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A CARTA DE JOSÉ SÓCRATES AO PAI NATAL

por Manuel Joaquim Sousa, em 03.12.14

Querido Pai Natal,

Escrevo esta carta num dos momentos mais complicados da minha vida. Como deves saber já não vivo em Paris, na casa emprestada pelo meu amigo e de forma pacata. De um momento para o outro, sem ter vontade, mudei-me para Portugal ainda que forçado e agora estou a viver em clausura numa prisão, em Évora. Pensava que apesar de tudo a minha vida fosse sossegada, mas são inúmeras as pessoas que me vêm visitar, apesar de ficarem na entrada da prisão. A minha vida virou um desassossego, bem maior que o que levou Fernando Pessoa a escrever o seu livro e as suas passagens num pequeno quarto. Também vivo num pequeno quarto a que chamam de cela, onde apenas tenho a minha cama e uma cadeira onde me sento e medito com o passar das horas. Sabes, de vez em quando, tenho uns pensamentos filosóficos e peço ao guarda da prisão para me levar até à cabine para ligar para os jornais ou para a televisão para ditar umas coisas para serem públicas. Não me conformo estar resignado a um protagonismo sem uma presença física minha. Todo o mundo fala de mim, mas ninguém me viu realmente, apesar de umas imagens distorcidas que as câmaras captaram quando passei de carro da polícia ou lá no tribunal por trás das cortinas. Não me conformo em não poder dizer um adeus e falar com aqueles jornalistas que durante anos de primeiro-ministro destilei um certo ódio, de forma a espezinhar o seu trabalho.
Vivo tempos muito conturbados, que nem os meus mais próximos querem ligar nenhum, tirando o Mário Soares que tem saído em minha defesa, embora tenha caído no ridículo ao tentar sobrepor a minha honestidade sobre as decisões daquele juiz e daquele procurador a quem lhes dei umas boas instalações para trabalharem; e agora retribuem-me daquela maneira.
Eu sei que sou rico e que não devo pedir nenhuma prenda de Natal. Eu reconheço o descuido ao transferir dinheiro que era o suficiente para despoletar os alertas do sistema bancário, mas era eu, era eu e ninguém percebeu isso. Eu que sou um cliente da Caixa Geral de Depósitos e que sempre tive lá a minha humilde conta bancária e fazem-me isto. Assim tratam os clientes.
Querido Pai Natal, eu sei que estás ocupado, mas precisava de uma oferta tua; eu queria que me oferecesses um Magalhães para me ir entretendo enquanto estou aqui a viver na casa de Évora. Felizmente já tenho uma televisão que me vieram trazer e que tem sido a minha companhia. Os programas do Goucha são a minha ocupação da manhã. Já a Júlia Pinheiro tem sido difícil aguentar os seus berros. A Casa dos Segredos está a ser interessante acompanhar, pena eles não saberem que estou preso e convidavam-me para ir para lá fazer companhia e depois ver se eles conseguem descobrir o meu segredo – tenho tantos…
O Magalhães é tudo o que preciso neste momento. Talvez comece a escrever aqui umas memórias em vez de estar a ditar ao telefone ou termine o meu curso de filosofia.
Espero que compreendas a necessidade do meu pedido. Reconheço que não me tenho portado muito bem nos últimos tempos, mas prometo que estou a mudar.

Obrigado!

(texto satírico, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência)

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INSTALAÇÕES DA CÂMARA DE OEIRAS PASSAM PARA A PRISÃO

por Manuel Joaquim Sousa, em 25.04.13

Isaltino Morais vai finalmente para a prisão (não se sabe bem por quanto tempo porque alegadamente existem recursos a aguardar decisão). Mas, apesar deste afastamento, mantém a seu lugar na Presidência na Câmara de Oeiras. Por esta razão, ficou decidido em Assembleia que as instalações da Câmara de Oeiras serão mudadas para o Estabelecimento Prisional, para que o Presidente continue a desempenhar o seu cargo de Presidente. Ao que se pensa os presos serão todos convertidos em funcionários municipais, para a gestão da autarquia. A sala de visitas será convertida na Assembleia Municipal e para a recepção dos munícipes, nas reuniões do dia-a-dia.

Esta foi a solução encontrada para que o Presidente mantenha a sua assiduidade no desempenho das suas funções e para resolver o imbróglio legal, em que uma pessoa sobre a qual existem alegadas acusações de corrupção continue a desempenhar funções públicas.

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O DIA DA TERRA - FOMOS FALAR COM ELA

por Manuel Joaquim Sousa, em 22.04.13

Hoje é o dia da Terra - o Planeta que nos acolhe. Decidimos falar com ela para saber como se sente.

- Olá Sra. Terra; como se sente?
- Olá! Sinto-me um pouco velha e saturada - disse com um ar triste.
-  Então porque está assim num dia tão especial para si?

- Imagine como se sentiria se tivesse a minha idade. São muitos milhões de anos de vida e a vida aqui também cansa.
- Ora essa! Quem se cansa de viver? Nós é que gostaríamos de viver tantos anos; sentimos inveja.
- Era bom se ao menos eu vivesse com alguma qualidade, mas as maleitas são muitas.
- Não se queixe porque a senhora está boa assim como está, nota-se um ar fresco.
- Olha que não deves estar a ver bem. Eu com ar fresco (!) com tanta poluição das fábricas, das cidades e a viver com ar tão poluído dentro de mim. Como me posso sentir de boa saúde com o Homem a furar-me toda e a destruir as minhas montanhas. Qualquer dia deixo de ser redonda e passo a um planeta esborrachado.
- Não seja assim tão pessimista porque o Homem tem cuidado tão bem de si, é tudo para seu bem.
- Deve estar a gozar comigo. Alguém agora me vai passar confiança de tão mal que estou? Aqui no Sistema Solar os outros planetas, que não têm vida, gozam-me há milhares de anos por eu estar numa situação tão decadente; eu que era a jovial desta Sistema Solar.
- Ó Terra, mas isso são eles que têm inveja de si. Não lhes ligue.
- Precisava que cuidassem bem de mim, que me deixassem a ser a Terra jovem de outros tempos, em que tudo era natureza e os animais eram tão bons para mim, a vida era calma.

- Mas a juventude não dura toda a vida, tudo passa.
- Mas passa muito rápido para quem tem ainda de viver muitos anos e a ter que aguentar com a raça humana que me estraga a vida. Não há remédio que me tire estes humanos daqui. Já provoquei sismos, vulcões, incêndios, tempestades, maremotos, ciclones e nada os elimina.
- Os humanos são uma doença dura de tratar, apenas se consegue que acalmem um bocado, mas rapidamente se adaptam a tudo.
- Já tentei de tudo, mas está difícil, morrem uns quantos, mas logo nascem uns quantos. Já não aguento com mais humanos. Acho que vou secar todos os solos para que não haja mais alimentos.
- Está a pensar usar um tratamento radical que pode acabar com a sua vida.
- Prefiro. Já que o Governo não me deixa ir para reforma porque fico muito dispendioso e tem medo que eu vá pela galáxia fora sem destino.
- Vá lá! Terra anime-se um pouco. Este é o seu dia e desfrute deste Universo que é lindo. 

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CURIOSITY JÁ EXPERIMENTOU A SUA MÁQUINA FOTOGRÁFICA

por Manuel Joaquim Sousa, em 08.08.12

O sucesso da missão de Curiosity após as notícias da sua aterragem (com alguns percalços) está a suscitar um grande interesse na comunidade científica e no público em geral, que decidiu acompanhar cada um dos passos da missão. Faltará saber se este mediatismo será “sol de pouca dura” ou se, pelo contrário, teremos revelações surpreendentes em relação ao que conhecíamos deste planeta.


O novo empregado, o Curiosity, já se encontra a trabalhar (estreia em grande) na sua investigação sobre o que se está a passar em Marte – a sua missão. Sabemos hoje que na sua bagagem seguia uma câmara - Mars Hand Lens Imager – para registar tudo o que poderá ser importante para o Governo e para a comunidade científica. Para já, chegaram algumas imagens teste da companhia do nosso espião espacial. São imagens ainda difusas porque o objeto ainda se encontra embrulhado numa película que a protege das poeiras – como qualquer um de nós que compra algo de novo e vem religiosamente embalado. Dessas imagens sabemos que se tratam de paisagens paradisíacas de Marte  - um paraíso avermelhado segundo se  vê – sem água porque essa ainda não foi encontrada.

Um dos objetivos da missão será encontrar os possíveis reservatórios de água (nos EUA acredita-se que existam) utilizados para garantir o consumo no dia-a-dia dos habitantes. Segundo algumas informações, em Marte está a atravessar um período de seca extrema, mas que é colmatada com o orvalho noturno – recolhido para os reservatórios que possam existir.

As imagens mais nítidas chegarão dentro em breve, quando o plástico for removido e quando o Curiosity tiver alguma prática fotográfica.

Para já, ainda não foi registada qualquer presença de Marcianos no local de aterragem – talvez porque a mesma tenha acontecido num deserto. Apenas foi possível avistar um cartaz espetado em terra firme com a expressão: “Vai estudar ó Relvas” – acredita-se que a polémica desencadeada pela licenciatura do ministro português tenha ultrapassado as fronteiras da Terra e se tenha espalhado por todo o sistema solar.

Ainda estamos a obter mais pormenores sobre os primeiros dias de expedição – saber quais os hábitos alimentares da região. Segundo fontes do blogue, esta também é uma das áreas de investigação do Curiosity.

Aguardemos.

(Trata-se de um texto ficcional e satírico. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência). 

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Depois de alguns percalços no decurso da viagem e tentativas de aterragem frustradas, Curiosity aterrou finalmente em Marte, para desenvolver a sua missão por um período de dois anos – a acreditar na duração do seu contrato de trabalho.

Pode dizer-se que terá sido uma aterragem com sucesso e uma grande vitória para os cientistas que ansiavam por este acontecimento – desde 1960 foram lançadas 39 missões e 26 foram um fracasso total sem explicação. O sucesso desta expedição ainda está por explicar; talvez a crise e o desemprego estejam por detrás do sucesso, pois o Curiosity, o robô, estava no desemprego à uma série de meses e foi ameaçado com o corte da prestação social, caso não aceitasse a proposta do Governo dos EUA – fala-se num salário de dois mil milhões de Euros em dois anos, ou seja, um valor irrisório face à generalidade das profissões de risco.

A missão do Curiosity será investigar a possível existência de vida em Marte ou saber se este planeta já foi habitado, em tempos remotos, por Marciános de cor verde e com olhos grandes e pretos. Será um trabalho em tudo semelhante ao que algumas figuras recentemente públicas faziam nas Secretas Portuguesas. Toda a informação recolhida será enviada por SMS e por e-mail para o representante do Governo EUA, Miguel Relvas.

As fontes garantem que Miguel Relvas tem um cargo de relevo no Governo dos EUA, depois da distinção alcançada na Universidade e depois de toda a projeção que teve ao ver o seu nome espalhado em cartazes por alguns locais da Europa como França (no tour) e Reino Unido (Jogos Olímpicos).

A escolha deste robô foi unânime por parte da comunidade científica, após análise do vasto currículo e experiência profissional desempenhada ao longo da sua vida – o que lhe permitiu acumulação de créditos, para término da sua licenciatura em um ano.

A sua estatura física, de 3 metros de altura e 2,8 metros de largura, permitem resistir ao clima agreste e de seca extrema que se vive em Marte, assim como, defender-se de potenciais inimigos que possa encontrar durante a sua expedição. A comunidade científica escolheu a sua estatura para que possa caminhar, já que, por motivos orçamentais, não foi possível atribuir uma viatura de serviço – a única que existia pertence ao diretor-geral.

O Governo, na pessoa de Baraka Obama, elogiou o esforço e empenho de toda a equipa e da força e determinação com que Curiosity se disponibilizou a embarcar em tão patriótica missão, que servirá a humanidade.

Soubemos de fonte segura, e próxima do Governo, que esta missão permitirá saber se em Marte existem elementos da Al-Qaeda em campos de treino.

A missão terá início dentro em breve, pois o Curiosity terá de cumprir com rigor os horários que lhe foram impostos no contrato de trabalho forçosamente assinado.

Iremos acompanhar a expedição e traremos mais notícias aos nossos leitores assim que se justifique.

(Trata-se de um texto ficcional e satírico. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência).

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