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NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO PÁRA/PARA TODOS

por Manuel Joaquim Sousa, em 17.05.15

No novo acordo ortográfico "pára" perdeu o acento e passou a ser "para". O "para" serve agora para duas coisas - destino, indicação, fim e parar. Há dias publiquei no meu blogue um artigo em que usei o "para", sem o acento, respeitando as novas regras, alguém não gostou e fez questão de mencionar a falta de acento ou simplesmente achou que foi um erro da minha parte - de facto sabia que estava a escrever de forma correta, embora o corretor do sapo assinalasse o erro. Infelizmente erros, por vezes, dou e quando me apercebo ou alguém corrige eu me penitencio por ter cometido tal gaffe - não desejo ser como o Jorge Jesus ou então bem que me crucifico. Nesta fase de transição do antigo para o novo acordo ortográfico sinto uma certa dificuldade em interiorizar as regras para bem escrever. Sinto a necessidade de recuar umas décadas e voltar a sentar no banco da sala de aula da primária e aprender novamente a escrever - um erro uma reguada ou uma fustigadela com a cana da professora e umas quantas cópias que a minha mãe me obrigava a fazer. Foi assim que aprendi a respeitar a língua portuguesa e a não dar erros - seja a falta de um acento, uma troca de "s" por "c" ou mesmo a falha de uma letra.
Os anos passaram e com outras preocupações e outras disciplinas o cuidado com o português foi descendo na prioridade. A porcaria dos telefones e dos SMS com os caracteres contados ou a rapidez de escrever um chat/mensagem para outra pessoa fez perder o cuidado com os acentos e o cuidado em escrever as palavras todas corretamente e sem abreviaturas malucas e o uso do "X". Agora para piorar as coisas tenho de me adaptar novamente a uma nova forma de escrever. Mudam algumas palavras com este acordo, não tanto quanto se possa pensar, mas muda. Alguns acentos ficam pelo caminho, o hífen perde-se em algumas palavras e as consoantes mudas foram para a reforma. As mudas por mim não me escandalizam assim tanto - "facto" continua a existir, embora não concorde que se escreva das duas maneiras para o mesmo significado. Quando descobri que "pára" era "para" fiquei chocado; por muito que o corretor do meu word me dissesse para corrigir eu ignorei, achei mesmo que aquilo era um bug, pior foi confrontar-me com os factos. O "hei-de" foi outra confusão na minha cabeça; cada vez que lia um texto e este aparecia sem hífen ficara furioso porque ninguém estava a escrever direito; depois, mais uma vez, a verdade foi dolorosa. O que ainda não me habituei foi ao "fim de semana" acho tão pobre se o hífen ou ao "verão" com inicial pequena. Que raio, se num ditado escrevesse a estação do ano em letra pequena era um erro. O que também ainda me faz muita confusão mesmo é "lêem" ser "leem" ou "vêem" ser "veem" - eu leio o acento porque o eliminaram?

 

Até me podem dizer que, se não gosto, posso continuar com o antigo acordo em vez de adotar este de 1990. Porém, a partir deste mês passou a ser obrigatório com a exceção dos escritores - não percebi em que contexto. Por muito que custe: vou ter de me habituar a esta nova forma de escrita. Não costumo ser contra as mudanças. A língua também evolui como aconteceu até aqui. Não sei se noutros tempos também havia tanta aversão à mudança - lembro-me de "pharmácia" ou do frigorifico "philco" lá de casa. Talvez seja mesmo uma questão de adaptação. Enquanto isso vou ouvindo aqui e ali alguns argumentos contra ou a favor desta revisão da nossa língua. Estaremos a ficar cada vez mais próximos do português brasileiro? Esse, mesmo com acordo parece-me muito diferente. Não temos que ter uma escrita igual ao português do Brasil, nem estes têm que se assemelhar a nós. Concordo com a diversidade da língua em cada país, independentemente dos objetivos económicos que estejam por detrás do acordo como dizem existir. Não será por utilizarmos um português mais brasileiro que os nossos autores serão lidos no lado de lá - o interesse em ler o autor português é o primeiro desafio para que seja lido por quem quer que seja, para isso existem tradutores.

"Oxigênio" e "oxigénio" estão ambas corretas, mas "oxigênio" faz-me muita confusão.

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DERROTA BRASILEIRA - CULPA DE QUEM?

por Manuel Joaquim Sousa, em 09.07.14

Nem sei em que pensar neste momento. Mas aconteceu. Foi duro. O Brasil sofreu uma dura goleada e está arrumado das finais do mundial em sua própria casa. Sofreram sete golos. Sete. Marcaram um. Goleada memorável na história dos mundiais, numas meias finais - são os comentadores que o dizem. 
 
Praticamente não escrevo sobre futebol porque estamos de costas voltadas. Não posso deixar de tecer um comentário - admiração - pelo jogo de hoje. Neste momento, penso que a seleção portuguesa fez um trabalho melhor - pelo menos não vieram para casa com uma derrota assim tão pesada. Vergonha. Apenas se pode pensar assim do Brasil. Vergonha. 
 
Culpa de quem? Os homens andaram jogo após jogo desalinhados. Vitórias sofridas, repletas de choro. Hoje desmoralizaram de uma forma impressionante a ponto de cada remate alemão se tornar, com grande probabilidade, em golo. O treinador jamais conseguiria ter capacidades para motivar os jogadores por muito que pedisse à Senhora do Caravagio. 

Dizem que o Brasil nunca mais será o mesmo o mesmo. O seu futebol ou melhor a seleção terá de entrar num estado de reflexão. Será? De que vale isso para ganhar jogos? Já estão perdidos.

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O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO – UMA RESOLUÇÃO PARA 2014

por Manuel Joaquim Sousa, em 04.01.14

A minha resolução para 2014 será colocar em prática o novo Acordo Ortográfico – que será definitivo para Maio de 2015. Eu sei que ainda falta um ano e meio, mas isto vai levar o seu tempo e como tal necessito de tempo.

Este texto está a ser escrito de acordo com as novas regras, por isso, espero não estar a falhar em nenhuma – confiante que o word as conhece a todas e que me alertará com o risco vermelho quando algum erro surgir. Na realidade, há muito que o word me vem assinalando as palavras que escrevo com o antigo acordo e eu lá vou substituir, tal a minha resistência à mudança e fazendo justiça ao que me foi ensinado na escola primária. Porém, a minha birra pouco fará sentido quando todos mudarem e eu terei de mudar, a fim de não ser o “Velho do Restelo” da escrita, que passará a ser antiga.

Admito que poderei passar por um processo de adaptação (adaptação continua com o p) complicado e que alguns erros poderão ser cometidos na escrita dos textos – se por vezes, me autoflagelava quando me identificavam um erro, agora muito mais com alguma confusão que possa fazer com o antigo e novo acordo – pior será quando escrever à mão e não tiver um word para assinalar a vermelho cada erro que eu possa cometer (neste texto, apenas foi assinalado o corretor (antes era corrector?) na palavra inglesa word, que bom começo).

Poderei continuar a escrever da maneira que eu pretender e em espaços pessoais como no facebook e no meu blogue, mas será difícil conciliar dois modelos de escrita entre o pessoal e o profissional.

A língua tem a sua evolução e esta é mais uma. Acredito que todas as evoluções foram sempre muito difíceis de se concretizar e tenham gerado as suas dúvidas e manifestos entre os mais entendidos na língua (coisa que eu não sou); porém, cá estamos todos numa nova fase de mudança da língua. Eu tenho poucos argumentos que possam fundamentar a continuidade do acordo que agora será velho (perdoem-me a ignorância), prefiro deixar essa matéria para quem entende das alterações – admito que de parte a parte existam argumentos válidos, por isso é que existem estas dúvidas. Por vezes, ouço o argumento de que se deve ao Brasil e, por causa deles, estamos a mudar – prefiro esquecer esse argumento para nem pensar que nos estamos a inferiorizar a quem quer que seja.

Meus caros, pior que estas alterações à língua (que entendo como evolução) é a forma como se escreve atualmente (antes actualmente),  sobretudo os mais jovens, em linguagem em SMS, onde o K serve para colocar em todo lado como se fizesse algum sentido – já para não falar noutros erros muito maus. Em bom nome da língua portuguesa é importante que este tipo de linguagem seja eliminado.

Acredito que algumas das alterações não sejam assim tão radicais como se diz e, no fundo, grande parte das palavras se mantenham como sempre, sem grandes alterações.

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O IMPÉRIO DAS LUVAS

por Manuel Joaquim Sousa, em 25.06.13


Deveriam os protestos ser mais radicais em Portugal, que vive numa situação delicada e a depender de uma intervenção externa? Comparo: Entre um país com poucas oportunidades e esmagado pela crise e outro cheio de oportunidades e esmagado pela corrupção é a mesma coisa que alguém lutar por encontrar uma nota de 50 Euros no chão, quando ela não existe, e alguém procurar por uma nota de 50 Euros, que sabe que está no chão e que alguém terá calcado para esconder.

Há um oceano que separa Portugal do Brasil, mas é apenas um oceano porque há muito mais o que aproxima estes dois países e isso revela-se cada vez mais – as revoltas diárias que a actualidade jornalística nos faz chegar são uma prova disso mesmo.

O povo brasileiro é conhecido pela sua calma em relação às injustiças, por ser um povo mais festivo e preocupado com a vida presente que com o dia de amanhã; porém, está a “ferro e fogo”, há quase um mês, e as ondas de indignação são constantes – sinal de que existe muita revolta acumulada e em ebulição muito controlada. As 300 mil pessoas no Rio de Janeiro e as 50 mil por dia em São Paulo não foi apenas pelo aumento das tarifas do “ónibus”, de 3 para 3,20 Reais, este foi o pretexto, o motivo, por todas as consequências que se seguiram.

O Governo de Dilma Rousseff está numa situação delicada e, desde o início, teria perfeita noção que não teria uma legislatura fácil e o seu carisma estaria muito distante do seu antecessor, Lula da Silva – embora este lhe desse o seu apoio na campanha. A grande dificuldade de Dilma terá sido a demora em perceber a dimensão dos primeiros protestos e os motivos que estariam para além das tarifas e agora tem dificuldade em controlar os manifestantes – estão contra si, mas estão mais contra outros porque sabem que Dilma terá muita dificuldade em controlar um país governado de alto a baixo por Coronéis (por vezes, a realidade de Gabriela Cravo e Canela ainda perdura de uma forma moderna e encoberta).

É certo que, nos últimos anos, milhões de pessoas saíram da pobreza extrema e o Brasil tornou-se em terra de oportunidade, até mesmo para os estrangeiros. Porém, essa pobreza foi diminuída por programas sociais criados por governos de Lula, mas mantido por uma série de políticos corruptos que foi desviando para proveito próprio muito do dinheiro dos impostos dos contribuintes. Hoje, os brasileiros de classe média continuam a subsidiar, não a ajudar directamente os pobres, mas o império das luvas, que divide em partes muito diferentes aquilo que será entregue à classe condenada à dependência de subsídios por falta de oportunidades ou vontade própria.

É compreensível a revolta dos brasileiros e a indiferença dos políticos. O Brasil alimenta o império das luvas, não julga o Homem que as calça e entrega-se ao “forró” do Mundial e dos Jogos Olímpicos – outro sorvedouro de dinheiros públicos e outro alimento das luvas (os custos destas grandes obras já está quatro vezes acima do orçamentado).

Deveriam os protestos ser mais radicais em Portugal, que vive numa situação delicada e a depender de uma intervenção externa? Comparo: Entre um país com poucas oportunidades e esmagado pela crise e outro cheio de oportunidades e esmagado pela corrupção é a mesma coisa que alguém lutar por encontrar uma nota de 50 Euros no chão, quando ela não existe, e alguém procurar por uma nota de 50 Euros, que sabe que está no chão e que alguém terá calcado para esconder.

Para além do aumento das tarifas, os brasileiros lutam por um país mais seguro; justo; com uma política e uma justiça que seja isenta das luvas; luta por uma escola pública com mais condições; mais vagas no ensino superior; melhor qualidade da rede de transportes públicos – sempre a abarrotar -, já que pagam por um serviço com qualidade; estradas com mais condições – sem buracos e circuláveis -, tendo em conta que pagam portagens por estradas boas; mão-de-obra qualificada em sectores como a construção; aumento do número de transportadoras aéreas para que se possam deslocar a custos mais baixos num país de grandes dimensões; melhoria das condições da saúde pública. Poderia continuar a enumerar necessidades que o Brasil tem e que seriam prioridades às infra-estruturas para o Mundial e Jogos Olímpicos – que a ser como em Portugal com o Euro 2004, sabemos que deixaram de ser úteis e continuam a ser pagas pelo erário público.

O Brasil vive com um cancro doloroso que terá uma cura demorada porque existe ainda dos tempos da ditadura. O tratamento só será possível com uma sociedade mais informada, atenta e aberta, em que o seu desagrado não seja apenas motivado pelos aumentos de tarifas de “ónibus”; o combate às luvas da corrupção tem de começar na de pequena dimensão e na que está à frente dos seus olhos.

Manuel Joaquim Sousa

Artigo recomendado do Público; http://www.publico.pt/mundo/noticia/dilma-propoe-referendo-sobre-reforma-politica-1598295#/0 


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UNIÃO POLIAFECTIVA - O AMOR SEM LIMITES

por Manuel Joaquim Sousa, em 30.08.12

As sociedades estão cada vez mais evoluídas e cada vez mais complexas. Primeiro era o Adão e Eva que se casaram e do qual tiveram Caim e Abel – assim se consagrou o conceito tradicional de família.
Com o passar dos séculos, este conceito tradicional defendido pela Lei e com forte peso na religião teve de evoluir para as novas situações que se impunham (ainda que escandalosas). Adão e Eva, já com dois filhos, não se entendiam e separaram-se - quebram o conceito tradicional de família. Adão fica com a guarda de Caim (que era o mais malandro) e mete-se noutra relação, enquanto Eva fica com Abel e vive sozinha – temos novos conceitos: o de família monoparental de Eva e uma outra segunda família, de uma segunda relação no caso de Adão (que já durava há vários anos, ainda durante o casamento).
Adão e Eva são namorados e, depois de muito fornicarem, nasce o Abel. Neste cenário temos duas situações: a relação perdura - há o conceito de família sem casamento, mas que tem traços do modelo tradicional; Adão sai da relação de fininho e Eva fica mãe solteira – família monoparental.
Adão e Eva até tinham uma queda um pelo outro, mas descobriram que tinham gostos alternativos: Adão apaixonou-se por outro homem e Eva por outra mulher – o conceito de família deixou de ser o tradicional relacionamento entre pessoas de sexo oposto e passou a incluir pessoas do mesmo sexo. Neste contexto de família existe já a necessidade de se legislar a adoção, já que não existe reprodução – criam-se novos modelos de família já completamente diferentes de um conceito tradicional.

(Alternando as personagens para não ficarem confusos).

Otelo Saraiva de Carvalho acende a polémica e admiração num país conservador – assume bigamia. Durante a semana tem relação com uma mulher e ao fim-de-semana tem relação com outra mulher (Por lei não é permitido que exista, mas como não é casado com nenhuma não comete qualquer tipo de infração) – estamos perante um outro conceito de família perfeitamente aceitável, certo?

Agora chegam notícias do Brasil em que foi permitido legalmente o casamento a três (duas mulheres e um homem) – um modelo mais simples que o de Otelo (ao menos fica tudo em casa). Estamos perante um novo conceito de família que a lei, pelo menos no Brasil não proíbe por ter uma lacuna. Agora pergunto: Qual a revolta por isto? Se já viviam há 3 anos a partilhar casa, despesas e entre muitas outras coisas (que não vou referir).

A sociedade é complicada, desvirtua os modelos originais sei lá criados por quem; mas quem pode, por força moral, impedir que sejam felizes?

 

União entre três pessoas foi oficializada no Brasil - Público

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Por: Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

Lula da Silva foi um grande presidente e isso é uma grande lição para outros países, que tentam o crescimento económico e o desenvolvimento sem que exista preocupação com um modelo social. O crescimento só é sustentável se existir preocupação com as sociedades.
Miguel Sousa Tavares escreve que a política no Brasil é difícil, é um facto, dada a dimensão do país e o sistema político bastante complexo quando comparado com Portugal. É certo que Lula teve de negociar com Deus e com o Diabo, mas, parece que foi uma excelente receita, com resultados que saltam à vista, apesar de não se conseguir, mesmo assim, agradar a gregos e a troianos. Porém, terá sido o único remédio para que existisse um rumo viável para o país, que vivia sob fortes dificuldades e atrasos elementares. Em Portugal, poderá ser necessário negociar à esquerda e à direita, sem excepção, se estiverem todos com a intenção de criar uma solução que tire o país foço imundo em que nos encontramos mergulhados.


É verdade que o Brasil tem tudo o que necessita para ser um país rico, aliás, já o é. Quando Deus distribuiu a semente, uma leve brisa levou-as para o lado de lá do Atlântico. Por cá ficou pouca coisa, mas, não significa que sejamos uns tristes condenados à pobreza. Se calhar, o Brasil não deveria ser independente, mas, manter-se como colónia Portuguesa para também podermos beneficiar dessa riqueza imensa que por lá existe. Porém, a nossa política de colonização não terá sido a melhor, em termos humanos, um passado que não trouxe grandes frutos e que não nos ilibam de responsabilidades. Por isso, nada de lamentar que a independência lhes tenha sido dada, em 1822.

Tendo o Brasil como comparação, podemos olhar para o nosso próprio umbigo de forma a descobrir os defeitos e procurar as soluções. Portugal é um país pobre? Não ou não deveria ser, ainda que não tenha algumas riquezas do velho irmão. Não podemos lamentar o que os outros têm e nós não temos. Temos é de fazer valer tudo o que temos para que se faça cumprir Portugal.
O nosso território é de facto pequeno, mas também somos menos milhões e isso torna mais fácil de administrar. Temos uma vasta costa para explorar as praias e uma grande zona económica que não se encontra a ser explorada devidamente. Foram distribuídos subsídios para abater embarcações e para o abandono da pesca. Temos serras, que representam um património natural riquíssimo para exploração turística, dentro de padrões sustentáveis para a preservação ambiental e das serras também se podem tirar grandes dividendos económicos. No entanto, está ao abandono e só nos lembramos no Verão, na época de fogos que as florestas existem porque se têm de atacar os incêndios florestais, o que é uma penosa factura ambiental e económica que anualmente se tem de pagar. Temos muitos terrenos para cultivo de alimentos, sobretudo os que mais necessitamos, de forma a deixarmos de importar o que podemos cultivar e passar a exportar o que outros países não podem ou não conseguem cultivar. Pena que muitos terrenos tenham ficado ao abandono por falta de gente no interior e porque em tempos se pagaram subsídios para que se deixasse de cultivar os campos. Não temos grandes rios para grandes barragens, petróleo ou metais preciosos em quantidade. Temos uma mão-de-obra para a industria, mas que não formamos de forma conveniente e agora se encontra desempregada porque os governos ajudaram empresas a instalarem-se e depois deixou que se deslocalizassem para outros países onde a mão-de-obra é mais barata, mas sem dúvida menos eficiente e com menos qualidade. Temos dificuldades em manter um tecido empresarial com capacidade de se lançar em novos negócios, de forma a absorver grande parte do desemprego e produzir para o consumo interno e para exportação porque a produção nacional é de qualidade. Temos tudo o que é necessário para melhorar e aumentar o sector do turismo. Somos um país muito centrado nos serviços, mas estes não são a solução de todos os males. Temos artistas, escritores e cantores; História, património histórico e uma vasta cultura, que, infelizmente, é desvalorizada e onde se investe o mínimo, quando a cultura pode ser um grande contributo para criação de riqueza material e imaterial, desde que bem rentabilizada. Existem países que se valem da cultura para crescer e desenvolver. Porque não podemos utilizar esse bom exemplo?

Lula chegou ao poder de um país com milhões de pobres e sem classe média. Para Miguel Sousa Tavares é mais fácil no Brasil se conseguir um crescimento porque lá não existia nada do que em Portugal onde que já existem infra-estruturas criadas. Partir do nada é mais fácil? Não sei até que ponto. Se muito do trabalho já se encontra efectuado, muito mais fácil seria crescer com a aplicação dos fundos, que em tempos recebemos, no desenvolvimento e a favor do tecido produtivo. É necessário fixar em Portugal os génios que saem das universidades para o exterior e contribuir que estes sejam um rosto de mudança do nosso país. Porém, os que cá ficam são os políticos que apenas apertam o cinto às classes mais desfavorecidas para que os lóbis e os «jobs for de boys» se mantenham à custa de um Estado obeso e em coma diabético.
Este país tem o que necessita para crescer. Para isso, tem de existir trabalho e é necessário recompensar justamente quem trabalha e combate os parasitas que servem para esmaga-nos com um Estado obeso.


Sou defensor de um Estado Social forte, tecido empresarial empreendedor e valorização por quem faz alguma coisa, pouco ou muito, mas que se preocupa com o rumo de Portugal.
O que fez de Lula um exemplo de governação, num país de virtudes e defeitos, foi a capacidade de pensar no Brasil de amanhã, do próximo ano e das próximas gerações. Nós, os lusos, na generalidade, pensamos no agora e o amanhã se verá depois. Para dirigir um país não é necessário uma licenciatura, é necessária uma visão do futuro e essa visão Lula da Silva tinha e era um operário.

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