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O meu umbigo é mais importante que o dos outros. Por isso, é mais importante o que acontece no meu umbigo, que no umbigo do meu vizinho. Somos assim. Coisas da raça humana. Estamos doridos do que aconteceu em Bruxelas - o coração da Europa -; é razão para estar. Ainda nos estavamos a recompor dos acontecimentos de Paris e fomos abalados. Ficamos com medo porque a Europa deixou de ser segura. Os terroristas viraram-se para nós - somos as vítimas. O jornal Expresso lançou um trabalho de pesquisa sobre o terrorismo que aconteceu por todo o mundo, desde o Verão de 2014 até aos acontecimentos dos últimos dias e concluiu que, no período de dois anos, morreram em média 10 pessoas por dia. Sim, 10. Cada vida é uma vida, mas se morreram 7000 civis em 190 ataques por todo o mundo devemos parar para pensar. A maior parte desconhece estes dados - eu desconhecia. Então há algo de estranho. Qual a diferença para a dor em toda a Europa, e mesmo no mundo, ser maior por Paris e Bruxelas do que por qualquer outra cidade do mundo em que morreram pessoas, muitos mais até? Istambul, Ancara, Costa do Marfim foram outros locais alvos de atentados neste mês de Março. Mereceram igual preocupação, igual manifestação de pesar, igual tratamento nas redes sociais e nos media? Pois... Não tivemos grandes notícias. Muitos dos atentados apenas representam pequenas peças e pequenos apontamentos nas notícias. Os Europeus - no qual me incluo - somos solidários mas para com os nossos. Os outros? São um mal menor. A Europa ainda é um local seguro. Acreditem, mesmo que ainda estejamos com dor pelos que morreram estes dias. É cruel dizer isto? Sim. Se somos tão bons a tomar as dores de revolta pelos nossos camaradas europeus, seria bom tomar as dores de todos os que são vítimas em qualquer parte do mundo. Só quando tivermos a noção de que se trata de um mal global seremos capazes de ter armas e fazer frente a esta gente. Ou será a Europa conivente com alguns dos atentados fora de portas?

Afinal, o meu umbigo não é mais importante que o do vizinho.

 

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Se, por vezes, partilhar a privacidade com um médico de família não é confortável, será confortável, para qualquer um, ter a mala de viagem revistada por um segurança do aeroporto? 

 

Até onde pode ir a minha liberdade e a minha privacidade, para, em nome da segurança, partilhar tudo aquilo que faço, com quem faço, de onde venho e para onde vou? Até onde uma autoridade se pode intrometer na minha vida particular, em nome da segurança do outro? Somos todos suspeitos perante o Estado e os demais? Em que circunstâncias e com que fundamento passamos de vítimas de atentados a suspeitos de terrorismo? - passamos a ser vigiados e revistados porque podemos ser mais um. São questões pertinentes que os Europeus têm de debater em nome da segurança de todos. Esta questão coloca-se quando acontece a desgraça, mas é esquecida quando se baixa a guarda dos atentados terroristas. Não pode. A luta contra o terrorismo não pode ser mero impulso das circunstâncias, mas um trabalho contínuo para se pensar em adianto e evitar mais ataques e mais vítimas. Mas, vou permitir estar sujeito às suspeitas que se podem criar porque tenho uma crença religiosa ou uma ideologia porque procuro um destino? Não posso andar livremente na rua sem estar sujeito às câmaras de vigilância que percorrem os meus passos e seguem o trajeto como se fosse um criminoso? Serei suspeito se um dia comprar um livro que fale de extremismo, só porque o tema é esse? Terei liberdade de partilhar a minha vida no facebook sem correr o risco do meu perfil ser revistado e analisado como que à procura de um indício de algo? Não seremos, por circunstâncias da sociedade, suficientemente expostos à mesma sociedade, quando desejo que ser mais resguardado em relação ao que partilho nas redes sociais? Com que objetivo? Os atentados acontecem à mesma. O terrorista está sempre à frente de tudo isto e a nossa segurança está tanto mais em risco quanto mais vigiados estamos. Eu quero estar na rua e em casa seguro, mas quero ser livre nos meus atos e nas minhas escolhas - cumprindo aquilo que as leis e regulamentos determinam. Se, por vezes, partilhar a privacidade com um médico de família não é confortável, será confortável, para qualquer um, ter a mala de viagem revistada por um segurança do aeroporto? Quando não temos nada a esconder não devemos ter constrangimento - uma autêntica falácia. Se fosse assim tão verdade andaríamos a partilhar por aí as nossas roupas íntimas, os nossos momentos reservados ou mesmo toda a nossa casa e todos os cantos onde guardamos algo que nos é pessoal. A sociedade só é livre se deixarmos a ideia do big Brother de lado. Caso contrário o mundo ocidental deixa de ser aquilo que nos distingue dos outros mais extremistas e que repudiamos.

 

 

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E AGORA?

por Manuel Joaquim Sousa, em 22.03.16

Já era de esperar o que aconteceu hoje em Bruxelas. Desde os atentados de Paris que Bruxelas estava sob ameaça. O que aconteceu desde esse momento? Quatro meses depois é que foi possível deter o cérebro – segundo se diz – dos atentados. Se Bruxelas era o alvo; se sabiam onde se localizam os bairros mais problemáticos; se desde os acontecimentos de Paris existiu uma ligação imediata a Bruxelas; como foi possível? Estaremos perante um caso de falha nas investigações? Terá a Bélgica baixado a guarda da sua segurança?

 

E agora? Qual o próximo passo?

 

Definitivamente que nos Europeus não se encontram seguros e acredito que qualquer país é vulnerável e não poderá ser mais seguro que o seu vizinho. Se com sucesso se ataca o coração da Europa, com igual sucesso se ataca outra cidade de outro país. A União Europeia é cada vez mais uma manta de retalhos, incapaz de fazer frente aos desafios globais. Com esta UE estamos longe de atingir a prosperidade, a segurança e o humanismo que deveria ser o objetivo da sua existência.

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PORQUE NÃO ADMIRA OS ATENTADOS DE BRUXELAS?

por Manuel Joaquim Sousa, em 22.03.16

Acabado de acordar, leio o e-mail do Expresso curto e há referência a mais um atentado na Europa, desta vez na Bélgica, em Bruxelas. Não se sabe ainda quantos morreram, não há muita informação. Estupefacto, mas ao mesmo tempo não estou assim tão admirado pelo sucedido. É de supor que tal poderia acontecer devido à operação de detenção do responsável pelos ataques de Paris - foi um ato de reação. A ser um ato de reação torna-se preocupante pela rapidez com que foi preparado e a facilidade na escolha dos alvos para a morte de civis. Preocupa muito que dada a operação de detenção do cabecilha de Paris, a polícia não tinha detetado mais informações que levassem à prevenção destas reações ou à neutralização de mais cérebros existentes na capital belga. Poderemos achar que as autoridades belgas não se encontram preparadas para coordenar esforços e evitar estes desastres? Acredita-se que não. Pelo que se sabe, desde os atentados de Paris que na Bélgica pouco se conseguiu para evitar e desmantelar redes de terrorismo - pouca coordenação policial. Acreditam os especialistas que há muita pólvora no bairros fechados de Bruxelas e aí o problema continua por resolver.

A Europa tem um problema em mãos: controlar a paz e permitir segurança aos seus cidadãos. O problema maior da segurança não está nos refugiados que fogem da guerra, mas naqueles que vivem dentro.

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