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QUANDO POR MOMENTOS PORTUGAL É A FRANÇA

por Manuel Joaquim Sousa, em 23.08.15

Os nossos emigrantes já vão de partida, rumos aos países que os acolhem. Um ritual que se repete ano a ano e ao qual já nos habituamos. Quando pensávamos que o desenvolvimento do nosso país faria com que cada vez menos pessoas emigrassem, a emigração aumentou nos últimos anos a um ritmo que só temos memória nos anos 60 ou 70. Algo na sociedade portuguesa ou algo no país correu mal. Continuamos a ver os nossos familiares partirem. Somos cada vez mais cidadãos do mundo e cada vez menos neste país que perde os profissionais que formou com tanta dedicação – investimos para exportar cérebros, uma nova moda de exportação que o governo tem aplaudido e aconselhado.

Por um mês, Portugal torna-se na França. Ainda estes dias fui, por engano, ao centro comercial mais concorrido da cidade e: não ouvi falar português além dos locais onde entrei e fui atendido por um funcionário – se ouvi mais que isso não captei, a minha atenção estava focada nos que apelidamos de “avecs”. Eram inúmeros aqueles que ficavam nas filas dos restaurantes e outros que guardavam as mesas para a família inteira, a ponto de não existirem mais lugares disponíveis a quem queria comer um simples prato de comida e tinha o desespero de sair dali – por isso, disse que lá caí por engano, sem me lembrar na confusão que iria encontrar.
À parte da confusão fora do habitual deste mês, tenho bem a noção do quanto é importante para o país a vinda destes conterrâneos para a economia local e mesmo nacional. O comércio tem a oportunidade de ganhar um extra para o resto do ano.

Admirável é a forma como os emigrantes ainda gostam do seu país de origem. É certo que, em alguns, há extravagância excessiva e superioridade em relação a quem cá está e isso tira muitos portugueses fora do sério, sobretudo aqueles que têm de aguentar estas manias. Mas, não podemos generalizar. O amor pelo país vai muito para além do mês de Agosto e isso nota-se pelas inúmeras comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, onde se continua a praticar as mesmas tradições. Usam a bandeira portuguesa e outros símbolos representativos da nossa pátria e da nossa cultura – símbolos que, se calhar, pouco ligamos. A única coisa que tenho pena em muitos emigrantes é o desapego pela língua materna, como se fosse um parente pobre da cultura e da identidade e para alguns símbolo de superioridade – conhecem todos casos de emigrantes que entre si falam, muitas vezes, em português e quando dirigem a palavra aos residentes é em francês ou infelizmente desapegam-se totalmente da língua e falam entre si e com os restantes em francês. Mais uma vez, não se pode generalizar, apesar da recorrência dos casos.

Estão de partida e o país volta à sua normalidade. Um ritual que se repete. São portugueses a quem o país não deu oportunidade a todos de ter uma vida melhor ou simplesmente não lhes deu oportunidade de realizar a carreira para a qual estudaram. Vão para outras paragens na procura de maior retorno laboral e financeiro, num país que paga pouco, reconhece pouco o esforço destes, perdendo uma mão-de-obra cada vez mais qualificada e tão necessária para o crescimento da nossa economia. O futuro reserva um preço caro.

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