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ESCOLHES BARRABÁS?

por Manuel Joaquim Sousa, em 25.03.16

- Barrabás! Barrabás! - Terá gritado a multidão, para que o ladrão e assassino fosse libertado. Lembramos hoje, em data de Sexta-feira Santa, a história do julgamento mais contado da História. A escolha do povo para a libertação de um prisioneiro - Barrabás ou Cristo. Era a forma de Pilatos lavar as mãos de culpa - afinal o Nazareno era inocente e o Barrabás era culpado. Assim se cumpria o que estava escrito. À parte de qualquer verdade de fé e de se acreditar ou não no que sucederia ao terceiro dia - a ressurreição -, há lições a tirar da história e da culpa que carregamos na vida, quando perante um acontecimento temos de escolher a libertação de um - entenda-se libertação como ato de apoio público ou condenação pública. A raça humana tem uma terrível fraqueza para o julgamento precipitado sem qualquer ideia sobre as provas, sem análise de factos, por impulso da maioria; isso aumenta na mesma proporção que o acesso à informação. Se há uns anos, décadas ou séculos as nossas opiniões sobre os acontecimentos fossem justificados pela ignorância, por seguir cegamente a opinião de alguém como único modelo e porque vivíamos iludídos; hoje essa justificação já não deveria fazer sentido. Temos acesso à informação, temos educação que nos forma a ter um pensamento próprio; mas nem por isso somos capazes de o fazer. Somos proativos a partilhar opiniões sem sequer pensar sobre elas, só porque a maioria pensa dessa forma - olhem para as redes sociais e percebam o ódio destilado por coisas banais, por alguém que pensa de forma diferente e procura manifestar opinião num mundo livre. Se um escritor pensa de determinada forma num livro, vem uma série de pessoas opinar sem sequer saber o que está escrito - lembro de Henrique Raposo no seu mais recente livro. Se uma pessoa é constituída para responder num processo, é apontada como culpada sem que conheçam as provas em causa. Com facilidade elegem-se políticos que mais tarde cometem atrocidades ao seu povo, sem se pensar no que os motiva e no futuro - lembro dos ditadores da Europa. Facilmente se usa um pequeno acontecimento e se amplia a uma escala desproporcional com tentativa de se apontar determinado grupo de pessoas - lembro-me dos acontecimentos de Klon, Alemanha, na passagem do ano. Facilmente escolhemos Barrabás, tantas vezes, para condenar os inocentes. Somos assim, escolhemos o mal e depois afundamos no desespero da escolha. Dificilmente aprendemos. Nunca iremos aprender. E já que estamos contagiados pelos atentados. Seremos também terroristas, ainda que numa perspectiva diferente?

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