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O ÉBOLA CONTAMINA A ECONOMIA E A OPINIÃO PÚBLICA.

por Manuel Joaquim Sousa, em 09.08.14

O vírus Ébola parece ter chegado a Portugal, muito antes dos recentes acontecimentos em África. Há muito que ele contamina a economia portuguesa, que a cada sinal de retoma cai de seguida por mais uma crise em alguma empresa que domina o sistema. Já o disse: a economia portuguesa é muito pequena e vacila quando uma das grandes empresas passa por um momento menos bons ou quando uma pessoa que era Dona Disto Todo cai em desgraça pública, pelos erros que cometeu alegadamente em favor de si próprio e da sua família santa.

Poderia dizer que já chega de tantos artigos sobre a história do BES e de Ricardo Salgado, mas sendo este um assunto que domina a economia do país, que interessa a todos os portugueses – não apenas aos clientes – e que a cada dia que passa tem cada vez mais contornos económicos e políticos, interessa sempre falar dele as vezes que forem necessárias. As opiniões que passam pela opinião pública são óbvias e todos concordam, mas são tão necessárias como a necessidade de nos lembrarmos sempre do assunto porque os segredos duraram tempos demais para nosso prejuízo. Um prejuízo que agora sai caro a todos.

Agora que “a corda rebentou” somos todos economistas de bancada e com créditos de opinião como se fizéssemos diferente do que fez o Governo, o Banco de Portugal, a CMVM ou a Justiça. Até poderíamos fazer porque todos tinham possibilidade de agir em tempo próprio. Porém, para quem está de fora a visão das coisas é sempre muito diferente daquela que se tem quando se está dentro - as circunstâncias do momento e os jogos de poder são fundamentais, determinantes e condicionam a movimentação das estratégias.

Prefiro criticar, mas sempre com a reserva de que essa critica vale o que vale perante a verdade dos factos e o calor do momento. Até porque seria sínico se dissesse que este assunto não me tem interessado. Tem todo o meu interesse pelas circunstâncias que envolve o meu dinheiro como cliente e como fiel contribuinte deste Estado.

Por vezes, somos “8 ou 80” – passivos demais ou extremistas. Corre nas vais. É a manifestação do vírus. Aquele que contamina a economia do país.

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EU GOSTAVA DE SER UM ESPÍRITO SANTO

por Manuel Joaquim Sousa, em 30.06.14

A “estória” do Banco Espírito Santo é daquelas que já nem sabemos como começa e como acaba ou como acabará. É um enredo medonho. É um novelo que nem enrola, nem desenrola. Eu que sou um tipo pequeno – não em estatura, mas em grau de compreensão de questões económicas e de poucas economias – tenho dificuldade em compreender o que se passa no banco e fora dele. Pelos vistos nem se passa nada de mais no Banco, mas sim em todas as empresas que estão à sua volta – parecem prontas a sugar dinheiro. Há que tapar prejuízos. Ainda dizem que as empresas do Estado estão falidas e mal geridas – pelos vistos a gestão danosa estende-se ao grupo privado. Sim, privado e bem privado, de famílias com nome santo e digno. Digno? A olhar pelos pobrezinhos que pululam à volta, e a quem gostam de brincar quando estão de férias.
Tentar entender o Espírito é complexo e filosófico. Este Espírito parece mais que isso. Enquanto eu conto os tostões da minha carteira para pagar um café ou o pão que se encarece faz-me dar voltas à cabeça, outros, os que brincam aos pobrezinhos, se esquecem dos 8,5 milhões para colocar no IRS, foram uns trocos que lhes caíram a mais na conta. Quais 8 milhões que me desafogavam a vida. Até me sentia um Espírito bem Santo. Se eles gostam de brincar aos pobrezinhos com os pobrezinhos, eu gostava de brincar com os ricos. Posso brincar com o dinheiro dos outros, como eles fazem quando estão a falar a sério.
Dizem que “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. Parece que na casa santa, de família santa se ralha muito sem se saber quem tem razão - Se calhar não há dinheiro nem pão.

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BRINCAR AOS POBREZINHOS

por Manuel Joaquim Sousa, em 04.08.13

“É como brincar aos pobrezinhos” - A frase que chocou muitas pessoas ao lerem a reportagem da Revista do Expresso, no passado fim-de-semana.
A mesma tem provocado reacções bastante acesas nas redes sociais – a inquisição dos tempos modernos.

Como eu pertenço ao clube dos pobrezinhos, gostaria de poder “brincar aos riquinhos”, mas não tenho meios para tal, nem que fosse apenas durante umas férias num paraíso de sonho. Já nada me choca neste tipo de declarações, atiradas sem qualquer cuidado e sem que se pensem nas eventuais consequências – ninguém consegue pensar em todas as consequências que todas as palavras ditas podem causar. Já me espantei com as palavras de Isabel Jonet, acerca dos hábitos dos portugueses ou das palavras da miúda que queria muito em 2013 ter uma mala da Channel, ou as afirmações do Sr. Ulrich acerca da austeridade. Estas afirmações já não me espantam e já consigo estar mais imune, pois quero acreditar (crente que sou) que são meras frases e que não passam disso mesmo, sem que existam consequências para os “pobrezinhos”.

Quem me dera, quem nos dera poder brincar aos pobrezinhos – era sinal de que estaríamos muito bem e que os portugueses não estariam a passar por necessidades básicas.

Os entrevistados, sobretudo aqueles que vivem bem socialmente e economicamente, têm de pensar muito bem no que dizem publicamente, em tempos tão agrestes e que é dirigido ao público em geral (digo “pobrezinhos”) porque a sua liberdade está condicionada pela inquisição das redes sociais, bem mais grave que os métodos de repressão dos tempos antigos, tal a exposição e rapidez de expansão que estas atingem – sabemos bem os julgamentos em praça pública (entenda-se redes sociais) que são feitos de forma gratuita e sem qualquer avaliação.

Vivemos num país que se considera livre, onde cada um pode dizer o que pensa, mas a liberdade de uns pode chocar o outro. Como tal, a liberdade é uma espada e as nossas palavras passam sempre sobre o fio da lâmina.

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