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O MEU EX-NAMORADO É PAPA

por Manuel Joaquim Sousa, em 16.03.13

Ainda o Papa está a aquecer o seu lugar como Sumo Pontífice e já se procura investigar a seu passado, para que todos conheçam os seus passos desde que nasceu até aos dias de hoje - assim acontece em cada momento que alguém é eleito para um lugar de destaque; todo o passado é remexido e sacudido até que dele se tire alguma história ou episódio que possa marcar e suscitar o interesse - se existem biografias que demoram meses e anos a serem construídas, outras demoram minutos ou horas.

Descobriu-se que o Papa Francisco teve uma paixão por Amália, quando tinha 12 ou 13 anos, a quem pediu em casamento, mas que terminou quando se entregou ao sacerdócio. Esta descoberta motivou a corrida dos jornalistas atrás da dita amada, para mais umas palavras ou umas declarações - seria na tentativa de descobrir algo ou por ser insólito? Como se sentirá aquela mulher ao pensar que o seu ex-namorado, com quem se calhar terá sonhado casar, é o Sumo Pontífice da Igreja Católica?

Voltas e voltas dá a vida; os amores de uma juventude marcam a vida dos Homens, para todo o sempre, e podem ser lembrados anos e anos mais tarde, para o bem e para o mal.


Fará alguma diferença no pensamento de um Papa ter tido uma paixão, ainda que nos tempos conturbados que são a adolescência?


Segue um pequeno trecho, escrito pelo Papa Emérito Bento XVI, na sua primeira CARTA ENCÍCLICA DEUS CARITAS EST :

Segundo Friedrich Nietzsche, o cristianismo teria dado veneno a beber ao eros (amor), que, embora não tivesse morrido, daí teria recebido o impulso para degenerar em vício. Este filósofo alemão exprimia assim uma sensação muito generalizada: com os seus mandamentos e proibições, a Igreja não nos torna porventura amarga a coisa mais bela da vida? Porventura não assinala ela proibições precisamente onde a alegria, preparada para nós pelo Criador, nos oferece uma felicidade que nos faz pressentir algo do Divino?

Voltando ao assunto da crónica, faria todo sentido que na Igreja existisse uma sensibilidade diferente sobre a forma como as pessoas se amam; mas, para que exista sensibilidade seria necessário que, aqueles que decidem e escrevem a doutrina, sentissem o que realmente é o amor em todas as suas vertentes, mesmo que apenas fosse uma paixão passageira.



 

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RUI VELOSO A SALVO PORQUE NÃO GANHAMOS O EUROMILHÕES

por Manuel Joaquim Sousa, em 12.08.12

Existem pessoas neste mundo que podem bem ficar satisfeitas por eu, e mais algumas pessoas com quem joguei o Euromilhões, não termos ganho o prémio tão desejado.

Eis que alguém do grupo está a programar as suas férias para os lados de Porto Covo e, no meio do nada, surge a sugestão de contratar o Rui Veloso para cantar durante toda a viagem, de Braga até Porto Covo. Atenção! cantar sempre a música, Porto Covo, até à exaustão; até não poder mais; nem que o Rui ficasse todo rouquinho ou a cantar em murmúrios, como a Amália nos últimos tempos de carreira.
                                                                                                                                                         
                                                                                          Perdoa-me Amália e não me envies um raio porque eu gosto muito de ti e emociono-me quando oiço os teus fados - até abro os braços e bato com os deditos na palma da mão "Obrigada, Obrigada! Palminhas, Palminhas!" (aquilo que só ela fazia e que todos sabem o que é).

Por isso, o Rui deve estar satisfeito e feliz da vida por não ser alvo de tanta e temível crueldade. Ele ficaria tão saturado da música, mais saturado que ter de a cantar em cada espectáculo ou ter de a repetir interminavelmente quando está a compor e a gravar. A isto se chamaria exploração musical até ao limite - quiçá poderá um dia ser considerado crime.

 

Já que não há dinheiro para contratar o nosso Rui Veloso, há sempre alguém que tenha a música gravada que possa emprestar à minha colega para ouvir no carro durante a viagem - não é a mesma coisa, mas tapa o buraco. Eu não tenho cá o Rui Veloso, mas tenho o Youtube a fazer o milagre musical de reproduzir repetidamente a música de Porto Covo.

(Neste momento, escrevo apressadamente para não ouvir muitas vezes a música - já vai na segunda repetição - apesar de gostar dela e de me lembrar Porto Covo).

 

                                                                                                      (fonte: Youtube)

 

Para que quem não sabe a letra na totalidade aqui vai (encontrada no Google):

 

Roendo uma laranja na falésia 

Olhando o mundo azul à minha frente,
Ouvindo um rouxinol nas redondezas,

No calmo improviso do poente

 

Eu não sei como se roem laranjas!? Será que é como se comem as maçãs? Por norma, descasco com afinco, com os dedos. O azul do mar em Porto Covo é magnifico e o pôr-do-sol deve ser espectacular. Só nunca ouvi foi os rouxinóis pelas redondezas.

Em baixo fogos trémulos nas tendas
Ao largo as águas brilham como prata
E a brisa vai contando velhas lendas
De portos e baías de piratas

 

A brisa a contar histórias (está bonito) deve meter um medo de morte como se fossem coisas de outro mundo. Será que o Rui ouve vozes do além? Dos piratas que rondavam aquela zona e que andam como almas perdidas atrás dos visitantes? Será que sabem de D. Sebastião?

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

 

Ai o amor e o pessegueiro. Porque raio havia o rapaz de plantar um pessegueiro numa ilha? Isto pode ter interpretações muito perversas e pode ser a razão do amor ter resultado num sofrimento terrível.

A lua já desceu sobre esta paz
E reina sobre todo este luzeiro
Á volta toda a vida se compraz
Enquanto um sargo assa no brazeiro

Ao longe a cidadela de um navio
Acende-se no mar como um desejo
Por trás de mim o bafo do destino
Devolve-me à lembrança do Alentejo

 

O bafo do destino. Quantos já sentiram um bafo, vindo de algures, e se projectaram para outros destinos. Aqueles agradáveis que provocam sedução e aqueles que provocam a revolta do estômago e agonia do espírito.

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

Roendo uma laranja na falésia
Olhando à minha frente o azul escuro
Podia ser um peixe na maré
Nadando sem passado nem futuro

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo 


Rui, da próxima vez que cantares esta música vais sentir mais liberdade porque o destino é teu amigo e te salvou de tamanho sacrifício - mais negro que as lendas que a brisa te contava dos piratas.

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