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O QUE SERIA DE MIM SEM A ROTINA?

por Manuel Joaquim Sousa, em 09.05.15

Há alturas da vida que me canso daquela rotina e da correria desde o levantar até ao chega a casa - às vezes, até ao deitar. Mas, o que seria de mim sem essa rotina? Faz falta. Quando não a tenho sinto falta dela. Por exemplo, quando a doença impede a rotina e me obriga a parar: fico farto. Fico desejoso por voltar à rotina de antes. A rotina é vida. Para outros acredito que a rotina seja a morte lenta. São as escolhas que fazemos e as oportunidades que temos. A que propósito me lembro disto? A simples razão de me ter sentado naquele café do costume e sem ter pedido nada, a funcionária traz-me gentilmente o café curto. Já sabe. Nem preciso falar para além de um: obrigado. O mesmo acontece num outro sítio em que a determinada hora do dia, o funcionário do costume me traz o café, o pastel de nata e o copo com água. São hábitos, rotinas. Isso revela que sou previsível? Talvez. Pelo menos sabem com o que contam… Essa rotina faz com que em determinadas alturas, em que a quero quebrar, tenha de ser eu a correr em direção ao funcionário dizer-lhe que quero outra coisa – não vá ele trazer em vão o que não quero e tenha de fazer novo percurso. A vida tem sempre rotinas, por muito que se tentem contrariar. Acordar, o banho, lavar os dentes, comer, olhar o telefone, ver os e-mails, ouvir as notícias, comprar o jornal, fumar depois do café, aproveitar as promoções do supermercado, deitar. São tudo rotinas. As que nos dão prazer não nos queixamos, as que dão dor de cabeça são terríveis.

O que seria da minha vida sem uma dose de rotina? O mesmo que sem uma dose de cafeína, o mesmo que sem uma dose de palavras escritas, o mesmo que sem umas linhas lidas do jornal ou de um livro. Por vezes, desejo sair da rotina, mas sabe tão bem estar imbuído nela. Trata-se de uma forma de viver embriagado – embriagado na vida.

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O MEU GOSTO PELO CAFÉ

por Manuel Joaquim Sousa, em 28.02.15

Já partilhei por este blogue ou algures na blogosfera o quanto é bom tomar café e saborear ao máximo cada chávena com que me apresentam quando sento numa mesa de café - também o ambiente do espaço contribui para o gosto e a forma como é serviço é determinante. Um bom café é sempre pretexto para início de uma boa conversa, o começo de uma noite diferente com quem gostamos de estar próximos ou simplesmente uma noite igual a tantas outras, pode ser a pausa que desejamos no dia-a-dia ou simplesmente uma razão para um bom começo de dia. Estudos confirmam que 80 % da população portuguesa é consumidora de café - está enraizado. Temos variedade de marcas e tipos de café disponíveis no mercado, até mesmo para consumo doméstico - desde a tradicional moagem para as cafeteiras de filtro, pastilhas, moído para máquinas Expresso e agora em formato de cápsulas.

As cápsulas ainda não me convenceram. Ainda acho que o sabor não é o mesmo. É prático, eu sei. Gosto daquele pormenor de moer, tirar com o doseador para o manipulo, aperta-lo e colocar o manipulo na máquina. A forma com que se faço este ritual faz com que o café, ainda que do mesmo lote, possa ter sabor e intensidade diferente - fator quantidade de pó, intensidade com que se aperta, temperatura da máquina, qualidade da água, chávena mais cheia ou não. Prefiro comprar café em grão para moer lá em casa de acordo com a minha máquina. Também sou dos que aproveitam as promoções do supermercado para comprar as marcas que mais gosto, mesmo que já seja moído. Sinto um prazer quando vou à despensa de casa e olho para a prateleira repleta de café e fico a pensar qual o próximo - um Delta Angola, Colômbia, um Segafredo, um Buondi ou mesmo um Nicola. Todos têm o seu sabor único que sabe bem desfrutar. Vantagens do café em grão é o preço final de cada café, que compensam a longo prazo para quem investe numa boa máquina Expresso; vantagem de se experimentar várias marcas, sem as limitações dos formatos das cápsulas. Atenção: recomendo que se habituem a tomar sem açúcar ou adoçante para sentir o real sabor. Custa no início, mas depois não o querem de outra forma.

O café é daqueles prazeres que sinto falta quando saio do país - ainda que raras vezes. Tomara os vizinhos Espanhóis terem a mesma qualidade no café como nós. É bom o café. Dá sempre tema para uma boa conversa.  

 

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AS CONVERSAS NO CAFÉ DA TERRA PEQUENA

por Manuel Joaquim Sousa, em 26.11.12

- Olha, quem é aquele que vai ali?
- Pelo carro é o Zé, filho da Maria.
- É mesmo. Vai com a mulher.
- Vão deixar o lixo na reciclagem. É sempre assim, os dois vêm colocar o lixo na reciclagem muitas vezes.
- Quem é aquele que vem acolá, a pé?
- É o Francisquinho.
- Ah! Coitado. Já vai todo tombado.
- A esta hora já deve estar com um copo a mais.

Assim continuam as conversas de Domingo à tarde, lá pelo café do sítio - típico de terras pequenas, onde há que arranjar alguma coisa com que se possa ocupar o tempo, matar o silêncio, já que o tempo de chuva e frio é pouco convidativo para passeios na rua.

Por vezes, o rapaz que veio da cidade, e que vai ao café do sítio para ver os presentes e contar novidades da terra desenvolvida, fica estranho com o teor da conversa a que já não está habituado. Mas, a estranheza passa depressa ou não se lembrasse que sempre assim foi, mesmo nos tempos em que o rapaz por cá vivia.

O jovem rapaz, nos tempos em que vivia cá no sítio pequeno, não gostava nada destas conversas – que iam muito para além de comentar e perguntar quem é aquele, mas estendiam-se para pormenores da vida pessoal e privada de cada um, baseada no “diz que disse” e em julgamentos sem fundamento algum – e criticava, assim como, desejava ver-se fora daquele meio para um outro mais evoluído e desejado. Porém, hoje mantém esse desejo, mas sorri ao lembrar que tudo continua como antes, por mais voltas que o mundo dê.

Na terra pequena, a televisão apenas alimentou mais as conversas de mal dizer e de circunstância com a abundância das telenovelas, dos reality shows e talk shows sobre a vida alheia e cor-de-rosa. O mundo da televisão por cabo chegou, mas os programas tradicionais mantém-se no top das preferências.

Na terra pequena, novidades como as redes sociais espalharam-se da mesma forma que nas cidades, com os mais novos a mostrarem o seu destaque e modernidade. Também estas alimentaram as conversas tradicionais de café sobre a vida de cada um e as fotografias, comentários e afins que andam a circular por esse grupo pequeno. Para os restantes, trata-se da “pouca vergonha” que anda por aí a estragar namoros e que faz essa gente enrolar-se a torto e a direito com qualquer um.

Na terra pequena, tudo continua como antes – aos olhos do jovem da cidade – por mais informação ou evolução que haja. O respeito por esta forma de estar em sociedade faz com que, muitas vezes, entre no café calado e saia mudo, mas pensativo sobre tudo isto.

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UM CAFÉ, POR FAVOR!

por Manuel Joaquim Sousa, em 15.07.12

 



O Verão tem andado muito envergonhado, este ano - tempo fresco, noites desconfortáveis para estar na esplanada até tarde, dias encobertos para a praia. Enfim, hoje melhorou um pouco para sairmos de casa com um espírito mais positivo. (Parece que a troika também quer cortar no Verão para ficar mais barato. Enfim...)

 

Vamos lá tomar um café, numa esplanada, num sitio sossegado; se possível, em contacto com a natureza. Quem diz um café diz uma outra coisa qualquer, que nos saiba bem.

O café é aquela bebida que está na lista dos produtos indispensáveis à vida de muitos, da grande maioria. É o produto que é consumido em grandes quantidades e que em Portugal se traduz num grande costume. Por muito que se fale dos malefícios do café, na verdade, esta é uma bebida dos deuses, que me satisfaz e muito, quando é tirado com gosto, qualidade e simpatia (os mesmos requisitos quando sou eu a tirar o próprio café, lá em casa).

Uma forma de começar bem o dia, para despertar, terminar em grande o almoço ou o jantar, uma forma de fazer uma pausa ao meio de um dia de trabalho, um motivo para estar com alguém. Melhor melhor, quando tomado com tempo, enquanto saboreio a paisagem através da esplanada ou da montra do café. Enquanto bebo café, vivo um momento de satisfação, não só pelo produto em si, mas também pelo momento que este propicia.

Procuro os locais habituais em que sei que o café é tirado como eu gosto e em que a qualidade satisfaz o necessidade da cafeína. Não é por acaso que a imagem acima tem a marca Boundi - uma marca que aprecio, como também um bom Cristina ou mesmo um Sical. Não quero pôr em causa a qualidade das demais, mas gostos são gostos. Também bebo de outras marcas, porém se tiver oportunidade da escolha obviamente que opto pela que mais me satisfaz.

Meus caros leitores, também são apreciadores de um café/simbalino/bica/expresso? Existe preferência?

 

Bem... Está na hora de me decidir a tomar um café - afinal hoje ainda não tomei nenhum e depois deste artigo estou mesmo com vontade de beber um. 

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