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A CRISE ECONÓMICA E A QUESTÃO DO CAPITALISMO

por Manuel Joaquim Sousa, em 21.04.13

O texto que se segue o escrevi há alguns anos - creio que em 2008 -; porém, temo que ainda seja actual.
 
Estamos mais conscientes de que a crise ainda por aí e que veio para ficar. Não temos qualquer noção de quando possa parar, nem temos qualquer expectativa de quando será a tão desejada retoma. A crise deixou de ser nacional, passou a ser internacional e continua a afectar cada um de nós que tem de enfrentar a dureza do dia-a-dia.

Esta não é uma crise momentânea capaz de se ultrapassar de qualquer forma, mas uma crie estrutural, que afecta a economia das grandes empresas bancárias e seguradoras, que são o sustento e a base das empresas e pessoas que delas dependem com os depósitos das suas economias e dos seus empréstimos. Não sabemos qual o futuro da economia global com a falência de bancos Americanos com a participação de bancos nacionais ou de quem os nacionais dependem para garantir liquidez e sustento. 

É certo que esta crise estava há muito programada, que mais cedo ou mais tarde iria mexer o mundo e provocar depressão do mundo financeiro e receio, medo, pânico no mundo particular e familiar. Os bancos investiram em produtos de investimento duvidosos na procura de lucro imediato que pudesse de alguma forma valorizar as instituições e valorizar o valor em bolsa. As instituições bancárias procuraram vender esses produtos e créditos aos seus clientes com todas as garantias possíveis e impossíveis para aumentar a sustentabilidade noutros mercados e noutras aquisições. A oferta aumentou e as facilidades aumentaram, as pessoas e as empresas iludiram-se arriscando o que tinham e não tinham. Neste ciclo vicioso de compra, venda, aquisições e sobrevalorizações, a Globalização ganhou força e os problemas de uma instituição bancária passaram a ser os problemas de todas, dadas as participações que têm uns com os outros.

Esta economia está cada vez mais confusa e débil com a crescente volatilidade dos mercados internacionais e as constates crises energéticas, políticas e sociais. Esse é o rumo de tudo na sociedade, não procuramos a simplificação, mas a complicação de tudo o que nos rodeia; isso faz com que o nosso cêntimo seja o cêntimo de todos e do meu cêntimo dependa muita gente ou mesmo a economia global. No mundo económico tanto temos muita importância como de repente a perdemos por completo. Não existem modelos económicos perfeitos e disso temos a prova por tudo o que a economia passou ao longo dos anos. Não foi a direita capitalista ou a esquerda nacionalista que conseguiram resolver crises económicas. Estiveram e estão de costas voltadas, mas há uma que depende da outra.

Toda esta situação deve-se ao crescente capitalismo que atingiu o seu auge e agora conhece a fase fatal de uma possível queda. Não temos ideia se vai cair, mas temos a noção que por mais forte que seja esse capitalismo torna-se muito frágil e o risco de colapso é real. As vítimas serão todos os que dependem dele quer que tenham apoiado ou apenas estão dependentes por necessidade. O capitalismo apresenta o seu lado mais negro que não olha a meios para atingir os seus fins, em que tudo é dinheiro e dinheiro é poder.
 

Nesta fase de decadência ou colapso, os senhores do capital recorrem ao poder estatal para assegurar o que está em risco de ruir. É o Estado o único salvador deste ciclo vicioso que se transforma numa bola de neve cada vez maior. No meio de todas estas jogadas está o particular penhorado pelos créditos e o contribuinte que vê o dinheiro dos seus impostos ser injectados para sustento do capital. O particular e o contribuinte são a mesma pessoa que paga em dobro o prejuízo provocado pelo neoliberalismo.

Chegados a este ponto, quem mais criticou as nacionalizações e o excessivo peso do Estado nas empresas, com o argumento de que prejudicava a mobilidade e a evolução da economia, assim como, a competitividade das empresas, agora recorre a esse Estado para segurar o património e a falta de liquidez.
 

O capitalismo mostra a sua fraqueza e incapacidade de lidar com situações de crise. Perante esta conclusão o que será possível fazer? Que volta há a dar? Renunciar por completo ao capitalismo e passamos às nacionalizações em massa?

As nacionalizações do seu tempo não foram assim tão boas, os prejuízos e a as capacidades de evolução e adequação à economia actual não foram as melhores. O nacionalismo desenfreado não será a melhor das soluções, mas uma forte regulação dos mercados por parte do Estado será o melhor para evitar o caos económico e o flagelo dos contribuintes. Devem haver entidades reguladoras independentes, inflexíveis ao grande capital e capazes de se fazerem impor no mercado.
 

A acção deverá ser rápida e urgente, já que não podemos evitar a crise actual e que no momento apenas podemos apoiar os mais prejudicados e desfavorecidos que têm a sua vida hipotecada e as suas poupanças em risco. O actual modelo económico não é perfeito, mas serve a presente situação económica como exemplo e alerta futuro para que tal não se torne a repetir.

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