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DOOMED – CONDENADO!

por Manuel Joaquim Sousa, em 08.12.12

Por vezes, surgem os debates na sociedade sobre o papel dos media no mundo e a importância para a sociedade da informação cada vez mais imediata; também se discutem os limites entre a notícia e a vida privada ou a notícia e a “não notícia”.

Mas, há outro debate a surgir, desta vez nos EUA, sobre uma capa do jornal New York Post com uma fotografia de Ki-Suck Han, 58 anos, que ficou encurralado na linha de metro depois de ter sido empurrado e foi esmagado pela passagem da composição. Nesse instante, há um repórter fotográfico no local que fotografa e que afirma ter disparado várias vezes o flash para alertar a composição, mas que não evitou a tragédia. Ao contrário de muitas histórias que correm pelo mundo, até mesmo nas redes sociais, não existiu um herói que fosse salvar o homem; não se vê ninguém num local onde supostamente há sempre muita gente – estamos a falar de uma estação em Nova Iorque -; o homem padece como condenado ao seu terrível fim.

Perante este cenário e não existindo por perto mais alguém, o que deveria ter feito o repórter? Deveria ter largado a atenção de uma fotografia e correr para puxar o homem da linha, dando mostras de um sentido humanitário? Teve a atitude correta em se manter como espectador, cumprindo a missão que lhe compete – retratar a realidade do acontecimento e procurar chocar as pessoas fazendo-as pensar sobre a nossa postura e atitude sobre a desgraça alheia? Onde está a fronteira entre o dever de informar e o dever de ajudar? Existe? Será que a nossa revolta apenas existe pela crueza da imagem? Teríamos a mesma reação se apenas dispuséssemos de uma descrição em texto? Se um jornalista tem de assumir o seu papel de humano num cenário de tragédia estará a pôr em causa a sua ética profissional de não interferir nos acontecimentos? Se um repórter assume o seu papel de “cidadão comum” num cenário dramático, quem poderá retratar os acontecimentos e a recolha de imagens que captam a nossa atenção e nos mantem informados? Se cada um de nós, que apontamos o dedo a quem não agiu, estivesse na mesma situação faríamos diferente? Existiria neste momento um debate sobre algo tão profundo como alertar consciências para a forma como tratamos o próximo? Poderá, em qualquer situação, a ética sobrepor-se ao princípio de humanidade comum a todos os Homens?


O que valorizas mais, a ética ou a humanidade? Vale a pena meditar sobre o assunto.

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