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QUEM SE LEMBRA DA TELESCOLA?

por Manuel Joaquim Sousa, em 03.06.15

Hoje no trabalho, talvez a falar de idades (quem é mais velho que quem) veio à memória os tempos em que havia a Telescola. Alguém se lembra do que era a Telescola? Maioria dos jovens não sabe o que isso é – felizmente. Apesar de eu não ser assim tão velho, ainda me lembro deste tipo de ensino tão pouco pedagógico e incapaz dos alunos posteriormente se integrarem num sistema de aulas normal. Eu andei na telescola. Para quem não sabe, a Telescola era o ensino das disciplinas através de televisão. O meu quinto e sexto ano foi assim. Aprendi pela televisão. Sim, aprendi, Matemática, Ciências, Educação Física, Francês, Português, História e todas as outras disciplinas que fazem parte do ensino preparatório. Os manuais eram num papel muito fraco – ao meio do primeiro período já estavam todos esfarrapados. Vinham pelo correio e eram distribuídos pelos alunos após o pagamento no início ano letivo. Lembro-me que em algumas disciplinas era um manual por período, que chegavam á escola por correio, para depois nos serem entregados pelas professoras. Apesar das aulas serem por televisão tínhamos duas professoras – uma por cada grupo de disciplinas – que esclareciam algumas duvidas do que passava na televisão. Além disso, as professoras recebiam as cassetes, VHS, por correio, para colocarem no vídeo – era assim que assistíamos às aulas. Na televisão até o sumário passava. Alternativa era a professora que ditava o sumário segundo as regras que vinham no seus manuais distribuídas pelo Ministério da Educação. Os testes vinham também pelo correio, assim como a correção. Imaginem como era bonito assistir a educação física por televisão. Tínhamos um horário como os restantes meninos do liceus – nem sempre era cumprido e as aulas eram dadas ao sabor das necessidades de despachar as matérias. Era uma seca estar todo o tempo a ver as emissões, algumas delas era puxar a fita para a frente. Imaginem o que era comprar livro de educação física sem praticar, livro de música sem nunca termos aulas de música ou educação visual que nunca praticamos.

Por vezes, aparecia o inspetor lá na escola, a quem se batia continência e de quem escondíamos os livros debaixo das mesas por vergonha do terrível estado em que se encontravam. Este sistema de ensino era muito próprio de zonas em que as escolas secundárias e s+c não existiam ou ficavam distantes e normalmente as aulas eram nas escolas primárias. Ainda bem que anos mais tarde a telescola deixou de existir. Nem sabem o quanto isto prejudicou a integração no sétimo ano. As bases necessárias não existiam. As dificuldades em disciplinas como línguas, educação visual foram notáveis. Outros colegas tiveram dificuldades com a Matemática, ciências, etc. A organização da nova escola foi um choque. Não sabíamos ao certo o que se fazia quando a aula de História terminava e havia que mudar de sala para ir para Ciências; havia toques para entrar e sair, as aulas tinham tempos definidos; um professor por cada disciplina; ensino exclusivamente presencial, etc. Os horários faziam-se cumprir.

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PASSAR OU REPROVAR?

por Manuel Joaquim Sousa, em 24.02.15

Qual a razão para a desistência no Ensino Secundário ser superior nos Açores em relação à Região Norte? Qual a realidade do Ensino no Norte para ter menos desistências em relação a qualquer outra região do país? As conclusões do Ministério da Educação são bem visíveis, mas era bom entender o sucesso de umas regiões para se replicar noutras regiões – se é possível que se possa replicar.

As notícias que circulam de que é necessário deixar de chumbar, sem a leitura ao pormenor das intenções do Ministério podem ser polémicas porque cria a ideia do facilitismo só para que as estatísticas sejam boas e, consequentemente, se contribua para a falta de qualificação dos jovens no mercado de trabalho. Sabemos bem que atualmente há défice de qualidade e exigência, a ver pela forma como os profissionais chegam ao mercado de trabalho com grandes lacunas na capacidade de comunicação, expressão oral, escrita e falta de sentido crítico – não posso exagerar ou generalizar porque existe também muita qualidade e excelentes profissionais, pois Portugal é um grande exportador de “cérebros” para o estrangeiro com fortes penalizações para a economia nacional.

Passar os alunos sem qualquer critério, só para que concluam os níveis de ensino, pode suar à lei do menor esforço tão desmotivante e desmoralizante para aqueles que se esforçam em ter boas notas. Porém, tudo em nome do incentivo e motivação dos que ficaram para trás e que não merecem fazer todas as disciplinas só porque chumbaram a duas ou três. Passar o aluno, ainda que necessite de acompanhamento no ano seguinte a essas disciplinas, pode não ser a solução de integração mais adequada porque não sabemos até que ponto as escolas poderão ter professores dedicados aos alunos que necessitam desse apoio – a contar com as regras economicistas que existem na educação e que obrigaria a contratação de mais professores.

A escola não pode desistir dos alunos só porque chumbam, mas isso não pode significar que estes passem com dificuldades – isso cria o aumento de dificuldades e a falta de bases em disciplinas que o aluno reprovou. Além disso, como pode um aluno ser bom numas disciplinas quando demonstra dificuldades? Como pode melhorar no ano seguinte se no ano anterior não existe nota que permita assegurar que as dificuldades sejam ultrapassadas?

Estarei errado?

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CANUDOS HÁ MUITOS

por Manuel Joaquim Sousa, em 07.07.12

Miguel Relvas tem sido dos nomes mais falados neste últimos dias - televisão, jornais e rádios, redes sociais, blogosfera e tudo mais onde circulam as massas.  À "boca cheia" por todo país tem sido um verdadeiro falatório sobre a questão do curso superior que foi tirado num ano, quando o suposto seria em 3 anos.

Bem... Nem sei bem que pensar de tudo isto, desta onda mediática que se gerou sobre um Ministro que tem andado na "boca do mundo" de uns tempos a esta parte. Arrisco-me a concordar com Jerónimo de Sousa quando diz: "Canudos há muitos". De facto há. Este é o país de muita gente com canudo - uns por mérito, outros sabe-se lá qual o tipo de mérito. O que é certo, é que há aqueles que se safam independentemente da origem e forma como tiraram o seu curso e outros que infelizmente são obrigados a emigrar, se querem ter um trabalho a ser pago a valores dignos.

 

Em Portugal ainda se valoriza o titulo de Senhor Doutor ou Engenheiro, mais que o mérito e trabalho das pessoas. Acredito que essa mentalidade aos poucos esteja a alterar e as ideias; o trabalho e o esforço seja o que compensa no mundo profissional. Não quero com isto desvalorizar quem estuda e que todos tenham a oportunidade de tirarem o seu curso, o que não invalida que se possa evitar o excesso de graus titulares como única forma de mérito e de prestigio.

A questão do Ministro e da forma como tirou uma licenciatura, assim as suspeitas criadas em tempos em relação ao ex-Primeiro-Minsitro José Sócrates, não me chocam. O que mais me choca é a forma como somos governados e a necessidade se sairmos do buraco em que estamos metidos.

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