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UM MURRO NA MESA CONTRA "VOU-LHE USAR"

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.12.12
(fonte: Youtube)
http://www.facebook.com/DarUmMurroNaMesa


Por vezes, vejo episódios da telenovela “Gabriela” e surpreendo-me como, em tempos antigos, a mentalidade das pessoas era tão fechada – fechada em conceitos que a sociedade determinava como verdades instituídas.
Se há expressão que me dá nojo e mesmo arrepio pelo significado que carrega é a de coronel Jesuino: “Se prepare que eu vou-lhe usar” – pronunciada quando pretende fazer sexo com suas esposas. Esta personagem tem no seu historial a morte da sua primeira esposa - apanhada em flagrante com um amante – do qual goza da completa imunidade e impunidade pelo crime cometido, tido como defesa da honra e bons costumes, ainda que este fosse frequentador de casas de prostituição; para além das constantes ameaças de morte da sua noiva, caso na noite de núpcias não sangrasse – a esposa teria de ser virgem. Para além desta personagem, existem outras que demonstram total desprezo pela mulher e com cenas de violência por atos das quais não tinham qualquer culpa.

Isto trata-se apenas de ficção – eu sei. Porém, ainda que distantes do tempo descrito na telenovela, estamos ainda muito próximos em formas de pensamento e atitudes – o que seria uma representação do passado ainda acontece. A violência doméstica existe, expressasse em números gordos, é considerada como um crime, mas ainda está muito escondida na sociedade. Existe medo das vítimas em denunciar a violência de que sofrem por temerem a sua vida. Tantas vezes as culpas das marcas físicas da violência são atiradas para os armários de casa, contra quem se bate muitas vezes, deixando que os agressores sejam impunes pelos atos cometidos irracionalmente.
Quantas vezes as mulheres são usadas sexualmente contra sua vontade?

Falamos do sofrimento das vítimas “diretas” da agressão, mas existem as vítimas que presenciam a tudo o que se passa na vida familiar e que psicologicamente ficam afetadas de forma profunda e, muitas vezes, para o resto da vida – memórias que os tempos não apagam.

O silêncio é a arma do agressor. É tempo de um murro na mesa.  

 

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FUTEBOLCLORE I: O ARRANQUE DA 1ª LIGA

por Manuel Joaquim Sousa, em 19.08.12

Neste fim-de-semana arranca a nova época do campeonato de futebol. Começa também a ocupação de muitos portugueses interessados pelo que se passa na 1ª Liga, dentro e fora de campo.
Bem, fora de campo é o que mais polémica traz e o que mais impacto tem nos media que cobrem o futebol - o jogo que se passa dentro das quatro linhas fica, na realidade, para segundo plano.

 

O Sr. Gordo e o Sr. Magro há muito que estão a tomar a sua cerveja ao balcão do café em silêncio, por falta de assunto futebolístico, já que pouco conversam quanto ao resto.

- Este período é difícil, diz o Sr.. Gordo.

- Então porquê? responde Sr. Magro.

- Porque estou ansioso que comece o campeonato, para ver se temos algum assunto de jeito para conversar. Este intervalo entre o fim e o início de uma época, são um bocado dolorosos, são frios.
- Este fim-de-semana já vamos ter assuntos para discutir toda a semana. Os jornais já vão criar histórias, para que haja tema de conversa. Mas olha que nos últimos dias já temos tema para falar.
- Qual tema qual quê? Ainda não começaram os jogos.

- Então não estás a par do caso Luisão? Aquilo deu que falar. O árbitro ficou estatelado no chão com um empurrão.
- Eh pá! Claro que vi. Nem quero falar disso. Foi uma vergonha para o futebol.

- Vergonha porquê? O árbitro era um fraquinho. Onde já se viu cair sem sentidos sem mais nem menos e depois cancelar o jogo.
- E Achas bem o que o jogador fez? Achas bem agredir um árbitro? Aquilo é agressão. Não é coisa pouca.
- Eh! Não exageres. Aquilo não foi nada. O tipo é que era um lingrinhas.
- Lingrinhas pá! Lingrinhas! Um árbitro é preparado para arbitrar um jogo, não para levar com empurrões. Aquilo não é um jogo de lutas.

- Ele foi é defender a equipa. Agiu como um capitão.
- Capitão. Agiu como um brutamontes. Da mesma forma que é capitão deveria respeitar as regras do jogo e o árbitro que é o juiz da prova, que decide como bem entende. Respeito. Sabes o que é? O Benfica parece que não.
- Não venhas com essas tretas pá.
- É verdade! Vê como eles se riram da situação lá no campo. Como se tivessem feito uma grande coisa. Esperemos que seja castigado.

- Pudera até teve a sua graça. Até me admira a tua moralidade e não toleres o que aconteceu.

- Não é moralidade, é veres e saberes que aquilo foi vergonhoso, ainda para mais fora de Portugal.

 

Assim continuaram. Sr. Gordo e o Sr. Magro a discutir os episódios de folclore. Se repararam não discutiram o que aconteceu durante o jogo, a prestação de cada equipa, apenas o insólito empurrão do Luisão que fez o árbitro cair redondo no chão. Tudo o que aconteceu antes foi esquecido. É assim que se vive o futebol nacional. Chegou o tempo das acusações mutuas entre os dirigentes. 

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