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No Sábado passado partilhei no meu facebook um desabafo: “As canções a concurso para o Festival Eurovisão da Canção perderam o brilho de outros tempos e mesmo a capacidade de serem intemporais. Agora fazem lembrar as tardes de domingo dos canais privados, mas numa versão mais requintada. A música portuguesa consegue fazer melhor.”

Poderia ser um comentário um tanto ou quanto saudosista ou de um velho do restelo, apesar de ser ainda um jovem; mas, há muitos anos atrás, ainda miúdo, eu vidrava com o festival da canção, fossem as finais portuguesas fossem as finais na Europa. Mesmo aqueles a que não assisti por ser demasiado pequeno ou porque ainda não era nascido, gosto de relembrar as músicas porque são verdadeiramente intemporais.

Em Portugal produz-se muito boa música, mas isso não está a ter reflexo neste festival nos últimos anos e este ano sem exceção. No Sábado, com a proeza das boxes de televisão da atualidade recuei na emissão, só para ter um conhecimento do que estava em concurso e poder ter uma opinião sobre o assunto. Resultado: desilusão total, a ponto de ter de passar à frente na emissão. Posso dizer que naquela gala apreciei muito mais a abertura protagonizada pelo Henrique Fiest e pela interpretação de Lúcia Moniz, da eterna música “Silêncio e Tanta Gente”, do festival de 1984, interpretado por Maria Guionot. As música finalistas a votação do público nem davam para perceber ao certo as letras e fizeram-me mesmo lembrar as festinhas de fim-de-semana que passam em vários canais, só que neste caso num ambiente requintado; alguns gritos e berros, muita produção visual e até recurso a vento para esvoaçar cabelos e vestidos – para mim isto deveria ser mais acessório, mas foi o que consegui destacar.

Não conheço muito bem o processo de seleção dos letristas e que tipo de convites e sugestões foram pedidas, mas há bons letristas em Portugal e com trabalhos dignos de reconhecimento. Custa-me a entender este tipo de gosto. A escolha também é da responsabilidade do público e se a maioria apostou nestas músicas, há que aceitar – nota-se a falta de critério por quem votou e nota-se que as tendências culturais do público mudaram em relação a outros tempos e pesa-me saber que a escolha vai pouco em função da qualidade das letras e da composição das músicas.

 

Não há argumentos para esmiuçar mais o meu desagrado ou mesmo tristeza em saber que a nossa representação está muito aquém da qualidade do nosso país.

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