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ATÉ QUANDO CONTINUAREMOS A COMER CARNE?

por Manuel Joaquim Sousa, em 10.03.15

A propósito do tema que aqui abordei em relação à alimentação saudável, que é possível ter sem que se isso represente um peso para o orçamento familiar, e sobre a questão de que estaremos a consumir mais que as nossas necessidades, vale a pena falar do impacto ambiental que o consumo excessivo de carne e peixe pode trazer para o nosso planeta. Este assunto não é novo, tem sido debatido recentemente, por razão do "Cowspiracy" - um polémico documentário norte-americano. É certo que se pode duvidar dos dados revelados nesse documentário e sobre isso seja necessário haver mais investigação que o comprove. Certamente que não existe o contraditório necessário para que as pessoas tomem as devidas opções, entre visões diferentes de uma questão que pode ser grave - a sustentabilidade dos recursos alimentares no planeta. 
 
Nenhum recurso é inesgotável, para se valorizar determinados recursos outros terão de ser eliminados por questões de seleção natural - mas com intervenção humana (uma variável que Darwin necessitaria de acrescentar à sua teoria se a desenvolvesse nos dias de hoje). A acreditar em alguns dos dados revelados nesse documentário estaremos perante um devaste ambiental que é necessário travar. 
A pegada ecológica de uma alimentação carnívora poderia ser eliminada em 50% de emissão de CO2 se a nossa alimentação fosse vegetariana; cerca de 91% da floresta amazónica foi destruída para pastagens de gado; dezenas de espécies de animais e plantas são extintos diariamente devido à destruição das florestas tropicais; 1/3 da água potável existente no planeta é gasta na indústria da carne e de lacticínios; 2500 vacas leiteiras produzem tantos resíduos que uma cidade com mais de 400 mil habitantes; 6000 metros quadrados permitem produzir 170 quilos de carne, mas a mesma área consegue produzir quase 17 000 quilos de vegetais. Poderíamos continuar a falar da quantidade de água absurda que é gasta para produzir um hambúrguer, na quantidade de gases poluentes que o gado liberta para atmosfera, na quantidade de peixe capturado e desperdiçado novamente para o mar já morto (condenando as reservas de peixe e obrigando à fixação de cotas de pesca). 
 
Vamos deixar de comer o nosso Bife Grelhado ou aquele Cozido à Portuguesa ou aquelas Tripas à Moda do Porto? Vamos ter de repensar em comer o bacalhau à Zé do Pipo e a Sardinha na Brasa? 
Não teremos com toda a certeza de deixar de comer o que de tão bom nos oferece a gastronomia portuguesa (que é fantástica); teremos sim que pensar no número de vezes e com que frequência comemos carne e peixe, assim como produtos de origem animal. Teremos que optar, com mais frequência, por uma alimentação mais diversificada e cada vez mais vegetariana. É a única alternativa para que exista alimentação disponível a todos e capaz de corresponder ao ritmo de crescimento da população mundial e de forma a travar o abate/destruição de recursos naturais.

Além das opções mais diversificadas na alimentação - como a vegetariana que tem muitos benefícios para a saúde - é necessário ter em atenção a quantidade de comida para evitar desperdícios - comer em exagero ou deitar fora quando se pode aproveitar para outra refeição (algo que nos formos habituando felizmente). 
 
A ser verdade o que este documentário nos pretende transmitir, ainda podemos retroceder e permitir um equilíbrio maior na forma como nos alimentamos. Também é preciso ter em atenção ao tipo de agricultura que deve ser sustentável para não ser condenada aos mesmos exageros que a produção de carne e captura de peixe.

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