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ESTE PAPA NÃO É DE TODOS!

por Manuel Joaquim Sousa, em 12.05.17

A esta hora o Papa Francisco - o peregrino - já chegou à Base de Monte Real, para uma curta visita a Portugal, neste centenário das aparições de Fátima. No país não se fala noutra coisa. Há claramente razões para isso. Porquê? Francisco não é um Papa qualquer. É acima de tudo um homem que nunca deixou de pertencer ao povo e que gosta de estar com o povo – um Papa de afetos.
Afetos é aquilo que as pessoas mais precisam neste mundo atual. As pessoas – crentes e não crentes – desejam ouvir falar de afeto, amor, paz, concórdia, respeito e fé; as pessoas não querem que lhes falem em grandes verdades teológicas e outras coisas complexas que não entendem e que não têm qualquer sentido prático para as suas vidas – as pessoas precisam de algo emocional e adequado às suas vidas. Francisco tem essa capacidade – falar para os humildes e ser entendido. Nestes tempos, as verdades teológicas escritas merecem o seu debate, a sua reflexão; no entanto, as pessoas precisam muito mais de “verdades” sociais, humanistas para cumprir nas suas 24h do dia. Afinal, o sentido da religião é a ligação do transcendente com o quotidiano das pessoas. Cada coisa em seu lugar. Quem vai a Fátima não vai à procura de grandes verdades da fé – caso contrário não ia -, mas vai à procura de proteção para si, para a família, vai na busca de encontrar a solução para os problemas com que se confronta no dia-a-dia ou até mesmo em simples agradecimento. Quem vai a Fátima procura reconhecimento e um lugar no seio de uma Mãe, que acreditam estar lá para acolher todos os seus filhos; não procura perceber em que escala hierárquica Ela deve ser colocada na Teologia e qual o tipo de veneração se deve fazer.
Francisco percebe que a Igreja tem de falar da Terra, dos vivos, daqueles que são explorados e calcados pelos poderes – os verdadeiros demónios do nosso tempo. Os crentes ouvem-no, compreendem-no e por isso correm atrás de si. A Instituição – excluído aquela que trabalha na obra social – fala do céu, do pecado quando as realidades da vida terrena são duras.
Este é o Papa do povo – ele sorri apenas quando está entre o povo - e não das tristes elites que habitam no interior das paredes dos templos majestosos.


“Ai que riquinho” dizem as pessoas ao meu lado, que acompanham pela televisão cada passo. As pessoas precisam de amor, que é tão imenso, mas infelizmente escasso.

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O ORGASMO - ANDAMOS AQUI POR SUA CULPA!

por Manuel Joaquim Sousa, em 31.07.14

O orgasmo. Andamos neste mundo por causa dele - o orgasmo. Um dia, com um grupo de colegas lá da escola, ainda no oitavo ano, liguei para uma linha de apoio especializada em educação sexual ou coisa parecida para questionar o que era o orgasmo. O tempo de espera pelo atendimento da chamada foi mais demorado que o tempo da pronta resposta. Tal como o orgasmo antes de ser atingido, em que há todo um tempo de preparação, assim esperei ansiosamente que me atendessem com a vergonha em fazer tal pergunta. Mas, como homem corajoso na plenitude da adolescência, questionei com objetividade: o que é o orgasmo?

Sabemos bem que estamos cá por sua causa; mas o tabu em falar abertamente dele como falamos de política, novelas ou futebol faz de si um assunto em que se fala com reserva, só com aqueles que privam connosco e corados pela vergonha.

Vejam só: Corar de vergonha pelo ato mais comum que pode existir entre casais, namorados, amigos coloridos e até entre profissionais do sexo. Ato comum porque será sempre impossível de calcular quantos orgasmos estão a acontecer neste preciso momento e  em cada segundo de cada hora e de cada dia. O orgasmo acaba por ser uma corrente humana que se espalha pelo mundo de forma mais rápida que um vírus. Se fosse um vírus, era aquele que todos gostariam de se contaminar.

É impensável que nos dias de hoje exista tanto tabu. Quanto mais acesso e liberdade temos mais tabu existe. É um contrassenso. Vejamos pela série Spartacus o que era há uns milénios de civilização. Vejam como era no tempo dos romanos em que o sexo se misturava em qualquer cena da vida comum de forma aberta, pelos palácios, casas de alterne e outros sítios de gozo e lazer.

Voltando ao oitavo ano, altura em que vi o filme inspirado no livro de Humberto Eco, "O Nome da Rosa", mais uma vez o orgasmo faz parte da História ou história amorosa entre um jovem monge e uma rapariga que aparecia lá na abadia para roubar comida. De lembrar que, nesse tempo já a Igreja contaminava as mentes dos crentes com o medo do pecado pelo sexo e pelo orgasmo e até pela masturbação. O mesmo se passou noutras crenças, embora pouco se fala pelo seu pouco peso na sociedade. O que é certo, é que nem esses pregadores eram capazes de resistir ao prazer máximo do sexo de forma continuada e com o conhecimento do povo.

A Igreja, ainda presa ao passado, viverá sempre seduzida pelo orgasmo. A única voz lúcida e publica, escrita e divulgada sobre o assunto sem tabus e de forma coerente e moderna foi de Bento XVI, na sua primeira encíclica "Deus Carita est" - afinal dá razão a Nietzsche, sobre a contaminação que a Igreja fez do amor. Assim Bento XVI conclui que o amor depende do sexo e o orgasmo é a parte final e fundamental para a consumação do ato e do prazer.

Muito poderia falar do orgasmo. Basta investigar, ler e perceber mitologia. O orgasmo foi e sempre será parte importante da história da Humanidade. Sem ele a existência do Homem está condenada.

Voltando à minha história do oitavo ano - passado este tempo já estava a ser atendido por uma senhora -; mantive o peito firme e a coragem para questionar o que era o orgasmo. A resposta foi - de forma sensual: o orgasmo é o momento de maior prazer que um homem e uma mulher podem ter numa relação sexual. O dito clímax.

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O ENCONTRO NA ESTAÇÃO DE COMBOIO: O AMOR VIVE DA SAUDADE.

por Manuel Joaquim Sousa, em 15.02.14

Caminha em passo acelerado pela rua fora com uma determinação que ninguém lhe tira, nem os buracos do passeio a fazem tropeçar como às outras pessoas, nem as pessoas que caminham em sentido contrário lhe travam a rota que mentalmente traçou para si com o objetivo de chegar a um lugar; continua a andar em passo decidido e quando alguém caminha mais à frente, em passo mais lento, desce para o alcatrão e acelera para voltar a subir para o passeio e continuar o seu caminho. Já caminha há longos minutos, por uma cidade apinhada de gente e onde o barulho dos carros, dos autocarros, das ambulâncias jamais são capazes de tirar do seu momento de concentração. Chega a um largo, onde os automóveis fazem fila num para e arranca constante, os táxis chegam e partem a toda a hora e os autocarros são contantes a trazer e a levar pessoas, como se tratassem de mercadorias. Num largo tão movimentado apenas há um pequeno espaço, no passeio, com uns bancos onde se encontram os velhos reformados do costume que passam o seu tempo a admirar toda aquela corria de pessoas que entram e saem daquela estação de comboios. Sim, a mulher caminha em direção à estação de comboios, era aqui que queria chegar neste seu andamento tão apressado.
Passa a entrada principal da estação e olha de frente para o painel dos horários de partidas e chegadas, olha para o seu relógio porque o velho relógio da estação parece ter parado no tempo e só está certo duas vezes ao dia, de seguida olha para as linhas e: não está nenhum comboio – chegou a tempo. Caminha novamente em passo mais lento, chega até ao pé da linha e senta-se num banco à espera, não sabemos do quê - também nós temos de aguardar para perceber qual o motivo desta espera.
O tempo vai passando e a cada minuto mais pessoas vão chegando ao mesmo sítio e ficam na mesma espera. Falta um minuto para as oito da noite e lá ao fundo vem um comboio, ela levanta-se num ápice e acompanha com o seu olhar a sua chegada, sente-se a sua inquietação e um certo estado de ansiedade, como se o coração saltasse por dentro. O comboio chega, abranda o seu ritmo até parar e rapidamente se abrem as portas.

Horas antes, numa outra estação, num outro lado do país, um jovem  está sentado num banco com uma mochila a seus pés; está calmo, com uma aparência tranquila olhando para a linha de comboio e acompanhando com o seu olhar até ao horizonte e a perdê-la de vista. Ao seu lado está um homem com alguma idade, denunciada pelos cabelos brancos, que lê o seu jornal de forma descontraída como se nada passasse à sua volta – de facto nada se passa. O local é calmo, poucas pessoas ali permanecem naquela estação. Entretanto, no sentido oposto, ouve-se um barulho de um comboio que se aproxima e para diante daqueles dois que estão no banco. O jovem e o outro homem levantam-se e entram no comboio. A tarde ainda está a começar e para o jovem há longas horas de viagem pela frente e muitas paragens em vários apeadeiros. O comboio arranca e segue a sua viagem com passagem por diversas terras, lugares cheios de gente e outros em que não se vê viva alma, atravessa por campos, rios e uma série de sítios que a voz do comboio vai mencionando a cada aproximação de paragem e em cada paragem, mas, o jovem deixa de aperceber por onde passa porque fecha os olhos e faz grande parte do trajeto a dormir com os phones nos ouvidos, a ouvir uma música qualquer. Entretanto acorda e repara que já passou algum tempo porque o sol já está a desparecer no horizonte; olha para o relógio e repara que falta pouco para a chegada; movimenta-se no banco para ajeitar as costas e nota-se que a sua tranquilidade vacilou um pouco e um ar de ansiedade está patente no seu rosto. Ao fundo da carruagem está o revisor que vem na sua direção. Boa tarde, o seu bilhete, por favor, há pouco não o quis acordar. O jovem sorriu, agradeceu, meteu a mão ao bolso e tirou o bilhete para o revisor picar. Obrigado – disseram em coro. O revisor lá foi, até à outra carruagem.
A noite já caiu, o destino está muito próximo, já se vê as luzes da cidade lá ao fundo. O jovem fica ansioso, nota-se que agora acordou mesmo. A voz anuncia a chegada da última estação e todos se preparam para sair. Chega o comboio ao destino, numa estação cheia de gente à espera daquele comboio. O jovem pega na sua mochila e ansiosamente espera que a porta abra, que o comboio pare – estes últimos momentos parece que nunca mais terminam. As portas abrem e todos saem.

A mulher vê tanta gente a sair, estica-se em bicos de pés, para encontrar alguém. No meio das pessoas estava um rapaz a fazer a mesma coisa. De repente, os olhares do jovem e da mulher cruzam-se e fixam-se por momentos, segundos, que se tornam uma eternidade, e sente-se a passagem de uma corrente entre os dois, que ambos caminham na direção um do outro como se entre eles não existisse mais ninguém. Chegam ao pé um do outro e abraçam-se intensamente, beijam-se com uma vontade tão grande como se esse estivesse guardado há tanto tempo, para este momento e encontro deste jovens namorados, na estação de comboio. Entre beijos sucessivos curtos e longos, nota-se um crescente alívio da ansiedade que ambos estavam a sentir com a chegada à estação; as suas faces unidas pelos lábios esboçam um grande sorriso e uma grande ternura entre os dois - não há palavras que o consigam descrever este momento e este sentimento que os une, imaginem e sintam.
O mesmo homem de cabelos brancos que estava na paragem, no mesmo banco que o jovem, a ler o jornal é a única pessoa que está a ver este momento e a aprecia-lo com uma grande admiração e um sorriso de saudade como se em outros tempos também tivesse vivido um momento assim. Todas as outras pessoas estavam apressadas demais para reparar neste momento – acham isto muito vulgar. Aquele momento entre os jovens durou ainda algum tempo, tanto tempo que o comboio partiu novamente para trás, para outra viagem e, com a sua ida, aquela linha estava a ficar despida de gente, a ponto de ficarem poucas pessoas para além dos três. O homem de cabelos brancos que apreciava tudo aquilo estava novamente sentado com o jornal na mão, desta vez com ele dobrado, pois ainda estava contagiado pela cena. No momento em que os jovens param de beijar e começam a dizer as primeiras palavras, o homem de cabelos brancos começa a falar: Agora percebo a sua ansiedade meu jovem; quem não estaria ansioso sabendo que iria viver um momento tão intenso como este; recordem sempre deste momento para o resto das vossas vidas, pois será este que vos fará sentir bem, mesmo naqueles dias em que tudo corre mal e andamos caídos; este momento faz ressuscitar muita coisa na relação de duas pessoas e na vida de cada um; o amor é coisa rara nos dias que correm, mas onde existe manifesta-se de uma maneira tão pura e tão simples. Os jovens coraram, mas não esconderam um sorriso de aprovação meio desajeitado. Perguntou o jovem: o senhor estava comigo na outra paragem a ler o jornal e aqui está sentado novamente a ler o jornal, o que espera? O homem, voltou o rosto para o horizonte, sorriu, ficou em silêncio uns instantes e com umas lágrimas escondidas disse: há anos que espero em muitas estações deste país por alguém que julgo não vir mais; aquilo que vocês vivem hoje, vivia eu na minha juventude, esperava três vezes por ano pelo comboio que trazia a mulher da minha vida, mas um dia esse comboio teve um acidente muito grave, morreram todos, e eu perdi-a para sempre; quanta amargura e saudade desde esses tempos; hoje o comboio traz a saudade para que eu ainda consiga viver, pois dela me alimento; o amor vive da saudade.



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O MEU EX-NAMORADO É PAPA

por Manuel Joaquim Sousa, em 16.03.13

Ainda o Papa está a aquecer o seu lugar como Sumo Pontífice e já se procura investigar a seu passado, para que todos conheçam os seus passos desde que nasceu até aos dias de hoje - assim acontece em cada momento que alguém é eleito para um lugar de destaque; todo o passado é remexido e sacudido até que dele se tire alguma história ou episódio que possa marcar e suscitar o interesse - se existem biografias que demoram meses e anos a serem construídas, outras demoram minutos ou horas.

Descobriu-se que o Papa Francisco teve uma paixão por Amália, quando tinha 12 ou 13 anos, a quem pediu em casamento, mas que terminou quando se entregou ao sacerdócio. Esta descoberta motivou a corrida dos jornalistas atrás da dita amada, para mais umas palavras ou umas declarações - seria na tentativa de descobrir algo ou por ser insólito? Como se sentirá aquela mulher ao pensar que o seu ex-namorado, com quem se calhar terá sonhado casar, é o Sumo Pontífice da Igreja Católica?

Voltas e voltas dá a vida; os amores de uma juventude marcam a vida dos Homens, para todo o sempre, e podem ser lembrados anos e anos mais tarde, para o bem e para o mal.


Fará alguma diferença no pensamento de um Papa ter tido uma paixão, ainda que nos tempos conturbados que são a adolescência?


Segue um pequeno trecho, escrito pelo Papa Emérito Bento XVI, na sua primeira CARTA ENCÍCLICA DEUS CARITAS EST :

Segundo Friedrich Nietzsche, o cristianismo teria dado veneno a beber ao eros (amor), que, embora não tivesse morrido, daí teria recebido o impulso para degenerar em vício. Este filósofo alemão exprimia assim uma sensação muito generalizada: com os seus mandamentos e proibições, a Igreja não nos torna porventura amarga a coisa mais bela da vida? Porventura não assinala ela proibições precisamente onde a alegria, preparada para nós pelo Criador, nos oferece uma felicidade que nos faz pressentir algo do Divino?

Voltando ao assunto da crónica, faria todo sentido que na Igreja existisse uma sensibilidade diferente sobre a forma como as pessoas se amam; mas, para que exista sensibilidade seria necessário que, aqueles que decidem e escrevem a doutrina, sentissem o que realmente é o amor em todas as suas vertentes, mesmo que apenas fosse uma paixão passageira.



 

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IVO E HÉLDER - O CASAMENTO. SÃO MOMENTOS DE MUDANÇA

por Manuel Joaquim Sousa, em 05.11.12

 

(Fonte de imagem da Página do Facebook de Momentos de Mudança)

 

Portugal é um país de brandos costumes, muito ligado às tradições e conservador nos seus princípios, mas evoluído na forma como deseja tratar a dignidade das pessoas em alguns desses princípios. Portugal, é um dos poucos países no mundo que permite o casamento de pessoas do mesmo sexo perante a lei e a Republica Portuguesa.

Com isto, não significa que se viva num “mar de rosas” de uma sociedade desenvolvida e com uma mentalidade aberta, mas a abertura para novas forma de casamento ou organização familiar começa a ser encarada como uma normalidade – ainda bem que assim é.

Escrevo estas palavras momentos após ter assistido à reportagem de “Momentos de Mudança”, na SIC (que não perco desde o início), que, de forma simples, retrata o dia-a-dia de um casal homossexual – Ivo e Hélder. Foi importante esta desmistificação em torno da vida de um casal como este. Têm uma vida normal, de luta, com os seus empregos, dificuldades económicas, sonhos e projetos. É notável e louvável a coragem deste casal ao expor publicamente a sua vida pessoal, numa sociedade que na realidade ainda vive mergulhada em preconceitos, conscientes dos riscos que infelizmente correm (foram convidados a sair do rancho folclórico que frequentavam).

Interessante também saber que existem famílias que enfrentaram qualquer preconceito da sociedade e apoiaram os seus, estando presentes na cerimónia do casamento, preparado de forma simples e humilde.

Outra mensagem importante, não só para a sociedade, mas também para instituições de moral e fé como a Igreja Católica - que se encontra fechada à evolução das mentalidades e, por causa da recusa do amor de pessoas do mesmo sexo, vê perder fieis que durante muito tempo dedicaram a sua vida às obras da Igreja e à fé. Este jovem casal afastou-se da Igreja, mas não da fé e a prova está no momento de partilha, com a equipa de reportagem e agora com os espetadores, de um dos momentos mais emocionantes e importantes para eles, em Fátima. Uma outra crente que se apercebeu que Ivo e Hélder se casaram recentemente foi ao pé deles desejar felicidades – significa que no seio de muitos crentes existe aceitação, a mesma que a Igreja não aceita. Por vezes, confunde-se quem é dono da moral e das doutrinas e o desfasamento entre instituições e crentes provocam rotura, afastamento e desejos de fé em sentidos opostos.

Esta era uma reportagem que faltava sobre o tema - apesar de muito já se ter falado sobre ele. Estivemos perante um testemunho íntimo, despreocupado, real e que constituiu uma verdadeira lição de moral e de vida para todos os que assistiram. Resta deixar felicidades a este casal e uma vida cheia de conquistas pessoais.

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Há coisas que não entendo – será mesquinhez minha? Porquê?

Adriana xavier, a jovem que encantou muitos portugueses, um rosto da manifestação de 15 de Setembro, abraçou um Agente da polícia de choque, como ato de amor numa luta que é de todos. Um gesto intencional, calculado por desconhecer a reação do Agente, mas um gesto belo.

Mas na manifestação outras histórias românticas surgiram e deram que falar. Um jovem, de nome Ricardo, apaixonou-se pela Diana e andou desesperadamente à procura dela para confessar o seu amor e paixão. A história comoveu o coração de muitos portugueses e motivou reportagens e trabalhos jornalísticos - as emoções estavam ao rubro nesta insólita história. Pelos vistos, esta paixão não passou de uma campanha de marketing da Cacharel…

Imaginem como se sentem as pessoas que até no Facebook manifestaram o apoio ao jovem Ricardo, para encontrar a sua paixão, e agora o insultam por terem sido enganadas. O exagero da história é ter-se criado um Movimento  Anti-Cacharel Portugal, no Facebook. Santo Deus! Querem ver que ainda se vai fazer uma nova manifestação popular, para contestar a campanha publicitária?
 

Pus-me a pensar. Se eu na mais profunda sentimentalidade e com o meu coração partido de comoção por esta insólita história de amor fosse ao Facebook expressar apoio, força, coragem ao Ricardo, para encontrar a Diana, e depois descobrisse que tudo era uma invenção como me sentiria? O que pensaria? Continuaria comovido com a história de amor e acreditaria que, independentemente da campanha, existia ali muita emoção e que o Ricardo necessitaria de concretizar o seu desejo NEM QUE FOSSE À FORÇA PORQUE ENGANOU-ME.
 

Bem… uma história de amor que mais uma vez acaba em tragédia. Não há história de amor que termine em felicidade? E se o Ricardo se apaixonar verdadeiramente pela Diana alguém vai acreditar? Já imaginaram no terrível sofrimento que daí pode vir?

A culpa de tudo isto é da Diana, que fugiu.


Público: http://www.publico.pt/Sociedade/afinal-a-procura-de-diana-foi-uma-estrategia-publicitaria-1565524
http://www.publico.pt/Sociedade/cacharel-sublinha-que-campanha-nao-queria-ferir-susceptibilidades-1565815 

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A MINHA DECLARAÇÃO DE AMOR À RTP

por Manuel Joaquim Sousa, em 02.09.12

Aproveito o momento para fazer a minha declaração de amor à RTP por tudo o que ela representa para mim, enquanto continua a ser espezinhada em praça pública por determinados "conselheiros" como António Borges.

Eu quero que a RTP continue a ser o serviço público alternativo a que eu tenho direito -— pago mensalmente para que assim seja. A minha relação com a Estação Pública vem da minha infância - ainda do tempo em que via apenas desenhos animados e as séries juvenis. Isso continuou para além dos anos; mesmo com o aparecimento dos canais privados, que apesar da oferta não me satisfaziam por completo— - além de que cresci numa terra em que os privados demoraram a chegar (mesmo que desejasse uma lufada de ar fresco não a tinha).

Tu RTP estiveste sempre lá, nunca me abandonaste, nem nos tempos em que o adolescente que havia em mim quisesse romper com uma relação de anos. Eu vivi com amargura os momentos do homem, Manuel Subtil, que se barricou no interior das instalações. Eu senti felicidade quando a RTP saiu do terrível edifício 5 de Outubro para as novas instalações que a dignificou.


Perdoa-me RTP pelos anos em que não te via, em que me revoltei contra a televisão e em que, por birra, decidi não sintonizar; mas mantive a minha ligação através da Antena 1. Mesmo tendo suprimido a televisão de minha casa, eu trabalhava num local de atendimento ao público onde tu eras sempre a escolhida para todo o dia (só eras substituída pela Sportv nas alturas do futebol). Eu assistia a tudo o que gostava ou não, mas o amor é mesmo assim: gostar dela com todos os seus defeitos e virtudes e defende-la com o coração. Eu assistia à Praça da Alegria, ao Jornal da Tarde, ao Portugal no Coração, ao Portugal em Directo, ao Preço Certo Em Euros, ao Telejornal, à Operação Triunfo, ao Natal dos Hospitais, aos especiais de informação, à transmissões da Cova da Iria, ao Top+ e a tantos outros programas. Através da RTP eu assisti ao começo da Guerra no Iraque, com o Carlos Fino, acompanhei cada momento as exéquias de João Paulo II e nomeação de Ratzinger ou mesmo morte de Lúcia, a vitória do FCP na Liga dos Campeões e a todas em emissões em directo da minha cidade, entre tantos acontecimentos que mudaram o mundo e me mudaram também a mim (tudo isto, todo dia e todos os dias no trabalho). Gostasse ou não, eu estava lá.


Entretanto, em casa chegou o cabo e voltei para as séries da Fox ou AXN, mas nem por isso deixei de estar ao lado da RTP. A RTP Memória fez-me reviver um passado brilhante; revi séries, programas humorísticos do Herman ou até os Jogos Sem Fronteiras (que tanto adorava e me lembro como se fossem hoje), a Mulher do Sr. Ministro, Esquadra de Polícia, enfim... Passei a gravar muitos programas do Canal 2 (como lhe chamo) para ver quando tenho tempo. O meu apreço e amor pela RTP2 é tão grande que não sei o que vai ser de mim sem os seus programas como o Biosfera, o Olhar o Mundo, Documentários, as entrevistas de Maria Flor Pedroso, o Palcos entre outros que ficaram na sua história como o Bombordo ou o 5 Para a Meia-Noite, os Contemporâneos. O que vai ser de mim para as tardes de Domingo, em que estou na terrinha e vou ter que gramar com os programas secantes pelas aldeias e vilas com musica pimba ou aqueles filmes que já passaram tantas vezes na televisão? O que vai ser de mim ao ter de gramar com overdoses de publicidade quando estou a ver algo que gosto? RTP2 não deixes que acabem contigo, não me destroces o coração.


Quem vai passar os Jogos Olímpicos? Quem vai transmitir desporto para além do futebol?


Também a rádio - que todos se esquecem de referir - é a minha companhia no carro, em casa, até mesmo enquanto passeio pela rua. Uma rádio feita por bons profissionais, isenta de publicidade. Quem vai defender e passar musica portuguesa de vários estilos como na Antena 1 ou na Antena 3? Onde vou poder ouvir e deliciar com o Portugalex, da 1, A Hora do Sexo, da 3, o Amor é, Falar Global. Isto é serviço público de uma rádio que é publica (da qual não tenho ciúmes que outros também gostem).


Eu sofro com tudo o que dizem aqueles que querem acabar com a minha RTP. Eu não aceito que a entreguem a alguém que desvirtue o seu carisma, aquele que me manteve próximo durante tantos anos. Não deixem que a RTP seja uma vendida e se transforme numa prostituta do serviço privado, que apenas nos dá matança, horrores, novelas, drogas publicitárias, noticiários eternos e que esquece muitos projectos inovadores de televisão. A RTP dá lucro, basta que seja gerida coerentemente. Eu quero uma RTP que, mais tarde, eu recorde com alegria pelos bons momentos que passamos juntos.

RTP perdoa as minhas infidelidades, em que e troquei por outras, mas tu serás sempre a quem recorrerei nos momentos mais difíceis porque estás sempre lá.

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A LEI DO RUÍDO E O SEXO

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.09.12

Já se imaginou a ter vizinhança a bater-lhe à porta ou mesmo a polícia porque está a fazer barulho a mais durante a noite e em pleno ato sexual?
Pois… Deve ser um transtorno daqueles que ninguém imagina, ou pelo menos quase ninguém. Certamente que alguns dos que lêem esta crónica já ouviram os vizinhos em pleno ato, por muito bom isolamento que exista no apartamento, a não ser que os vizinhos vivam sós, não tenham hábitos sexuais ou sejam silenciosos (?).

                      
                                                                                    (Silêncio)

Estava a tentar perceber se aqui no meu prédio está tudo sossegado ou se existiam por aí alguns gemidos perdidos. Mas, posso dizer-vos que está tudo calmo.

A questão inicial está relacionada com uma notícia que li no Jornal “i” que passo a citar: Os britânios Jessica e Colin, de 34 e 45 anos, foram acusados pelos vizinhos por fazerem muito barulho durante o acto sexual.

Pelos vistos a polícia foi chamada ao local 20 vezes em quatro meses. Imaginem a sorte destes vizinhos, que em vez de seguir o exemplo do casal ficaram ruídos de inveja. Sim, isto deve ser mesmo inveja do pobre casal que se liberta e manifesta em comemoração pelos belos momentos que vivem juntos. E são 5 vezes por semana que estes praticam sexo, a ponto do homem acusar a mulher de ser insaciável. Pelo que dá a entender, a culpa de todo o barulho é da mulher, que por norma é quem mais decibéis liberta comparativamente aos homens que são mais controlados. É perfeitamente normal que após todos os alertas continuem a fazer barulho, já que nesses momentos a consciência ultrapassa qualquer limite - querem lá saber o que pensam os vizinhos.

Pelos vistos foi dada ordem para ficarem se sexo (já que o deles implica barulho) durante 72 horas, que não foram cumpridas – ao fim de 48 horas lá foi a polícia novamente ao local.

Se estivessem no lugar do casal o que fariam? Acatavam com a decisão?

Se estivessem no lugar dos vizinhos, qual a ação a tomar? Ficariam pacientes a ouvir e a desejar sorte igual?

Existem acontecimentos insólitos, mas que na realidade dão que pensar ou que gemer…

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 Da página do grande escritor Pedro Chagas Freitas recolhi este texto que decidi partilhar convosco: 


Pedro Chagas Freitas

 

Dizem que os escritores têm ar de totós; que são uns tapadinhos; que vivem na solidão; que são neuróticos e outras coisas mais no se sentido menos positivo. Depois de lerem o texto que retirei do escritor Pedro Chagas, dá para ficar com a ideia do contrário?

Os escritores são homens como os demais? Sim, como humanos, são seres com as mesmas necessidades fisiológicas. Porém, são algo mais superior  porque apreciam o belo e o prazer de uma forma profunda, que conseguem transparecer para as palavras; enquanto dos demais apenas soltam suspiros e gemidos que se ficam só por aí.
Amor, sexo e paixão e toda a fogosidade ardente não pode ficar apenas no momento - ou então esvazia-se - tem de ficar imortalizado em palavras sentidas e profundas. Não se pretende menorizar os sentimentos dos demais, que não conseguem exprimir em belas palavras o fogo que sentiram no momento do prazer; apenas não se pode manter o preconceito dos escritores em relação ao amor (que não tem de ser sofrido) ou ao sexo (que não tem de ser tabu). Todos podem ser capazes de saborear e sentir arduamente os momentos quentes e fugazes do amor e do sexo - mais que meras necessidades fisiológicas do homem.

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UM POETA EM GRANDE ENTRE OS PEQUENOS

por Manuel Joaquim Sousa, em 12.08.12

Já escrevi por aqui que não tenho qualquer jeito para poesia. Lá no fundo admiro a capacidade dos poetas, dos escritores - lá no fundo porque eu estou a anos-luz do trabalho destes.
Porém, hoje decidi fazer descer sobre mim o dom de escrever versos, assim como muitos que escrevem poemas mas que não têm qualquer jeito (podem incluir-me nesse grupo).

Aqui vai:

 

Poesia não tem de ser:

um fado triste,

murmúrio do passado,

lamentos do presente.

 

Poesia deve ser:

riqueza interior,

pensamento do momento 

e gestos da alma.

 

Viver para a poesia

não tem de ser vida amargurada,

sonho irreal

ou momento doloroso.

 

A poesia vive:

do poeta com sentimento,

da alegria, amor e paixão,

em profundo desprendimento

entre o sentimento e a razão.

 

Poesia será sempre:

o pensamento,

o grito,

na força das palavras

ou da forma como são ditas.

 

Foi lindo (pelo menos para mim que me limito a estas palavras)! Foi sentido! Veio-me lá do fundo arrancado a ferros.

 

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