força para aquele tratamento tão doloroso. O que pensará um doente com cancro quando toda a gente está ali a dar força, naqueles momentos dolorosos? VOU VENCER!

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HÁ UM DIABO DENTRO DE NÓS!

por Manuel Joaquim Sousa, em 06.04.15

"O problema não é sentir o mal, o problema é fingir que somos imunes a esse mal." Esta é uma frase de um excelente artigo de Henrique Raposo, no Semanário Expresso, de 3 de Abril de 2015. Tal artigo na sequência do terrível desastre de avião, em que Andreas Lubitz terá arrastado consigo para a morte 149 pessoas.

Há um diabo dentro de todos nós. No meio do horror a nossa mente pensa em muito mais que aquilo que falamos publicamente, mesmo com os que nos são mais próximos. Há pureza nas palavras, mas nunca saberemos se por de trás das mesmas a pureza do que pensamos e sentimos será a mesma. As palavras têm moralismo; o pensamento bruto não será assim tão moralista. Todos teremos opinião sobre o que se passou. Todos estamos prontos a condenar o que aconteceu porque nos sentimos nesse direito e porque vivemos emoções na flor da pele à medida que chegam dados novos sobre o que terá acontecido. Creio que o mal do Homem está aí: Condenar com rapidez as ações do outro. Perguntar-me-ão: Mas que razão teria este piloto para realizar tal atrocidade? Não é de condenar? Batemos palmas aos atos suicidas? É de condenar, é de revoltar, mas ao mesmo tempo sem a moralidade com que, por vezes, o fazemos porque em todos nós existe um lado selvagem, irracional, que não conseguiremos dominar no momento em que a cabeça está quente. Num momento de cabeça quente nem o ser mais sensato conseguirá ter a garantia de que se mantém sereno. Podemos condenar o mal, não podemos ignorar que todos nós o carregamos. Somos o que somos por sermos domesticados por leis e códigos. Nisso, não somos mais que o comum dos animais - domesticamos, não sabemos qual o dia e a hora em que este se virará contra nós. Há um botão que liga aquilo que está adormecido. Agora lembro-me do filme "A Vida de Pi".

Henrique Raposo no seu artigo, do Expresso, conta uma passagem de criança que demonstra bem o que rejubila em nós quando algo acontece, os berros de uns são a satisfação de outros - daqueles que procuram a imagem mais dramática, daqueles que vêm o mal do vizinho, daqueles que acompanham tudo para destilar todo o moralismo adormecido. Henrique tem razão ao dizer que o suposto vídeo que existe sobre o que aconteceu vai ter milhões de visualizações na internet porque temos o lado macabro de ver, procurar sentir nem que seja para depois chorar, sentir dor ou continuar a destilar a força moral que temos. Não é por acaso que os crentes pedem perdão pelas ações e pensamentos.

Em tempo de Páscoa chego a pensar nesse moralismo podre que temos, que anda ao sabor das massas, do que se partilha instantaneamente desde os primórdios da nossa existência - não culpem só as redes sociais. Cristo era ouvido, apreciado por todos, falava bem, fazia milagres, mas na hora da condenação esses que o admiravam condenaram-no, pediram a sua morte. Os próprios discípulos negaram e mudaram a sua opinião acerca de Cristo e na hora voltaram as costas. Foi crucificado. Qual o motivo para isso? Nenhum. A quente temos um moralismo falso, que segue atrás da opinião corrente e que faz de nós o pior dos seres do mundo.

Henrique Raposo, na sua visão mostra que devemos pensar nisto. Somos bons a julgar os outros e a usar palavras bonitas que nem sempre são coerentes com o nosso pensamento. Por isso admiro aqueles humoristas negros, pelo menos não têm pudor em partilhar o que lhes vai na alma. Cortam-nos com a sua opinião, mas no fundo todos rimos por dentro da piada e admiramos a sua coragem.

Não neguem a existência do mal e convivam com ele com princípios que não prejudiquem o próximo.

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AS COSTAS LARGAS DE HENRIQUE RAPOSO

por Manuel Joaquim Sousa, em 25.08.14

O cronista Henrique Raposo, do Semanário Expresso, escreveu estes dias sobre o Algarve. Polémica instalou-se. Pelos vistos muitos Algarvios manifestaram repudio pela forma como o cronista falou do Algarve. Eu se fosse algarvio também me manifestaria contra – “quem não se sente não é filho de boa gente”. Mas, pelos vistos o artigo pode ter sido lido a metade – eu na altura li por completo. Conclusão: a par de uma critica vem um elogio ao povo algarvio. Acontece que foi esquecido ou apagado das memórias de quem leu e de quem partilhou o artigo pela Internet.

Eu nunca passei fárias no Algarve, nunca fui apologista das corridas no mês de Agosto em direção à confusão do Algarve – pode ser que um dia vá. Porém, conheço muitos que para lá vão e há opiniões para todos os gostos. Muitos adoram porque ficam em zonas mais calmas e pacatas. Muitos protestam porque na confusão não são atendidos como deviam e a par dos preços elevados da época alta, nem sempre há sorrisos no atendimento do cliente/turista. É muito difícil no mês do aperto esboçar sorrisos e atender com calma. Por um lado compreendo quem trabalha – eu trabalhei na área da hotelaria e sei bem o que custa – e por outro compreendo o cliente que paga para ser bem atendido/servido.

Apesar de todos os prémios que o Algarve vem recebendo anualmente como um dos melhores destinos turísticos do país e mesmo internacionais, sempre existiu - acredito que erradamente – o preconceito de que o português parecia não estar no seu próprio país, em que o atendimento era sempre iniciado em inglês – a piorar esta ideia foi a ideia luminosa de algum ministro em rebatizar a região para Allgarve -; eu bem me poderia queixar porque quer a norte, quer a sul muitos se dirigem para mim em Inglês (mesmo o arrumador de carros).

Eu gosto de defender o meu povo e a minha gente e acredito que no Algarve e em qualquer região do nosso país o povo é simpático, acolhedor e até com certo ar bonacheirão.

Porém, em relação ao artigo há um certo alarido, se calhar desnecessário, porque em todo o artigo, Henrique Raposo, faz uma análise com os lados bom e menos bom do Algarve. Talvez houve quem ficasse pelo artigo à metade. Em tudo há um lado bom e menos bom – até em nós.

Enquanto há quatro décadas eramos silenciados pela censura imposta pela ditadura, com a liberdade a censura passou a ser imposta pelas pessoas; passou-se a ter muito cuidado com a opinião manifestada e o impacto que esta pode ter nas redes sociais. Por vezes, situações, expressões são retiradas do seu contexto, sem que se tenha refletido na alteração que pode sofrer fora do seu contexto.

O direito ao contraditório é importante, mas com alguma dignidade, discussão saudável e sem extremismos. Com a sociedade livre poderemos ficar atingidos pela autocensura e ficamos pior que há 40 anos.
Por estas situações deturpadas da realidade é que concordo com aqueles que preferem ficar fora das redes sociais – ainda que seja um grande esforço para o fazer – mesmo que sejam considerados retrogradas.

Quem escreve tem mesmo de ter costas largas ou então fica quieto – Henrique Raposo acredito que as tenha.

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O FIM DE UM REGIME

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.08.14

Num verão pouco quente em relação a incêndios florestais (ainda bem), há outros incêndios graves a marcar os acontecimentos e as notícias - o fim de um regime. 
 
"O Fim De Um Regime" é o título de uma reportagem, da autoria de Pedro Santos Guerreiro, na Revista do Semanário Expresso. O trabalho é muito interessante para tentar compreender o pouco que se conhece acerca do império Espírito Santo - BES e empresas GES. Apenas o que se conhece porque há sempre novidades a surgirem a público cada vez mais graves, reveladoras das entranhas do poder e da governação de um império que mexe muito com a estabilidade da economia portuguesa. A economia portuguesa mostra-se débil quando algo deste género acontece porque as poucas empresas de topo são detentoras da maior parte da riqueza nacional e a sua debilidade é a debilidade de tudo o resto, mesmo que não dependendo diretamente desse império. 

Serei sempre muito pequeno para conseguir compreender este momento; até mesmo para tecer qualquer julgamento credível do que é justo ou injusto e do que deveria acontecer. Tenho a dizer que tudo isto me choca. Como é possível que, nos tempos atuais, diversas empresas e entidades estiveram alheias a tudo isto, mesmo aquelas que investiram de olhos fechados em dívidas que são difíceis de liquidar (caso da PT)? Custa-me a acreditar em casos de gestão puramente danosa e alheia aos inúmeros especialistas. 
 
Quando me refiro à reportagem do Expresso, quero demonstrar que existiu um órgão de comunicação social que desde muito cedo se preocupou com o caso. Ainda me lembro das primeiras investigações, há anos, em que o BES declarou publicamente cortadas todas as relações comerciais e publicitárias com a Impresa. Enquanto isso, conta-nos o Expresso, alegadamente Ricardo Salgado investia em publicidade nos jornais como forma de os alimentar numa crise publicitária gerada pelas quebras de receitas. Férias e passeios a jornalistas para as conferências do grupo à custa do grupo. Sei lá se mais alguma coisa. 
 
Enquanto Ricardo Salgado era o DDT - Dono Disto Tudo - jamais alguém ousou alguma coisa contra. O silêncio foi para a família Espírito Santo ouro para a ascensão e construção da queda. Agora que Ricardo Salgado saiu do BES e da crise que se instalou na família, todos o atacam de todo o lado. A fera deixou de ser perigo e pode agora ser atacada e vaiada por aqueles que deixaram de ser ameaçados ou até alimentados de forma promiscua. 
 
Custa-me saber que além daqueles que depois da ascensão ficam em desgraça, há uma série de outras pessoas que têm a sua vida em risco e que nada sabem destes negócios e apenas cumprem o seu trabalho. Em relação a esses poucos se preocupam porque onde os abutres poderem buscar o dinheiro enquanto há e onde há, a raia pequena ficará sempre a penar num futuro incerto.

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BRINCAR AOS POBREZINHOS

por Manuel Joaquim Sousa, em 04.08.13

“É como brincar aos pobrezinhos” - A frase que chocou muitas pessoas ao lerem a reportagem da Revista do Expresso, no passado fim-de-semana.
A mesma tem provocado reacções bastante acesas nas redes sociais – a inquisição dos tempos modernos.

Como eu pertenço ao clube dos pobrezinhos, gostaria de poder “brincar aos riquinhos”, mas não tenho meios para tal, nem que fosse apenas durante umas férias num paraíso de sonho. Já nada me choca neste tipo de declarações, atiradas sem qualquer cuidado e sem que se pensem nas eventuais consequências – ninguém consegue pensar em todas as consequências que todas as palavras ditas podem causar. Já me espantei com as palavras de Isabel Jonet, acerca dos hábitos dos portugueses ou das palavras da miúda que queria muito em 2013 ter uma mala da Channel, ou as afirmações do Sr. Ulrich acerca da austeridade. Estas afirmações já não me espantam e já consigo estar mais imune, pois quero acreditar (crente que sou) que são meras frases e que não passam disso mesmo, sem que existam consequências para os “pobrezinhos”.

Quem me dera, quem nos dera poder brincar aos pobrezinhos – era sinal de que estaríamos muito bem e que os portugueses não estariam a passar por necessidades básicas.

Os entrevistados, sobretudo aqueles que vivem bem socialmente e economicamente, têm de pensar muito bem no que dizem publicamente, em tempos tão agrestes e que é dirigido ao público em geral (digo “pobrezinhos”) porque a sua liberdade está condicionada pela inquisição das redes sociais, bem mais grave que os métodos de repressão dos tempos antigos, tal a exposição e rapidez de expansão que estas atingem – sabemos bem os julgamentos em praça pública (entenda-se redes sociais) que são feitos de forma gratuita e sem qualquer avaliação.

Vivemos num país que se considera livre, onde cada um pode dizer o que pensa, mas a liberdade de uns pode chocar o outro. Como tal, a liberdade é uma espada e as nossas palavras passam sempre sobre o fio da lâmina.

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SER BURLÃO E TER ESTATUTO

por Manuel Joaquim Sousa, em 28.12.12

Artur Batista da Silva tem sido badalado, nos últimos dias, nas notícias por más razões – enganou jornalistas, congressistas, público e muitas outras pessoas. Enganou pela sua posição social e profissional com um currículo que tem tanto de esplêndido e rico como de falso. Porém, apesar de todas as críticas que lhe foram feitas por aqueles que o acolheram e ouviram a sua opinião, ainda se tenta defender com mensagens e notas de imprensa dizendo pertencer à ONU como voluntário e, por essa razão, não aparecer nos registos ou ficheiros da instituição – estranho será pensar que uma instituição destas não tenha registo dos seus especialistas, consultores ou sei lá o quê. É inaceitável que o próprio queira alimentar uma polémica que o deixou ascender e que lhe provocou uma grande queda.
Sabemos bem que o linchamento a que está sujeito foi por ter abanado de forma corrupta o casulo da comunicação social que lincha e pica até à morte quando se sente ferida – um poder duro e que impõe mais respeito que qualquer outro poder.

Como pode alguém de um momento para o outro surgir com um currículo excecional, capaz de enganar qualquer um, sem que se tenha feito qualquer pesquisa sobre origens, trabalho, percurso? Artur Batista da Silva tem uma inteligência e uma boa capacidade de engodo da sociedade, que chega a esconder um passado em que foi condenado por dois atropelamentos e por abuso de confiança fiscal.

Ser burlão permitiu ter um estatuto que de outra forma não teria, só assim foi mediático com as suas posições e opiniões técnicas sobre o estado da economia nacional. Tornou-se numa personagem credível com todos os dados que apresentou e de forma sustentada. De que valem agora as suas posições? Mesmo que os estudos sejam verdadeiros, de que valem as suas opiniões? Tornaram-se marginais, inconsequentes e meras opiniões de um cidadão.
Culpa de quem? Quando para se ter protagonismo e credibilidade implica ter currículo rico, mesmo que a posição/opinião defendida seja a mesma que um cidadão anónimo com uma escolaridade mínima - de que vale a minha opinião de cidadão, mesmo que me baseie em estudos e perceba dos assuntos?

Em Portugal, ser burlão pode ser caminho para o estatuto e isso replica-se também à classe política, que adquire estatuto quando o povo é burlado com promessas que não são concretizáveis.

Henrique Monteiro, no semanário Expresso, falava do lixo que muitas vezes nos chega pela Internet, de muita informação que é falsa e contraditória porque carece de validação de fontes e porque os meios pela qual nos é entregue não tem credibilidade e fiabilidade, para que seja validada como oficial. Porém, uma semana após esta opinião, somos confrontados com o dilema da credibilidade da dita informação oficial e de fonte segura, que permitiu a burla de Artur Batista da Silva e lhe deu estatuto que este desejava - todos estamos sujeitos ao erro e ao falso julgamento e as fontes de informação seguras ou inseguras são permeáveis a que estas situações aconteçam. Ninguém pode falar de total segurança quando pode deixar brechas.

Público: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/artur-baptista-da-silva-mantem-que-e-colaborador-voluntario-da-onu-1578740

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UM CAFÉ, POR FAVOR!

por Manuel Joaquim Sousa, em 15.07.12

 



O Verão tem andado muito envergonhado, este ano - tempo fresco, noites desconfortáveis para estar na esplanada até tarde, dias encobertos para a praia. Enfim, hoje melhorou um pouco para sairmos de casa com um espírito mais positivo. (Parece que a troika também quer cortar no Verão para ficar mais barato. Enfim...)

 

Vamos lá tomar um café, numa esplanada, num sitio sossegado; se possível, em contacto com a natureza. Quem diz um café diz uma outra coisa qualquer, que nos saiba bem.

O café é aquela bebida que está na lista dos produtos indispensáveis à vida de muitos, da grande maioria. É o produto que é consumido em grandes quantidades e que em Portugal se traduz num grande costume. Por muito que se fale dos malefícios do café, na verdade, esta é uma bebida dos deuses, que me satisfaz e muito, quando é tirado com gosto, qualidade e simpatia (os mesmos requisitos quando sou eu a tirar o próprio café, lá em casa).

Uma forma de começar bem o dia, para despertar, terminar em grande o almoço ou o jantar, uma forma de fazer uma pausa ao meio de um dia de trabalho, um motivo para estar com alguém. Melhor melhor, quando tomado com tempo, enquanto saboreio a paisagem através da esplanada ou da montra do café. Enquanto bebo café, vivo um momento de satisfação, não só pelo produto em si, mas também pelo momento que este propicia.

Procuro os locais habituais em que sei que o café é tirado como eu gosto e em que a qualidade satisfaz o necessidade da cafeína. Não é por acaso que a imagem acima tem a marca Boundi - uma marca que aprecio, como também um bom Cristina ou mesmo um Sical. Não quero pôr em causa a qualidade das demais, mas gostos são gostos. Também bebo de outras marcas, porém se tiver oportunidade da escolha obviamente que opto pela que mais me satisfaz.

Meus caros leitores, também são apreciadores de um café/simbalino/bica/expresso? Existe preferência?

 

Bem... Está na hora de me decidir a tomar um café - afinal hoje ainda não tomei nenhum e depois deste artigo estou mesmo com vontade de beber um. 

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