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EXPOSTOS AO ABALO CHINÊS

por Manuel Joaquim Sousa, em 06.09.15

O colapso da China é inevitável. Em tempos, achava que a aquele país estava a crescer e a expandir-se bem demais. Sempre desconfiei que vender aos chineses as joias da coroa ou os anéis, como lhe chamamos, seria um erro muito grande e com consequências futuras terríveis para a economia portuguesa. Confesso que nunca manifestei muito esta minha opinião, não fossem os senhores da economia acharem ridícula – já que de economia percebo aquilo que entra e sai da minha carteira e fruto da experiência da vida.

A crise das bolsas nestes últimos dias foi aquilo que considero ser o princípio da queda do gigante chinês. A presença deste gigante no mundo e a nossa dependência dele é tão grande, que as bolsas fecharam em baixa como em tempos longínquos da História da economia – fosse apenas a bolsa chinesa a ter a queda e não teríamos qualquer problema.

Sabemos que a China é um país populoso e com muita indústria que produz à escala mundial e de qualidade que muitos duvidam – eu duvido porque nada se compara à qualidade do que é português ou até mesmo de outros países da Europa. No Semanário Expresso, de 05-09-2015, fala das exportações portuguesas de calçado e valores de produção; para terem ideia o preço médio de um par de sapatos, made in Portugal, à saída de fábrica, custa 31,88 dólares; enquanto na China o mesmo valor permite a produção de 151 pares. Quanto à qualidade dos materiais e de fabrico nem valerá a pena falar. Um dia comprei estupidamente uns sapatos nos chineses por uns 15 Euros, que devem ter durado uma semana, pouco mais; mais tarde comprei uns portugueses por 30 Euros, que me duraram muito tempo, até não haver mais sola (a pele ficou como nova).

Certo é que o mundo económico age por conveniência. A China produz a baixo custo. Preocupação com os trabalhadores? Não. Preocupações ambientais? Garantidamente que não, a ver pela névoa permanente nas cidades. Qualidade de produção? Aquela que muitos já conhecem. Tudo isto pouco está a importar aos restantes países que recebem os produtos ou que vedem as suas empresas – o dinheiro é sempre mais importante, ainda que a exposição económica chinesa seja cada vez mais perigosa. O colapso chinês vai ser mais doloroso que o colapso Grego aqui na Europa – a começar por Portugal.

Os problemas que a China terá de enfrentar no futuro serão bem piores que os Europeus. Dependência energética, dos combustíveis fósseis, e pouco investimento na mesma escala em relação a energias renováveis. Dívida pública e privada nos 282% do PIB. Corrupção e sistema financeiro que deve ser menos regulado que na Europa. Problemas demográficos provocados pelo envelhecimento da população. Elevada migração das pessoas para os centros urbanos e falta de mão-de-obra no interior para produção de alimentos.

Apesar de a China ser um dos maiores impérios em termos económicos, isso não tem contribuído para a melhoria das condições de vida das populações na mesma medida que o crescimento. Acredito que, o sistema financeiro corrupto e sombra crie uma sustentabilidade económica “oca” que pode colapsar a qualquer momento. Os primeiros abalos já se verificaram com consequências nada boas. Mas, vamos esquecer isso e vender as joias da coroa portuguesa. Logo se vê o que fazer.

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É SÓ CHINESES!

por Manuel Joaquim Sousa, em 14.06.15

Lá vamos indo por entre prateleiras longas, corredores apertados, muitas vezes sem saída que nos obriga a fazer o caminho de retorno de mãos vazias. É terrível o choque visual a que os nossos olhos estão expostos, de tão lindas que são as roupas, de tão úteis que são aqueles objetos que vendem. É terrível o cheiro ao longo das prateleiras muito propício a espirros e manifestação de alergias - ainda acham que o fumo do tabaco é prejudicial.

 

Com o tempo lá nos fomos habituando ao crescimento de lojas de chineses. Foram crescendo e aparecendo como cogumelos. Pelo que se sabe, aproveitaram-se da crise no comércio local, na falência de várias lojas de rua, aproveitaram-se de espaços comerciais que seriam destinados a shoppings. Construíram um império - o ponto de partida para depois vendermos empresas em saldo aos chineses. Sim, os chineses estenderam o seu império para Portugal - nada contra as lojas, embora evite lá entrar.

Entrar numa loja de chineses é um exercício de heróis. Se antes estas lojas eram mais pequenas e onde se esperava à porta para se conseguir entrar, de tão entulhadas que estavam; hoje, são de dimensões impressionantes - chegam a ter vários pisos. Semelhança com as antigas: continuam atulhadas de coisas de todos os tipos. O desafio é encontrar aquilo que se procura - ou se conhece bem o espaço ou há que correr tudo à procura do que se deseja. Pedir ajuda de um funcionário, que normalmente é chinês, é outro desafio porque falam e falam, apontam para um sitio qualquer na esperança de termos percebido. Lá vamos indo por entre prateleiras longas, corredores apertados, muitas vezes sem saída que nos obriga a fazer o caminho de retorno de mãos vazias. É terrível o choque visual a que os nossos olhos estão expostos, de tão lindas que são as roupas, de tão úteis que são aqueles objetos que vendem. É terrível o cheiro ao longo das prateleiras muito propício a espirros e manifestação de alergias - ainda acham que o fumo do tabaco é prejudicial. No final de contas, nem sei se nos mandam seguir caminho só por sim e na realidade não sabem o que pedimos ou não sabem se têm. Outra coisa irritante é a forma como falam entre si: berram, e depois aquele idioma estranho que mais parece alguém com batatas quentes na boca não ajuda; gritam entre eles que estão na loja ou porque estão via skype com outros chineses (sim, já vi muito disto e o pior é que o cliente na caixa vê a outra pessoa por skype, mesmo em trajes menores a passear pela casa ou mesmo na cama).
Lá no trabalho temos o costume de dizer para ir ao chinês na hora de almoço encontrar o que tanto se procura - para casa, para uma festa, etc - e se não tiver no dia seguinte com toda a certeza que já tem. Este mito criou-se porque de facto aconteceu em diversas situações - não me perguntem como foi possível (há toda uma rede de idealização, fabrico, transporte que não entendo).

Sou um grande fã da rubrica "Bazar das Chinesices", que passa no "5 para a meia noite", da RTP1, de Pedro Raminhos; ele traz-nos as mais belas preciosidades das suas compras nos chineses - quão útil são os produtos, que qualidade de fabrico, que belas traduções dos nomes e das instruções (não há acordo ortográfico que lhes valha, nem sei como não são multados por isso).

A crise não atingiu apenas o comércio tradicional português. Também as lojas do chinês têm sucumbido à crise, fruto do baixo consumo (há muitas coisas do chinês que não são assim tão baratas quanto se pensa) e da concorrência das lojas vizinhas - foi isso que fez as lojas pequenas desaparecerem, as grandes abafaram o negócio. Quando várias lojas pequenas fecham, os donos e funcionários juntam-se para abrir uma de maiores dimensões. São negócios que vão para além da família.

Faço questão em evitar ao máximo entrar nestas lojas das quais duvido da qualidade do produto final, a não ser que pretenda comprar algo descartável e provisório para alguma atividade. Continuo a preferir o comércio português.

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Por: Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

O Presidente chinês, Hu Jintao, encontra-se de visita oficial aos EUA, uma visita com o objectivo de reforço dos laços para uma parceria económica mais reforçada. Afinal, para Barack Obama, estas duas potências consideram-se mais prósperas e seguras se trabalharem juntas. Pelos dados conhecidos, as exportações dos EUA para a China cresceram em 2010 na ordem dos 31,7%. Razões de sobra para que Hu Jintao seja recebido nestes dias com pompa e circunstância na Casa Branca, pois é de países assim que a América precisa para projectar a sua economia e evitar a crise.


A par da agenda económica, Obama também  falou publicamente em relação aos direitos humanos “A História prova que as sociedades são mais harmoniosas, os países mais bem sucedidos e o mundo mais justo se forem respeitados os deveres e responsabilidades das pessoas e das nações , incluindo os direitos universais de cada ser humano”. Estas palavras certamente que seriam, destinadas ao Presidente Chinês, o líder de um regime muito contestado, onde são conhecidas as faltas de liberdade do povo e onde os seus direitos universais não são defendidos. Algo que o Presidente Hu Jintao não deve estar disposto a negociar e a mudar no seu regime autoritário. Prova disso foi a proibição da transmissão, pela televisão chinesa, de imagens das manifestações às portas da Casa Branca a pedir a libertação do Prémio Nobel da Paz Liu Xiaobo pelo regime chinês e a independência do Tibete. Não se entende que mesmo assim o Presidente Chinês, numa declaração, afirme que o regime se esforçará para promover a democracia e o melhoramento da qualidade de vida do povo Chinês. Como é possível que mesmo assim a comunidade internacional se mantenha serena perante a diferença do que é dito e do que realmente acontece, mesmo no momento em que estas palavras são proferidas?


Não é da responsabilidade dos Estados do mundo a resolução do problema interno que é o regime chinês porque os regimes dificilmente se poderão tornar num modelo perfeito e que tem que ser imposto. Porém, é da responsabilidade dos Estados todas e quaisquer negociações e tratados económicos que se celebram com outros países e que, de alguma forma, possam contribuir para a manutenção e exploração desses regimes e o aumento da precariedade da vida das pessoas submetidas a leis autoritárias.


Não podem os restantes líderes do mundo como Obama acreditar que as suas ideias e pensamentos de paz e liberdade possam ser aceites, se continuar a negociar e com isso aumentar o poder do regime e a ideia de necessidade desse regime como único modelo viável para o Estado Chinês. É claro que não se deve partir para uma guerra de derrube do poder, mas para negociações pacíficas de forma a provocar a abertura do regime e a permissão da liberdade individual. Contudo, essas negociações devem ter o cuidado de se ter presente que estão a “negociar com o diabo”, dando-lhe poder suficiente para se tornar ainda mais temível aos olhos das restantes nações e com isso aumentar o poder numa economia cada vez mais global com os prejuízos que isso acarreta.

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