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A FORÇA DE UM MEET

por Manuel Joaquim Sousa, em 26.08.14

Acordamos para uma nova realidade provocada pelas Redes Sociais. Antes eram banhos gelados para angariação de fundos. Atualmente são os “meet”. Parece que passou muito tempo entre estes dois sucessos das redes sociais. Não, a importância dos meet na comunicação social foi de um dia para o outro. A Rede é mesmo assim – instantânea e rápida, quase mais rápida que o tempo.

O que é um meet? Palavra estranha. Mais que isso. Pelos vistos é uma espécie de ajuntamento de pessoas convocada pelas redes sociais e que se espalha com muita rapidez, onde supostamente é atribuído uma forma de vestir, um código a seguir. O que fazem? Dizem que é para passar o tempo livre que tem nas férias. O que temos visto nas notícias, suscita outra opinião sobre este tipo de organização. Pelo menos foi o que nos chegou – mesmo que se tenham feito outras meets com intenções mais pacíficas e que em nada se identifica com as notícias dos últimos dias.

O meu word não conhece o termo meet – prefiro que continue a manter-se assim.

Também não sabemos se uma meet que deu problemas de maior, como aquela que ocorreu junto ao Centro Comercial Vasco da Gama, seja o motivo para que outras com as mesmas intenções venham a ocorrer. Estaremos perante um fenómeno que os Media ajudaram a criar baseado num caso e seja agora a oportunidade para aqueles que pretendem “arranjar confusão”? Poderiam os Media ficar alheios a este fenómeno? Estarão a ter uma atitude sensacionalista?

Pelo que se comenta poderá continuar a crescer em outros acontecimentos livres como no recente concerto de Anselmo Ralph, em Cascais. Diz-se também que poderia ter sido uma tragédia. Nunca saberemos ao certo. Tudo o que se gera nas redes sociais é incerto.

Sabemos bem que cada vez mais fácil, rápido e gratuito partilhar conteúdos e convocar encontros, manifestações através das redes sociais. Este é o risco da facilidade na era digital. Funciona tanto para o bem como para o mal. Os convites podem tornar-se virais e é incerto saber qual a proporção e a aceitação que vão ter junto do público.

Porquê este fenómeno? Ao que se pensa ser uma forma dos jovens encontrarem uma ocupação nas férias, há também uma necessidade de afirmação que os jovens têm nestas idades. Necessidade de se identificar com estas modas para ser cool; necessidade de afirmação perante os outros; necessidade em filmar, fotografar, criar eventos dos quais se possam orgulhar no seu meio.
O destaque que foi dado nos últimos dias pelos órgãos de comunicação social gera o motivo e a concretização desses jovens, que vêem as suas necessidades concretizadas – ego cheio. Há uma certa dose de imaturidade nestes jovens, que nem pensam nas consequências desastrosas que estão a causar e na possibilidade de um meet sair fora do seu controlo – aquele que convoca pode deixar de ser aquele que domina e transforma a intensão inicial.

Será que da parte dos pais há alguma cota de responsabilidade? Como podem controlar os seus filhos, muito avançados que estão na rede? Como lhes podem pedir contas do local para onde vão e com quem vão? Será que estes problemas com meets são causados por famílias em que os pais estão pouco interessados com a vida dos seus filhos e o que eles contribuem para a sociedade?

Estarão as nossas autoridades preparadas para estas novas formas de insegurança? - podem ter proporções incalculáveis e a força musculada tem efeitos futuros imprevisíveis, dada a sensibilidade dos casos e os resultados ou consequências futuras, assim como, a imagem que é passada das forças policiais.

As escolas estarão preparadas para estes fenómenos? Sabemos bem que estes mega-agrupamentos de escolas, com elevada concentração de alunos e diminuição de pessoal, dificultam o controlo de atos violentos até à chegada de uma intervenção policial. Ainda me lembro de quando, há muitos anos atrás, no liceu a mensagem de uma porrada ou acerto de contras entre dois indivíduos ou grupos, a determinada hora do dia, circulava a uma velocidade galopante. Hoje é tudo muito pior e mais grave. A facilidade com que os atos chegam à internet para o mundo e para a comunidade escolar aumenta a ameaça. Espero que toda esta minha ideia seja uma criação e não passe de um caso isolado.

Os locais públicos, com entradas gratuitas para concertos, onde se esperam grandes multidões facilitam a ação do meets com más intensões. Ao contrário de festivais de Verão em que é necessário pagar e onde o controlo dos movimentos de pessoas é mais controlado por polícias e seguranças privados. Da mesma forma que os carteiristas procuram locais livres e grupos de pessoas para fazerem a sua ocasião. O mesmo pode acontecer para ação de grupos de pessoas mal-intencionadas. Pessoas em geral, não pretendo aqui falar em etnias, raças ou cor porque estes movimentos criam-se de qualquer forma, sem qualquer motivo sem qualquer predominância racial. Espero que estes casos não levem a ações xenófobas sem qualquer fundamento na população em geral.

Os meet terão o seu tempo. Espero que já tenham terminado. Espero que exista uma moda mais benéfica para o bem comum – a afirmação de identidade dos jovens também pode ser feita de forma mais construtiva para a sociedade.

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4 comentários

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De Vasco a 27.08.2014 às 01:22

Um artigo muito pertinente.
Este tipo de encontros, no continente americano, é anterior à moda dos "banhos de água fria". Queria que também estes fossem passageiros e sem retorno. Contudo, tenho as minhas dúvidas. Os pais não controlam nem supervisionam os filhos; na escola não podemos repreender os pré-adolescentes ou adolescentes pois, caso contrário, na maioria das vezes, logo temos um dos progenitores a apresentar queixa ao diretor, ...
Os nossos jovens não sabem o que é "não". Não podem ouvir "Não" pois, dizem alguns pais, que traumatizados ficam. E o que mais me envergonha,... são filhos da minha geração.
Brevemente teremos, na TVI, um concurso que em nada considero adequado para público dos 10 aos 13 anos. Muito menos o horário. Pois, a generalidade, às aulas chegará, com olheiras e ar completamente ensonado porque esteve acordado até ao último segundo.
Cumprimentos,
http://sonhosdesencontrados.wordpress.com
Paulo Vasco
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De Manuel Joaquim Sousa a 28.08.2014 às 22:56

Obrigado pela visita.

Dizer "não" é uma palavra muito difícil. Não se se por medo, se as consequências que os pais podem ter desse não. Será a coragem em dize-lo? A educação dos dias de hoje tem muito que se lhe diga. Em tempos em que eu era pequeno um olhar era suficiente para remeter ao meu silêncio e aceitar o que me era pedido. Outros tempos.

Cumprimentos,
MJS
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De Vasco a 29.08.2014 às 00:48

Faço minhas as suas palavras.
Felizmente tive uma primária com uma professora à antiga, o que já não era comum naqueles tempos. Soube as serras, os caminhos de ferro, os rios e seus percursos, resolvi problemas e "contas" horriveis, memorizei excertos de textos ou poemas em plena aula,... Na altura, na terceira classe, tive uma doença semelhante a diabetes. Resolvi as mesmas actividades, mesmo quando devido à doença lento me sentia. Recebi um ou outro puxão de orelhas quando algum exercício não conseguia resolver. Sinceramente, apenas me lembro da professora me ter batido uma vez pois, certamente teria discutido com o marido e eu, ainda hoje não compreendi a pergunta que duas vezes me fez. Fiquei psicologicamente traumatizado? Não!!! Aliás, ela tinha a autorização do meu pai para me bater sempre que preciso uma vez que ele e minha mãe muitas vezes, com o trabalho, entravam e saiam de casa estando eu a dormir. Foi necessário? Não! Mais, fiz aprendizagens que acabaram por me serem úteis na faculdade.
Como posso entender esta minha geração que, na generalidade, não educa mas também não deixa educar? Muito menos ensinar! Mas no que a níveis diz respeito, o importante é que o filho tenha 5 e não que saiba. Afinal, os meninos são peças a utilizar na montra de uma loja
Cumprimentos,
Paulo - em http://sonhosdesencontrados.wordpress. com e recentemente no blogs.sapo
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De Sam a 13.05.2015 às 14:49

Para quem gosta de redes sociais e quer ganhar uns € extra inscrevam-se na Tsu! É só por convite! Deixo aqui o link para os interessados: https://www.tsu.co/Samgom

Nota: A linguagem principal do site é o inglês mas existem bastantes utilizadores cuja língua base é o português (essencialmente do Brasil e Portugal)

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