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O POSSÍVEL DISCURSO DE SEGURO...

por Manuel Joaquim Sousa, em 13.09.12

Portugueses, é com enorme tristeza que tenho a dizer que o Governo vos quer limpar o sebo a todos, menos a nós políticos que ganhamos um pouco mais que o ano passado (cerca de 11%). Pelo menos o que mais nos preocupa seria alguma baixa nos nossos rendimentos.


Contestamos as medidas propostas por este executivo, mas não significa que, apesar de contra, chumbemos o Orçamento de Estado. Há reservas da nossa parte, o que nos leva a não ser tão radicais e contestatários quanto os nossos amiguinhos da esquerda. Interessa da nossa parte manter boas relações com o executivo. Não estamos por isso interessados que se crie uma crise governativa porque não temos hipóteses de ganhar e porque o meu partido ainda não se encontra preparado e limpo da imagem marcada por Sócrates.

Eu sei que existem elementos históricos do partido, mais radicais, que já afirmaram publicamente o apoio às manifestações agendadas para os próximos dias. Reajo com cautela, mesmo que digam que «Soares é fixe».

Lamento que o governo tenha tomado um caminho tão agreste para os portugueses. Lamento que tenha como argumentos que o PS é o culpado desta crise, quando nós quisemos mostrar ao país que estava tudo bem e que existia dinheiro para gastar. Nunca o PS iria impor aos portugueses medidas tão duras como aquelas que têm sido aplicadas. Nós não vamos por aí.

Portugueses, quero daqui manifestar a minha preocupação, a ponto de me reunir com o Sr. Presidente da Republica; não é que dele tenha ouvido conselhos, apenas ouvi um grande silêncio que acredito ser o apoio incondicional às nossas ideias. Soubemos também que este tem sofrido arduamente com os cortes nas reformas a que será sujeito e que terá sérias dificuldades de sobrevivência assim que abandonar a Presidência da Republica.

Deixo-vos esta palavra de conforto e de apoio e estarei disponível para continua a mostrar a minha indignação por aquilo que vos está a ser feito.

Público: http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/seguro-faz-uma-comunicacao-ao-pais-a-tarde-1562863

(qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência)

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A MINHA DECLARAÇÃO DE AMOR À RTP

por Manuel Joaquim Sousa, em 02.09.12

Aproveito o momento para fazer a minha declaração de amor à RTP por tudo o que ela representa para mim, enquanto continua a ser espezinhada em praça pública por determinados "conselheiros" como António Borges.

Eu quero que a RTP continue a ser o serviço público alternativo a que eu tenho direito -— pago mensalmente para que assim seja. A minha relação com a Estação Pública vem da minha infância - ainda do tempo em que via apenas desenhos animados e as séries juvenis. Isso continuou para além dos anos; mesmo com o aparecimento dos canais privados, que apesar da oferta não me satisfaziam por completo— - além de que cresci numa terra em que os privados demoraram a chegar (mesmo que desejasse uma lufada de ar fresco não a tinha).

Tu RTP estiveste sempre lá, nunca me abandonaste, nem nos tempos em que o adolescente que havia em mim quisesse romper com uma relação de anos. Eu vivi com amargura os momentos do homem, Manuel Subtil, que se barricou no interior das instalações. Eu senti felicidade quando a RTP saiu do terrível edifício 5 de Outubro para as novas instalações que a dignificou.


Perdoa-me RTP pelos anos em que não te via, em que me revoltei contra a televisão e em que, por birra, decidi não sintonizar; mas mantive a minha ligação através da Antena 1. Mesmo tendo suprimido a televisão de minha casa, eu trabalhava num local de atendimento ao público onde tu eras sempre a escolhida para todo o dia (só eras substituída pela Sportv nas alturas do futebol). Eu assistia a tudo o que gostava ou não, mas o amor é mesmo assim: gostar dela com todos os seus defeitos e virtudes e defende-la com o coração. Eu assistia à Praça da Alegria, ao Jornal da Tarde, ao Portugal no Coração, ao Portugal em Directo, ao Preço Certo Em Euros, ao Telejornal, à Operação Triunfo, ao Natal dos Hospitais, aos especiais de informação, à transmissões da Cova da Iria, ao Top+ e a tantos outros programas. Através da RTP eu assisti ao começo da Guerra no Iraque, com o Carlos Fino, acompanhei cada momento as exéquias de João Paulo II e nomeação de Ratzinger ou mesmo morte de Lúcia, a vitória do FCP na Liga dos Campeões e a todas em emissões em directo da minha cidade, entre tantos acontecimentos que mudaram o mundo e me mudaram também a mim (tudo isto, todo dia e todos os dias no trabalho). Gostasse ou não, eu estava lá.


Entretanto, em casa chegou o cabo e voltei para as séries da Fox ou AXN, mas nem por isso deixei de estar ao lado da RTP. A RTP Memória fez-me reviver um passado brilhante; revi séries, programas humorísticos do Herman ou até os Jogos Sem Fronteiras (que tanto adorava e me lembro como se fossem hoje), a Mulher do Sr. Ministro, Esquadra de Polícia, enfim... Passei a gravar muitos programas do Canal 2 (como lhe chamo) para ver quando tenho tempo. O meu apreço e amor pela RTP2 é tão grande que não sei o que vai ser de mim sem os seus programas como o Biosfera, o Olhar o Mundo, Documentários, as entrevistas de Maria Flor Pedroso, o Palcos entre outros que ficaram na sua história como o Bombordo ou o 5 Para a Meia-Noite, os Contemporâneos. O que vai ser de mim para as tardes de Domingo, em que estou na terrinha e vou ter que gramar com os programas secantes pelas aldeias e vilas com musica pimba ou aqueles filmes que já passaram tantas vezes na televisão? O que vai ser de mim ao ter de gramar com overdoses de publicidade quando estou a ver algo que gosto? RTP2 não deixes que acabem contigo, não me destroces o coração.


Quem vai passar os Jogos Olímpicos? Quem vai transmitir desporto para além do futebol?


Também a rádio - que todos se esquecem de referir - é a minha companhia no carro, em casa, até mesmo enquanto passeio pela rua. Uma rádio feita por bons profissionais, isenta de publicidade. Quem vai defender e passar musica portuguesa de vários estilos como na Antena 1 ou na Antena 3? Onde vou poder ouvir e deliciar com o Portugalex, da 1, A Hora do Sexo, da 3, o Amor é, Falar Global. Isto é serviço público de uma rádio que é publica (da qual não tenho ciúmes que outros também gostem).


Eu sofro com tudo o que dizem aqueles que querem acabar com a minha RTP. Eu não aceito que a entreguem a alguém que desvirtue o seu carisma, aquele que me manteve próximo durante tantos anos. Não deixem que a RTP seja uma vendida e se transforme numa prostituta do serviço privado, que apenas nos dá matança, horrores, novelas, drogas publicitárias, noticiários eternos e que esquece muitos projectos inovadores de televisão. A RTP dá lucro, basta que seja gerida coerentemente. Eu quero uma RTP que, mais tarde, eu recorde com alegria pelos bons momentos que passamos juntos.

RTP perdoa as minhas infidelidades, em que e troquei por outras, mas tu serás sempre a quem recorrerei nos momentos mais difíceis porque estás sempre lá.

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