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ENCERRAMENTO DOS CTT: QUANDO O CARTEIRO TRAZ BOAS NOTÍCIAS

por Manuel Joaquim Sousa, em 10.06.13

 

                                                                                                          Fonte: Youtube


Ouve-se o som da motorizada a quebrar o silêncio que se vive na terrinha – hora de chegada do carteiro. Todos os dias, na hora do costume, segue ele o seu trajecto para despachar os postais e as cartas. Bate à porta da cozinha da Sra. Maria, para entregar a carta da filha, que está em França, com as fotografias do neto – a Sra. Maria ainda não tem facebook ou um computador; para na residencial do Sr. Ramiro, para deixar os postais de Natal dos seus clientes do Verão; segue para a casa da D. Alice, a fim de entregar os documentos que chegam da Assembleia da Republica; paragem na tasca do Sr. José, onde deixa o jornal da terra. Enquanto isso, a Sra. Palmira vai aos correios, para lhe pagarem a reforma; o Sr. António que quer saber como estão as suas poupanças; o Sr. Francisco que quer despachar uma encomenda, para os seus filhos da Capital.


Nas terras pequenas esta é uma imagem que começa a ser passado porque a tecnologia revolucionou muitas necessidades e alterou formas de comunicação, que começam a ser exclusivas dos idosos, e muitas estações dos Correios começam a encerrar. São tempos da crise? É culpa do desenvolvimento tecnológico? Poderia ser. Crise não é porque os CTT têm um lucro fantástico. Desenvolvimento tecnológico sim, mas muita gente ainda está dependente dos meios tradicionais. Culpa também das aldeias e pequenas vilas que têm cada vez menos gente. Porém, o fundamento deste encerramento está relacionado com as intenções do Governo em privatizar os CTT. Em nome da economia e da força dos tempos se condena e se fecha ao exterior uma série de terras onde ainda há gente (se não houvesse…). Vejo uma terra como o Gerês que sofreu de uma tentativa de encerramento, quando se trata de uma estação que serve várias freguesias e lugares com muita população e com muito turismo. É insustentável condenar esta terra a um tipo de isolamento como medida de poupança.

Em alternativa a estes encerramentos sucessivos, procura-se entregar os serviços a papelarias e tabacarias – a propósito lembro-me da piada de Pedro Fernandes, no programa 5 Para a Meia-noite, da RTP1, em que retratam como seria o serviço postal em talhos e nas Igrejas.

 As políticas de poupança, ainda que com fundamento económico, não podem ser tão lineares, no que trata de serviços públicos como este e pago pelos utilizadores. O Governo deveria preocupar-se no repovoamento de zonas do interior abandonadas, para libertar as cidades onde as oportunidades são escassas. Um Centro de Saúde, uma Escola, os Correios são exemplos de serviços que fixam as pessoas ou pelo menos não condenam ao isolamento aqueles que não podem mudar-se para a cidade.
 

O carteiro ainda é aquele que traz boas notícias…

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