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No ano passado comemoramos o quadragésimo aniversário da revolução de Abril com grande destaque nacional. Este ano, prefiro lembrar os quarenta anos sobre as primeiras eleições livres em Portugal depois de uma ditadura de quase meio século. Eleições que só foram possíveis graças à revolução dos cravos, que a todos proporcionou a liberdade de debater, exprimir e defender uma ideologia e uma posição política sobre o que desejavam para o país. Antes de 74, existia um partido e 1,3 milhões de eleitores. Logo a seguir à revolução passaram a existir mais de 6 milhões de eleitores e cerca de uma dezena de partidos políticos na corrida à Assembleia Constituinte. O país cumpriu um dos desígnios de Abril: todos os portugueses maiores de dezoito anos tiveram a liberdade de voto, independentemente do género e da condição social.

Num ano se conseguiu algo que nunca tinha acontecido até então: construiu-se do zero os cadernos eleitorais, as urnas, a logística para que, em todo o país, todos pudessem usar o seu novo direito cívico. A afluência às urnas foi de 91,7% de eleitores.

Volvidos quarenta anos muito mudou. O eleitorado perdeu a energia interventiva de Abril. A política perdeu o seu crédito. Os agentes políticos passaram a ser considerados como mediadores de interesses pessoais, corporativos e a política passou a ser entendida

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O VOTO É A MINHA MELHOR ARMA!

por Manuel Joaquim Sousa, em 24.04.15

Está prestes a fazer 40 que o povo usou a sua maior arma. Sim, a arma que lhe dá todo o poder para decidir o futuro que deseja para si, para os seus e para o seu país. O voto.
O voto é uma arma, da qual nenhum defensor da democracia deve prescindir no momento em que é chamado às urnas para decidir quem deseja que o governe. Esta é uma conquista de Abril, uma conquista muito cara – cinquenta anos de ditadura. É por isso, de extrema importância que as pessoas não ignorem o direito que deve ser entendido como um dever, mesmo que exista descontentamento com a política e com os políticos. Se defendemos a democracia é no voto que devemos expressar qualquer descontentamento em relação ao poder instalado. A abstenção não resolve nada. Apenas condena a conquista que agora comemora 40 anos e que constitui um desígnio de Abril.

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VIVA O 25 DE ABRIL. SERÁ A LIBERDADE UM BEM ADQUIRIDO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 27.04.14

Eu não vivi o 25 de Abril de 74; o pouco que sei é pelo que os mais velhos me contam, pelo que aprendi na escola ou por aquilo que vou lendo nos jornais e noslivros. Será sempre pouco perante todos os que tiveram oportunidade de o viver; no entanto, fica o desejo de ter vivido esse dia para perceber melhor a sua importância, apesar dos momentos conturbados e as dificuldades que se sucederam na frágil democracia. Comparando o 25 de Abril com outras revoluções que aconteceram pelo mundo, posso concluir que esta foi uma revolução sem igual na História; sem banhos de sangue, com o povo unido e sem grandes resistências. Talvez por isto chego mesmo a achar, com o peito cheio de orgulho, que os portugueses são um povo superior aos olhos do mundo, mesmo apesar de alguma preguiça com que nos querem rotular. Como dizia um ex-ministro pouco apreciado: "Os portugueses são o melhor povo do mundo".

Já passaram quarenta anos; receio que tenha passado tanto tempo e a memória da revolução se esteja a perder porque vão sendo cada vez menos aqueles que viveram esta data e os testemunhos se fiquem pelos registos nos livros de História.

Por vezes, penso que a liberdade é um bem adquirido, mas a realidade mostra-me que posso estar enganado; alguns estudos internacionais dizem que desde o ano 2000 as sociedades começaram a deixar de ser democráticas porque preferem um bom estado da economia em lugar de uma boa democracia.

Vivemos numa sociedade da informação, mas quanto mais acesso a ela temos, mais limitamos os horizontes do pensamento e somos conduzidos a ideias "standarizadas" por via de redes sociais e não só; em que a diferença é "olhada" com desconfiança e algum repudio; em que uso da liberdade por uns ofende a integridade do outro.

Quarenta anos se passaram do tempo de Abril e vemos que a liberdade do nosso povo é posta à prova todos os dias pelos ataques do poder central; cada vez mais as decisões vêm do capital; cada vez mais senhores que desconhecem o país real produzem leis com régua e esquadro, substituindo pessoas por números e percentagens.
Não podemos dizer que o 25 de Abril foi cumprido quando, dia após dia, se encerram escolas, hospitais, tribunais e tantos outros serviços públicos, condenando o futuro das pessoas, das freguesias e dos concelhos. Não se vive em democracia plena quando se perde o que demorou a ser conquistado e construído. Não se vive em democracia plena quando perdemos soberania à mercê de três intervenções externas para ajuda financeira como da Troika, tendo, esta última, provocado uma crise económica, social e financeira sem precedentes devido a má gestão de alguns Governos que vivem em alternância com o poder. Não foi para isso que serviu a revolução.

Pena que muitos cidadãos desvalorizem a revolução que lhes concedeu o direito ao voto e, perante esta crise e o descrédito do sistema político, preferem ficar no sossego, no conformismo da abstenção e da crítica fácil.
A democracia, ainda jovem, está doente por culpa de todos que a deixaram chegar a este estado; nós, os presentes nesta Assembleia, temos em mãos uma grande responsabilidade: o exemplo.


(o meu discurso, a 25 de Abril de 2014, na Assembleia Municipal de Terras de Bouro)

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HOMENAGEM AO CÓNEGO MELO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 13.08.13

Era Sábado, 10 de Agosto, quando a estátua em honra do Cónego Melo foi edificada na rotunda de Monte D'Arcos, junto ao cemitério, em Braga. Ao que se fala tudo foi feito da forma mais rápida e discreta, já que se esperava alguma polémica em torno do assunto.
No Domingo, uma primeira reportagem da TSF no local permitiu conhecer as primeiras reacções das pessoas que passavam e ficavam a admirar o momento. “Acho bonito e fica bem”, ou “só deveriam pôr quando fosse para inaugurar” eram algumas das expressões repetidas ao longo do dia. Porém, muitos outros manifestam o seu descontentamento perante a figura exposta, mas ainda não inaugurada.


Os protestos fazem-se sentir por grupos ligados ao PCP e ao BE e pessoas que não vêem no Cónego Melo uma pessoa de bem – conhecido por apoiar a ditadura do estado Novo, por ser o responsável pelo incêndio do Centro de Trabalho do PCP, em Braga, entre outros assuntos polémicos e bem quentes da História recente, exemplo do caso Padre Max, e ataques bombistas no Verão de 1975. O descontentamento é transversal ao PCP e BE, pois o PSD e CDS abstiveram-se na votação de Assembleia Municipal da proposta para a homenagem. Já em 2002 existiu uma tentativa de aprovação de uma homenagem que não foi aceite, tendo a estátua permanecido guardada alguns anos até uma outra altura que veio agora ser mais propícia. Entretanto, O Cónego Melo gerou novamente polémica, quando foi inaugurada uma pintura na Cripta do Sameiro, onde o referido Cónego estava no altar juntamente com três Papas e a Nossa Senhora do Sameiro.

Por muito que se tente criar consenso em torno de pessoas que tiveram o seu relevo na cidade, existe a necessidade de respeitar a memória de todos. É certo que Deus não agradou a toda a gente, é certo que nem todas as pessoas homenageadas em estátuas e tabuletas são de unanimidade geral, porém, podem sempre gerar algum consenso geral para a merecida homenagem – o que não é o caso.

Até poderíamos estar perante criticas inflamadas de algumas facções políticas, mas apenas o Partido Socialista terá aprovado, o que consideramos que existe uma grande distância de um consenso.

Se o país deve reconhecer feitos democráticos e condenar o todas as forma de terrorismo, fascismo e ditadura, o município deveria pensar sobre o impacto em muitas famílias que este assunto iria causar, ainda que a personalidade tenha desempenhado um papel importante na região ou no país.

Os protestos em torno da estátua devem continuar, falta saber o que decidirá a autarquia, se atender aos manifestantes, se deixar a “poeira assentar” para uma inauguração posteriormente.

Notícia no Público em: http://www.publico.pt/local/noticia/manifestantes-prometem-voltar-enquanto-a-estatua-do-conego-melo-permanecer-em-braga-1602930

 

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OS FILHOS DA MADRUGADA E A PROCURA DE ABRIL

por Manuel Joaquim Sousa, em 25.04.13

A madrugada já está crescida, já é uma senhora bem madura com filhos para criar; mas ao fim de 39 anos, ainda se sente ansiosa por realizar o seu desejo, o desejo de concretizar Abril. Uma infância que parecia tribulada, cheia do medo da madrasta ditadura e sempre agarrada à prima democracia, que nasceu no mesmo dia. As primas, por vezes, estão juntas, mas em muitas outras vezes seguem o destino oposto como mandam os senhores do poder.


A madrugada segue só o seu caminho e desiludida com o amanhã que se constrói porque os seus filhos vivem medos, frustrações, desalentos e desorientações em relação ao dia que daí a pouco se levanta. À madrugada faltam as vozes que gritam na rua por um novo amanhã e um novo Abril; o Abril libertador que todos desejam como um crente que anseia pelo seu Messias. A madrugada sente a fraqueza das vozes dos seus filhos que ora gritam, ora se calam como que rendidos às circunstâncias do momento porque lhes faltam as ideias e a capacidade de caminharem independentes como a sua mãe decidiu caminhar quando se separou com a prima da madrasta ditadura.

Até quando a saudosa e saudosista madrugada será capaz de aguentar o desalento de encontrar e concretizar o tão desejado Abril? 

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