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O QUE MOTIVA 100 MIL JOVENS NAS "JOTAS" PARTIDÁRIAS?

por Manuel Joaquim Sousa, em 22.08.14

Fui atraído a ver uma reportagem em destaque no sapo com o título O que motiva os 100 mil jovens inscritos nas "jotas" partidárias?, emitida pelo Porto Canal. Realmente é uma excelente questão para refletir. 100 mil jovens inscritos – é um número considerável. Em Portugal, apesar da emigração ainda existem muitos jovens, muito mais que 100 mil, mas é um número bastante elevado de inscritos em partidos políticos, quando o espectro político português é pequeno – essencialmente PS, PSD, CDS, PCP e BE.

Com exceção ao BE, todos os partidos têm os seus membros “jotas”, que partilham da ideologia base do partido e que são a grande porta de entrada para muitos jovens chegarem á política ativa e profissional – tendo em conta que a política não estará ao alcance de todos, mas ainda assim permite que muitos consigam ter um lugar ativo em órgãos públicos.
Há muito a ideia por aí, não sei se correta ou incorreta, que as “jotas” são uma mera porta de entrada para o poleiro e alternativa a muitos jovens que não querer fazer parte do mercado de trabalho e encontrar um emprego para a vida na política. Quero acreditar que nem todos sejam assim, se possível uma minoria.

A “jota” que importância tem para a política? A ideia que tenho, para além do trampolim para a política profissional e ingresso nos partidos “velhos”, é de uns jovens que pretendem mudar o mundo, mudar a sociedade, que se juntam em manifestações estudantis e que andam de noite a colar cartazes para o partido “velho”. Estou errado? Quanto à sua opinião, será que conta para alguma coisa? Qual o peso de cada voz? Que podem estes jovens fazer mais pela sociedade?

Na mesma reportagem, uma jovem do Bloco de Esquerda, diz: “Não fazemos o que muitos partidos fazem, que é ter uma jotinha, que depois toma posições que o partido dos mais velhos não pode tomar porque isso já fica mal ao partido dos mais velhos” – O BE não tem “Jota”. Por sua vez, um jovem da JS diz: “A JS é um espaço mais reivindicativo que está mais à frente do PS”, posição que vai de encontro à opinião de um elemento da JSD.
Se há uma discrepância entre a “jotas” e os partidos mais velhos, qual o sentido da sua existência? Até que ponto as suas ideias chegam à luz da concretização sem sofrerem o corte do partido oficial? Faz sentido existirem como parte integrante de um partido socialista ou social-democrata se estão contra as correntes destes? Qual o objetivo das “jotas” se as ideias dos seus militantes esmorecem quando estes transitam para o partido “velho”? Valeu a pena defende-las?

 

Na reportagem percebemos que a JCP está em total sintonia e continuidade com o PCP, mesmo sendo um órgão com total autonomia – à uma obediência aos princípios do Partido Comunista. Serão estes e os do BE mais coerentes por seguirem a mesma linha?

Será que esta discrepância entre o pensamento “jota” e o partido “velho” é também um motivo para o descrédito da política, para a falta de renovação ou para o afastamento de muitos jovens que poderiam e pretendiam ter um papel mais ativo na sociedade?

Não sei até que ponto os novos e antigos pensaram sobre esta matéria, se é que lhes seja útil pensar sobre isso, se é que existe espaço para tal.

Voltando à ideia dos 100 mil jovens – são muitos jovens e muita massa cinzenta onde existe gente com ideias e capacidades de avançar para um futuro diferente e mais credível na política portuguesa. Estaria aqui uma forma de mudança, de aproximação e de combate ao desinteresse nacional nos políticos, traduzido numa abstenção tendencialmente elevada?

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