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MIRÓ: DE ESPANHA NEM BOM VENTO NEM BOM CASAMENTO

por Manuel Joaquim Sousa, em 06.02.14

Joan Miró poderia ser um grande homem, um grande pintor. O pobre morreu e nem por isso pode descansar em paz por causa da polémica que se instalou em torno da sua obra – saberia ele do que poderia acontecer? Saberia ele que poderia “andar na boca dos portugueses”, mesmo que não percebam nada de arte?

Eu não percebo de pintura ou de arte o suficiente para opinar sobre o assunto, mas de tantas notícias que circulam por aí e de tanta discussão política em torno de 85 quadros, que também quero estar presente na discussão, mesmo que não diga nada de jeito.

Tendo em conta que as obras vieram para às mãos do Estado português devido à nacionalização do BPN, o Governo pretende agora juntar uns trocos com a possibilidade de venda das mesma obras – será que as 85 obras pagariam o buraco do BPN?
Porém, a oposição em peso é contra a venda deste património porque se trata de uma atitude contra a cultura e a defesa de património que agora é público.

Ora vejamos: se se vendem as obras, delapida-se o património; se não se vendem o que se faz com elas? Tendo em conta que a política cultural dos últimos anos é inexistente e se resume a uma mera secretaria de estado, não me parece que o Governo tenha alguma ideia de fazer lucrar este património senão a sua venda em leilão – a Christie's está em vias de perder um grande negócio com estas 85 obras. Pois, o que faz o Governo com os 85 quadros? Coloca-os numa sala em exposição e vende bilhetes para ver se atrai turistas e curiosos? Talvez a afluência seja considerável tendo em conta a polémica que se se gerou sobre o assunto.

A obra de Miró (com todo o devido respeito) é assim tão valiosa, representa assim tanto a cultura e o património nacional quando o homem era Espanhol? Bem, arte é discutível e as telas não podem ser olhadas sem o seu contexto histórico e cultural – disto os nossos políticos parecem ser especialistas, dado o alarido que se levantou.

Joan Miró já cá não está para se defender, mas seria bom invoca-lo para que alguma luz e algum consenso se fizesse em torno deste assunto porque os políticos nem aqui conseguem um consenso do que deve ser feito.

Como diz o velho ditado: De Espanha nem bom vento, nem bom casamento.

 

Para muitos o Menino da Lágrima ou a Mona Lisa são mais valiosos e mais bonitos que o abstrato de Miró (não querendo minimizar a sua obra).

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