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ADEUS À FILIPA VACONDEUS

por Manuel Joaquim Sousa, em 07.01.15

Soube hoje ao final do dia que a Filipa Vacondeus deixou-nos e foi (perdoem-me a piada) com Deus - espero que para um mundo bem melhor que este em que vivemos.
A Filipa Vacondeus esteve sempre na minha memória desde que me lembro de ver televisão, já nos anos 80. Se me questionarem quais as receitas que me lembro do seu programa, direi que não me lembro de nenhuma, embora tenha sempre presente a imagem daquela senhora atrás da banca, de frente para a câmara da televisão a cozinhar e a ensinar os telespectadores.
Admirava a sua forma de falar para o público - tinha aquela voz de quem fala pelo nariz e sempre de uma forma muito chique. Ainda me lembro daquele gesto que fazia com as duas mãos para puxar os óculos para o sítio. Adorava aquele seu penteado, de cabelos armados que se usavam naquele tempo, em que não havia barrete de cozinheiro que lhe servisse. Adorava ver a emitação criada pelo Herman José, desde os tempos do "Tal Canal".
A única fase da D. Filipa que eu não apreciei foi quando começou a fazer publicidade aos trens de cozinha de uma marca conhecida, tipo televendas. Tudo o resto era adorável. Filipa Vacondeus era uma inspiradora de receitas baratas e simples, capaz de destornar qualquer vendedor de bimby.

Adeus Filipa! Espero que esteja em boa companhia.

 

 

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MANDAR ÀS URTIGAS

por Manuel Joaquim Sousa, em 13.08.14

Hoje, a caminho do trabalho, levei como companhia a minha querida TSF onde aproveito para ouvir as primeiras notícias do dia. Por acaso liguei no momento em estava no ar um programa que falava sobre agricultura e se falava daquelas plantas que pouca importância o povo lhes dá, apesar da sua grande utilidade. Eis que falaram da urtiga.

 

Pobre planta que até dá para fazer bolos, de aspeto verde, e que é tão pouco apreciada na nossa culinária. Será que o seu desprezo está relacionado com o prurido, comichão que causa quando nos encostamos a elas? Talvez, o olhar desconfiado. Segundo o dicionário Priberam, urtigas descreve bem o que significa esta planta e explica que é uma planta com pêlos que faz penetrar um líquido pela pele. Medo!

Mesmo na sabedoria popular, não tem muita fama – “Vai às urtigas”, já o devem ter dito muitas vezes quando se enchem de alguém, quando alguém vos atazana o juízo. Não é mesmo nada de bom. Porquê? Só por causa do seu líquido que faz uma comichão danada?

 

Por outro lado há um ditado popular muito positivo e que dita o contrário: “Junto da urtiga nasce a rosa”. Mais bonito que isto?

Pela internet há muitos sites com muitas indicações de propriedades medicinais. Vi agora o i-legumes uma série de benefícios – consultem.

Mas, por vezes, ainda me apetece enviar muita gente às urtigas. Vós também, certamente. Nos tempos que correm a vontade é mesmo maior, quando somos afrontados de todos os lados - governo e bancos a sugar o mexelhão até não haver que tirar.

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DIETAS OU CULINÁRIA - QUAL ESCOLHO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 08.07.14

Será moda, não será. São os tempos de agora. O Verão que está à porta, mas que não chega. Em cada livraria que entro e em cada tenda da feira do livro por onde passo, há deles para todos os gostos. Muitos gostos. Abrem o apetite. Chamam ao arrependimento do pecado da gula. Convivem uns com os outros. Estão lado a lado. São os livros de receitas e os livro de dietas.

Talvez tenha andado desatento noutros tempos. Talvez agora pululem como cogumelos ou mais que eles. A oferta dos livros de culinária está cada vez maior. São os de sopas, de doces, de peixe, de carne. Há especialidades para todos os gostos, a vegetariana, Brasileira, Portuguesa, Asiática. Há comida para todos os gostos que nos tentam para o pecado da gula. Na banca do lado estão os outros. Os que nos fazem entrar na linha. Os milagreiros da beleza. As dietas com todos os nomes e mais alguns. Os livros das teorias para o bem-estar. Aqueles que convidam para a pureza e que em maioria contradizem com tudo o que os outros recomendam. São o diabo e o anjo. Falam na nossa mente. Coisas que o mercado nos põe à frente. Escolhas difíceis de fazer.

Os livros de receitas são tretas. Da mesma maneira que os das dietas às vezes também são. Perdoem-me que os produziu. Perdoem-me os cozinheiros que criaram. Eu acredito que tudo seja bom. Eu até posso comprar um livro de dietas para seguir à risca, para ter um corpo perfeito e livre de gorduras. Ao princípio tudo é bom. Há que seguir à risca. Isto é espantoso. Vou vender aos outros esta novidade. Passado algum tempo cansa. As dietas são aborrecidas. Obrigam a seguir um plano. Obrigam a comer o que não quero. Impedem-me de comer aquilo que sei cozinhar. Seguir à risca é cansativo. Prefiro o meu plano de treino. Prefiro a dieta que eu próprio crio com o que tenho no frigorífico – que também é muito saudável.

Os outros, os que nos levam ao pecado na gula, são interessantes. Tantas vezes se tenta seguir a receita e: não sai nada de jeito. Tantas vezes se tenta copiar a forma e: fica horrível. Tantas vezes procuro algo para o dia que se segue e: nada do que lá está me apetece. Tantas ideias para nada. No início, pretende-se fazer tudo e respeitar a receita. Passada a novidade, é mais um livro para a prateleira. Funciona como as receitas que boa gente recorta das revistas, com aquele entusiasmo de que vai fazer. Quando? Depois logo se vê.

Perdoem-me estar a estragar o negócio dos livros das receitas e das dietas. Independentemente de todos concordarem com o que digo, há sempre a tentação de comprar mais um. Há uma falha em nós. Um mundo sem tentações não tem piada.

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PRATOS QUE NOS FAZEM RECORDAR!

por Manuel Joaquim Sousa, em 09.12.12



Cozinhar não é das minhas artes preferidas – cozinho por desenrasque e porque tenho de me alimentar – embora as pessoas até digam que cozinho bem. Por essa razão, não sou daquelas pessoas que encontra inspiração para a cozinha ou a usa como descompressão do stress ou uma terapia.
Por vezes, até me sinto na disposição de meter mãos-à-obra, para fazer alguma coisa com mais cuidado, com um certo carinho e o resultado é satisfatório – pelo menos para mim.
Hoje, decidi preparar para o jantar um prato que não como há uns cinco anos: Farinha de Pau – uma mistura de vários tipos de carne com mandioca. A última vez que comi esta preciosidade foi há uns cinco anos e feito também por mim; é algo que não se encontra com frequência nos restaurantes, nem sei se há.
Fazer farinha de pau ou comer este prato faz-me lembrar uma pessoa muito amiga, que morreu há 12 anos, uma excelente cozinheira e que fazia uma farinha de pau que era uma delícia. Os clientes da sua casa, para quem cozinhava, adoravam comiam até não poder mais. Lembro-me que, quando o prato era servido na sua pensão havia sempre uma caixinha para mim. Eu regalava-me com a farinha de pau, com aquele sabor. Comia até não poder mais.

A cozinha tem este fascínio, faz-me recuar ao passado, aos tempos de menino, em que lembro cada prato delicioso, confecionado por aquela pessoa. É o sabor único. Por mais que se tente acertar na receita, trocar nos ingredientes, nunca é a mesma coisa porque o sabor confecionado por essa pessoa fica na nossa memória para sempre – uma recordação.

Essa minha amiga, quando ficou doente, um dia disse-me que quando ficasse melhor me faria uma feijoada à transmontana (que eu adoro). Mas, a vida deu voltas e ficou a lembrança do sabor dessa feijoada e, por muitas que se comam aqui e acolá, o sabor nunca será o mesmo.

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