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PÉPA XAVIER: HÁ PRIORIDADES E PRIORIDADES

por Manuel Joaquim Sousa, em 14.01.13

Pépa Xavier,

Vejo que ultimamente tem sido alvo de muitas críticas nas redes sociais e mesmo nos blogs pelas palavras que disse publicamente, numa suposta ação de campanha da Samsung.
2012 terá sido um excelente ano para si – ainda bem que o tenha sido, não tem que ser mau para todos os portugueses ou então estaríamos num poço mais profundo do que aquele em que já estamos – e 2013 até poderá continuar a ser um grande ano – esperemos que assim o seja. Quanto ao sonho a realizar em 2013, de comparar uma daquelas malas da Channel ou Chanel (não interessa como se escreve) é um sonho legítimo que qualquer um pode ter e não a condeno se vier a comprar a mesma – se calhar seria bom sinal para si. Porém, numa campanha pública, em que o país está a passar dificuldades, é um pouco chocante para muitos portugueses ouvir esta expressão de desejo, quando muitos estão com dificuldades em pagar as contas e mesmo ter uns trocos na carteira para comprar comida.
Vivemos num mundo livre e com prioridades - cada um com as suas; se o seu desejo para 2013 é comprar uma mala Chanel eu digo que é pensar muito pouco e pequeno; para mim o grande desejo para 2013 é continuar a ter emprego e um salário que me garanta o mínimo de sustento, assim como, que este país saia da lama e cresça de forma que, aos poucos, todos possam arranjar um emprego com um salário digno. Há outros sonhos que gostaria de atingir, mas que publicamente os reservo porque não quero afrontar outros portugueses que estão numa situação mais delicada que a minha – ou poderia cair na situação de gozo com quem está ao meu lado mais necessitado.
Até posso considerar que comprar uma mala de 3 mil Euros é algo puramente consumista e que se pode fazer o mesmo efeito com uma mala de 100 Euros, de fabrico nacional, dando outras prioridades à vida com o dinheiro que se conta ganhar; mas o que eu penso e as minhas prioridades não são as mesmas – ainda bem, talvez.
Até posso aceitar que tudo o que tem sido dito na rede tem sido exagerado, mas dadas as circunstâncias e o desagrado das pessoas com determinados exageros públicos é perigoso que determinadas situações sejam tornadas publicas, mesmo com o argumento de que foi descontextualizado porque, pelo que vi no vídeo, não me parece.
Além disso, a sensibilidade da marca que estava a representar na sua campanha foi um pouco de apelo ao consumismo puro e duro, que não deixa de ser uma afronta aos portugueses – teve essa noção a ponto de retirar o dito anúncio de circulação, mas tardiamente porque a mensagem continuou a espalhar-se.
Num mundo livre e global, como aquele em que vivemos, é bonito o cheiro a liberdade em dizer tudo o que queremos; mas também se pode tornar perigoso pela condenação em massa sem que tenhamos a noção das devidas consequências de palavras ditas ou imagens publicadas.
Há sempre lições a tirar daqui e mesmo que diga que também padece com a crise, assim como os seus pais, o público vai minimizar e considerar isso irrelevante perante o que disse inicialmente.
Eu não me senti indignado porque infelizmente há tantas injustiças neste país que são responsáveis pelo que de mal nos está a acontecer, porém compreendo o que muitas pessoas terão pensado e dito acerca do seu desejo para 2013.
Um bom ano.

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O LIVRO DE 2012 - ESCOLHA PREFERIDA

por Manuel Joaquim Sousa, em 26.12.12

O ano de 2012, foi ano de muitas leituras, mas existe aquele livro que se destaca por: ser o livro que me acompanhou em duas viagens ao estrangeiro e pela história que bem poderia ser a do nosso país. Falo de “Ensaio Sobre a Lucidez”, de José Saramago.
Posso dizer que até é um livro pouco volumoso, mas que demorou o seu tempo a ler – uma história bem escrita e de forma simples – porque em cada capítulo era merecida uma paragem para pensar em tudo o que foi lido, perceber o sentido e perceber se em alguma altura a história poderia ser real – e podia.
Por muito que a capital, onde se desenrolaram os acontecimentos, pudesse ser uma qualquer, eu não deixo de direcionar o meu pensamento para a nossa capital e para a fuga do nosso Governo. Esta história poderia ser tão real porque, neste ano de 2012, o povo saiu, por diversas vezes, para a rua manifestando-se contra as medidas do Governo e contra a forma como fomos governados em tempos de democracia. Foram manifestações pacíficas, no seu geral, e únicas desde a restauração da democracia – no livro também existe a passagem da manifestação silenciosa pelas ruas da capital, por onde todos seguiam com a mesma determinação.
Tal como no decorrer do livro descreve que os defensores do regime que tentaram sair da capital - com medo do que as ações populares pudessem desencadear, mas por impossibilidade de ultrapassar as barreiras de cerco à capital tiveram de regressar – foram recebidos, não com uma banho de sangue, mas com apoio dos opositores, também os portugueses se uniram numa só voz, mesmo aqueles que nas urnas votaram para a eleição deste executivo.
Também este ano foi recheado de notícias protagonizados interferências de um Ministro no media portugueses, o que se assemelha com a história do Ministro do Interior que tenta minar a informação, para que a mensagem a passar não seja a realidade, mas aquela que provoque o medo.

Diria mesmo que José Saramago foi um profeta dos acontecimentos do nosso país, pois cada capítulo do livro simboliza trechos da História recente – se fosse vivo e se este livro fosse publicado em 2012, seria acusado de querer inflamar a política e apelar à abstenção maciça nas próximas eleições.

Somos conduzidos até à importância de sermos lúcidos na forma como vemos o que acontece à nossa volta, o que marca a diferença dos que evitam a cegueira procurando pensar por si próprios e usarem do direito à liberdade para lutarem por aquilo em que acreditam.

É um livro com uma presença política muito forte, mas que se justifica nos tempos que correm, quando tudo é dominado pela política ou dela depende – existe sempre o poder de mudar o que quer que seja, sem medo de ficarmos barricados na própria cidade.

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FELIZ 2012

por Manuel Joaquim Sousa, em 31.12.11

Um ano cheio termina. 2011 foi um ano de que muitos não terão saudades, sobretudo para os portugueses mergulhados que estão na crise sem fim à vista. 2012 não será um ano fácil - disso já todos sabem -, mas nem por isso deixamos de estar ansiosos com a sua chegada.
Ouvimos discursos de alerta, de apelo à cautela e união nacional para que a crise seja ultrapassada, porém, a esperança é muito pouca porque a vida está muito dificil para o comum dos portugueses.


Por muito pouca que seja a esperança no ano que se avisinha, não podemos ficar impavidos. Vamos fazer o nosso melhor para ultrapassar as dificuldades que nos são impostas por Governos e pela União Europeia.
Um Feliz Ano de 2012 para todos. 

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