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EURO 2016 - CRÓNICA DE UMA VITÓRIA ANUNCIADA

por Manuel Joaquim Sousa, em 08.07.16

Jogava Portugal e País de Gales. O país tinha parado para assistir à partida. O país estava em suspenso. Nem o respirar das pessoas se ouvia. Estava tudo recolhido nos cafés, restaurantes, em casa, nas praças com ecrã gigante. O sentimento era comum entre todos – fanáticos, simpatizantes ou simplesmente desligados. O orgulho nacional estava em causa – queríamos cantar de galo.

A primeira parte do jogo tinha perigos, mas estava a perder aquele entusiasmo e para não me irritar com as falhas liguei a telefonia; na rádio o relato é melhor – tem mais vida. A segunda parte começou morna para quem estava sedento de golos. Aproveitei o momento calmo e decidi ir à farmácia comprar os comprimidos que estava a precisar com urgência; mas para não perder nada do jogo levei o rádio do telemóvel com os auscultadores. Preparado saí de casa. Ainda à espera do elevador aconteceu o primeiro golo. Brutal. Espetáculo. A esperança começa a ser cada vez mais real. Viva. Volto para trás para ver na televisão o golo do Cristiano? Não já passou. Fogo, pela vivacidade do locutor da TSF isto foi mesmo brutal – é um golo, é sempre brutal. Volto para trás, não volto. O locutor canta o bailinho da Madeira com letra de sua autoria adequada ao momento. Não, prefiro ouvir a música e esta emoção que a ver a repetição do golo. Continuei a minha ida à farmácia.

Entro. Não há clientes. Os quatro funcionários estavam no balcão do canto a ver o jogo através da modernidade do PC. No momento em que me viram chegar desmobilizaram; uma foi talvez para o armazém; outra veio para o balcão onde estava; a senhora das limpezas fez a parte de limpar o balcão onde estava (já devia estar mais que limpo pensei, era a reação mais rápida para mostrar que estava a trabalhar); o senhor ficou no mesmo sitio a ver o jogo. Pedi a caixa de comprimidos e no vai e vem da senhora aconteceu o segundo golo. Quando a senhora chegou à caixa disse:
- Foi golo.
- Sim, estamos a ganhar – disse a senhora.
- Foi outro.
A senhora ficou com um ar estranho a olhar para mim - estaria a pensar que eu estava alucinado das ideias -, olhou desconfiada para o colega que tem os olhos pregados no monitor a dar indicações indiretas que eu estava a falar de outro golo. O senhor ficou com um olhar estranho para mim, a tentar perceber o que se estava a passar porque afinal o primeiro tinha sido há três minutos. A senhora das limpezas e a outra funcionária voltaram a correr para o monitor e com a cabeça lá enfiada estavam a abana-la porque não percebiam porque falava eu num golo e nada tinham visto. Duvidaram logo da tecnologia.
- O senhor está a ouvir no rádio e sabe primeiro – explicou o funcionário.
Paguei. Saí. Deixei os quatro novamente mergulhados no monitor a tentar ver o que iria acontecer. Certamente comemoram o golo tempos depois de uma maioria já o ter festejado.

Por muito que a tecnologia tenha evoluído, a rádio continua a ser a melhor forma de, mais cedo, saber o que acontece naquele campo onde estão todas as atenções.

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E 2016 JÁ SE FARTARAM DELE?

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.01.16

Ainda o ano agora começou e começo a ficar um pouco farto dele. Já me enchi de ouvir falar de 2016. Bastou estar no facebook uns momentos para ver como tudo deseja Bom Ano, Boas entradas, Feliz 2016. Todos a desejarem paz, amor, realizações, felicidade e uma mão cheia de coisas boas. Quem não deseja uma série de coisas boas?
Tantos posts eu vi do ano novo que poucas mensagens e telefonemas fiz este ano ou no ano passado, bastou colocar um like nos posts de toda a gente. Assim o autor pode ver que li e que retribuo as felicitações. Aqui e ali também escrevi uns comentários aos mais próximos.

Desejamos tanto que chegue o ano novo para nos livrarmos do velho que chegou igualmente cheio de festividades. Daqui a 12 meses vamos estar a expulsar 2016 – que agora é bem-vindo – para receber 2017 e assim por diante. Um ano parece ser muito tempo e as pessoas facilmente se queixam do ano, como se todos os anos fossem maus – acredito que em todos existam momentos positivos e menos positivos. Porque ignoram as pessoas os acontecimentos maravilhosos que receberam em 2015? E usem o pior para se dele livrar…

Ano novo poderia ser vida nova. Pelos vistos, no dia seguinte tudo continua normal com mais uma ressaca em cima dos festejos da passagem. Para ser vida nova teríamos a cada ano que passa, mudar radicalmente de hábitos, de casa, emprego, amigos, namorados, roupa ou uma tanta outra quantidade de coisas que marquem realmente uma nova vida. Mas, na realidade, continua tudo na mesma. São poucos os que mudam realmente para uma vida nova.
Até podem ter o hábito de fazer resoluções para 2016. Para quê? Duram quanto tempo? Uma semana ou duas ou um mês? Por isso, nada de resoluções. Vou fazer com que cada dia seja o dia próprio em que procuro realizar cada projeto e cada desejo, dependendo das ocasiões e das oportunidades que se criam. Para quê criam resoluções se depois ficamos frustrados se não as atingimos? É por estas e por outras que depois as pessoas se cansam do ano e desejam ansiosamente que segue a passagem de ano – como se fosse um ritual de exorcismo.

Prefiro que se comemore cada dia o facto de estar vivo.

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O REGRESSO AO BLOGUE

por Manuel Joaquim Sousa, em 29.12.15

                                                                 (fonte: Youtube) 

 

Ao fim de algum tempo decidi visitar o meu blogue. Já tinha vontade de o fazer há mais dias. Tempo e disposição terão faltado para cá estar e para deixar o que quer que seja aos meus leitores. Apesar da minha ausência o blogue, pelos vistos, continua a ser lido. Coisas da rede. No momento em que decido fazer esta visita, estou sentado confortavelmente num bar e toca a música mais badalada do momento da Adele. Não resisto em dizer que “Hello” é uma coincidência. Apesar de não ser fã de Adele, nem de acreditar em coincidências dos astros, foi uma música a calhar no momento certo. Muito bem. Para os mais sensíveis aos sinais, vou considerar que é um sinal para cá continuar a escrever. Haverá quem leia, goste e não goste. O mundo democrático da rede é mesmo assim: escrever o que vai na cabeça. Escrever a quente e a frio. Sem receio do que aí vem.

Apesar da minha ausência continuei a acompanhar o circo político que se desenrolou após o dia 4 de Outubro, até termos um governo. Em grupos de amigos também discuti o momento e a caldeirada de quem é que tem legitimidade para o quê. Não fiquei alheio ao Banif - mais um presente natalício que serei obrigado a pagar com os meus impostos, que deveriam ser destinados ao Serviço Nacional de Saúde e outros bens públicos que a Constituição, poeirenta, nos consagra.

Vamos ver como será 2016 que se aproxima. Recheado de assuntos espero que seja. Estamos em época de balanços e de lançar prognósticos astrológicos para o que se aproxima. O que dizem os vossos astros? Os meus andam confusos…

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