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Há coisas do passado que quando são remexidas dão estragos dolorosos piores que nos momentos em que são lançados. Margarida Rebelo Pinto, em Setembro de 2010 publicou o artigo As gordinhas e as outras que parece ter passado despercebido ("sei lá" porquê), mas que agora o Semanário "SOL" decide republicar e eis que se instala uma revolta contra a escritora (deve ser a magricelas da crónica) um pouco por toda a internet - blogosfera e Redes Sociais não ficaram indiferentes.

Ao princípio não estava a perceber muito do que se estava a passar ao ouvir tanta revolta contra a escritora, até ter lido na integra o artigo. Qual o objectivo de o ter escrito?

Poderiam existir várias explicações para a situação:

- Necessidade de lançar a sua carreira de escritora de sucesso, para ganhar ainda mais leitores e não cair no esquecimento;

- Ataque a alguém que pertence a um grupo de amigos próximo;

- Desejo de ser a personagem da crónica, para ter a liberdade de "fazer chichi num beco do Bairro Alto".

Das três possíveis, acredito que as últimas duas encaixam-lhe perfeitamente - pela forma como escreve e espezinha aquelas que são as gordinhas do grupo. As gordinhas parecem tirar as atenções da magrinha, que passa despercebida, e com quem os outros não querem nada mais que curtir uma rapidinha sabe-se lá em que canto.

Ora bem. Homem que sou vou pôr os "pontos nos iis".
Espero que não me acusem de plágio, mas apeteceu-me pegar na crónica e reescreve-la com a minha visão. A rosa e itálico são as palavras de Margarida Rebelo Pinto a preto são da minha autoria. 

 

Serve esta crónica para retratar e comentar um certo elemento que existe frequentemente em grupos masculinos e que responde pelo nome genérico de ‘Gordinha’.

A Gordinha é aquela amigalhaça companheirona que desde o liceu cultivava o estilo maria-rapaz, era espertalhona e bem-disposta, cheia de energia e de ideias, sempre pronta para dizer asneiras e alinhar com a malta em programas. Ora acontece que a Gordinha é geralmente "rechonchudinha" e com muitas formas, tornando-se aos olhos masculinos algo até apetecível - não como a outra que só serve em noites longas regadas a mais de sete vodkas, nas quais o desespero comanda o sistema hormonal, transformando - a numa mulher sexy, mesmo que seja uma burra com belas unhas e um bronzeado falso, feito à última da hora.

A Gordinha é porreira, é fixe, é divertida, quer sempre ir a todo o lado e está sempre bem-disposta, portanto a Gordinha torna-se uma espécie de mulher do grupo que todos protegem, porque, no fundo, todos gostam do seu à-vontade e descompromisso com as críticas. E é assim que a Gordinha acaba por se tornar muito popular, até porque, não tem problemas em arranjar um namorado, que na maior parte dos casos, faz a outra - a meninas bela e bem comportadas - ficar roída de inveja. Mesmo tendo namorado está sempre muito disponível para os mais variados programas, nem que seja ir comer um bife à Portugália e depois ao cinema.

À partida, não tenho nada contra as Gordinhas, nem me irrita que haja quem considere que tenham um estatuto especial entre os homensque tanta inveja faz à outra. Às Gordinhas tudo é permitido como a qualquer outra: podem dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras e consumir outras substâncias igualmente propícias a estados de euforia, podem inclusive fazer chichi de pernas abertas num beco do Bairro Alto sem que ninguém veja; pois são práticas, descomprometidas para as criticas da outra e não por uma questão de graça. Quanto a isso, só a outra é que acha razão para condenar.

A outra acha que se uma miúda gira faz alguma dessas coisas surge logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe chamar leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca. A outra acha que não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não é one of the guys: acha-se uma mulher mais do que todas e, consequentemente, deve comportar-se como tal. E o que mais irrita é quando as Gordinhas apontam também elas o dedo às giras, quando estas se tentam comportar de forma semelhante porque o sonho da gira é ser como a gordinha.

Ser gira dá trabalho e requer alguma diplomacia, muita base, muito bronzeado, muita pintura, para esconder que na realidade é feia e não tem nada que se coma. É por isso que as suas amigas mais bonitas e boazonas que foram vendo a sua reputação ser sistematicamente denegrida por dois tipos de pessoas: os tipos que nunca as quiseram levar para a cama e as gordas que são desejadas em ser levadas para a cama. Uma mulher gira não pode falar alto nem dizer palavrões que lhe caem logo em cima porque o dizem de forma artificial encenada, repetida e ofensiva. Já uma Gordinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque o sabe dizer com classe naturalidade, com graça e não por ter conquistado um inexplicável estatuto de impunidade.

Porquê? Porque não é vista como uma mulher, mas como um MULHER? Porque todos gostam dela? E, já agora, porque é que quando uma mulher está/é gorda nunca ninguém lhe diz, mas quando está/é magra, ninguém se coíbe de comentar: «Estás tão magra!?» porque gostam dela como ela é.


Espero que seja restituída a dignidade da gordinha sob a pseudo-inteligência da civilizada Margarida Rebelo Pinto. A sua crónica tem um outro lado escondido, que é a inveja de ser como uma gordinha.

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43 comentários

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De Cris a 26.08.2012 às 03:27

Adorei...!! por momentos estava aterrorizada de que não houvesse mais gente decente neste mundo...mas depois felizmente li este "artigo"...assim sim está digno de ser lido....!!
E acima de tudo quero dar os parabéns não pelo "artigo" em si (que está óptimo) mas sim por ser Homem e pensar dessa maneira digna...(apenas porque também e tornam raros...)
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De Manuel Joaquim Sousa a 26.08.2012 às 12:02

Há gente decente neste mundo com toda a certeza. Por vezes, preferem ignorar (o que também é uma boa ideia), mas de nada vale ficar calados. Obrigado pelo elogio. Mesmo que aqui queira brincar com as situações, ironizar, quero sempre respeitar a dignidade das pessoas.

Volte sempre

Cumprimentos,
Manuel Joaquim Sousa
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De Jose Mateus a 26.08.2012 às 06:56

Parabén. Boa escrita.
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De Branca de Neve a 26.08.2012 às 09:14

Gostei de ler as suas alterações ao chorrilho de idiotices desta pseudo-escritora e que o Manel classifica, e muito bem, como uma pseudo-inteligência, ou seja, uma burra.

Ainda bem que ainda há homens que apreciam as mulheres pelas suas reais qualidades e não apenas pelo aspecto pois a beleza física e magreza não são por si só sinónimos de perfeição e qualidade. De nada serve uma acéfala com corpo de manequim, factores estes que também se aplicam aos homens. Há feios, ou menos bonitos, com barriguinha, que são irresistíveis porque possuem educação, um carácter rico e uma inteligência aliciante, enquanto que há giraços todos tonificados que nada nos dizem e nos maçam tremendamente se não tiverem personalidade. Uma pessoa não se traduz apenas em músculos e silicone porque não são qualidades e, à la longue, não mantêm nenhuma chama acesa.

O segredo que qualquer pessoa reside no que de melhor tem para dar aos outros, seja gorda ou magra, bonita ou feia. E muito mais haveria a dizer.

Obrigada, Manel, você faz parte dos irresistíveis pela elegância das suas ideias.

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De Manuel Joaquim Sousa a 26.08.2012 às 12:04

«Obrigada, Manel, você faz parte dos irresistíveis pela elegância das suas ideias.» Agora fiquei corado! Muito Obrigado pela elogio.

Mais que ser resistível é respeitar as outras pessoas, mesmo que em momentos de brincadeira e nos momentos em que se procura dizer uma graça - pelo menos as gordinhas não têm qualquer complexo disso.

Volte sempre,

Manuel Joaquim Sousa
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De Carla Freire de Andrade a 26.08.2012 às 09:30

Parabéns Manel
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De Manuel Joaquim Sousa a 26.08.2012 às 12:05

Muito Obrigado ;) São sempre bem-vindos.

Cumprimentos,

Manuel Joaquim Sousa

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De golimix a 26.08.2012 às 09:39

Acho que o texto nitidamente ressabiado de Margarida Rebelo Pinto não merece que se perca tanto tempo com ele.

LMaria
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De Manuel Joaquim Sousa a 26.08.2012 às 12:06

Também pensei nisso. Mas, há que perder tempo em defender no que se acredita, mesmo que do outro lado faça eco.

Volte sempre!

Cumprimentos,

Manuel Joaquim Sousa
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De golimix a 26.08.2012 às 13:40

=)
Tem toda a razão! Defender o que acreditamos é o que nos resta.

Voltarei, sem dúvida.
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De ana portela a 26.08.2012 às 12:24


Gostei bastante da sua crónica!....Nenhum ser humano deve ser julgado pela sua aparência, e realmente o que aquela senhora escreveu não passa de uma bela diarreia cerebral! aliás como tudo o que ela escreve!...Na vida apenas li um único livro dela e acho realmente foi é o único que me arrependo....escrever um monte de baboseiras e asneiras num livro...nisso também eu consigo ser boa! ahaha
Enfim boa rescrição da crónica! ;PP
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De Manuel Joaquim Sousa a 26.08.2012 às 23:19

Obrigado! Por vezes, a imaginação e a neura resultam nestas coisas.

Cumprimentos,

Manuel Joaquim Sousa
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De Zanon a 26.08.2012 às 12:30

Achei espectacular.

De facto a Margarida Rebelo Pinto não tem ponta por onde se pegue, e esse artigo por ela redigido deve ter sido o culminar de anos a ser a "cheerleader" boazona da escola onde andou, mas a ser ignorada porque havia a "gordinha" simpática e porreirona com quem toda a gente se dava bem e respeitava, (até aposto que foi ignorada para a dita "prom dance", mas não quero fazer daqui um "High School Musical: MRP Life of Fail" ), como também com o facto de o seu marido/companheiro/ex-marido/Jardineiro/Motorista/Amante/Inseriroutrohomemaqui lhe ter oferecido um pequeno presente em forma de haste com dois apostos, com uma senhora com formas curvilíneas, talvez mais simpática, mais pessoa e menos fútil (coisa que a Dª M.R.P. alguma vez será).


Excelente re-criação do Artigo. Será que se o Sol o chamar para cronista, você aceita substituir a complexiosa? :P

Cumprimentos de outro senhor que de facto ficou indignado com o artigo original.
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De Manuel Joaquim Sousa a 26.08.2012 às 23:22

«Excelente re-criação do Artigo. Será que se o Sol o chamar para cronista, você aceita substituir a complexiosa? :P»

Acha que alguma vez o Sol me chamaria para cronista?! Duvido. A mim ninguém me conhece e os jornais precisam de nomes sonantes para ganharem prestigio. Nem com uma petição.

Ai não se não era capaz ;) Metia a senhora num bolso e escrevia coisas fantásticas.

Volte sempre!

Cumprimentos,

Manuel Joaquim Sousa
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De salete fernandes a 26.08.2012 às 12:52

O que uma mulher mal amada e ressabiada pode fazer!...
Nunca vi tanta baboseira junta!...
Mais uma vez a falta de solidariedade feminina presente. E porquê?
Porque lhe roubou o namorado tout-court!...
E o pior é que essa mulher tem todas as qualidades que ela gostaria de ter: formas generosas, inteligente, amiga, companheira, bem disposta, de bem com a vida, alegre, enfim, capaz de fazer feliz o "seu" homem.
Pois é Margarida, estas coisas acontecem a todos, principalmente, quando julgamos ter o rei na barriga e que somos melhor que toda a gente e, afinal, não somos nada, somos só mais uma pessoa como outra qualquer com qualidades e defeitos...
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De Manuel Joaquim Sousa a 26.08.2012 às 23:23

«estas coisas acontecem a todos, principalmente, quando julgamos ter o rei na barriga e que somos melhor que toda a gente e, afinal, não somos nada, somos só mais uma pessoa como outra qualquer com qualidades e defeitos...» Nem mais.

Obrigado!

Cumprimentos,

Manuel Joaquim Sousa
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De Tiestita a 26.08.2012 às 14:33

Adorei a sua alteração ao texto. Sou uma rapariga obesa e quando li aquele texto senti que me espetavam uma faca no coração pois não sou assim e amigas minhas que são igualmente obesas não são assim e achei mesmo muito triste.
Acredite que não sei o que vai na cabeça daquela mulher, sempre gostei de dar o beneficio da duvida a toda a gente, mas depois de ter lido o que li creio que não vou ser capaz.
Nunca vi ninguém que fosse capaz de denegrir tanto a imagem da rapariga gordinha como ela foi capaz de fazer, principalmente quando a maioria, se não tudo, é mentira.
Eu sou gorda mas nunca fiz chichi no meio da rua, nunca fui rapariga de dizer muitos palavrões, tenho tanto amigas como amigos e sempre tive rapazes que queriam ser meus namorados, eu é que mediante os meus sentimentos, ficava com eles ou não. Penso que isso não me torna no ideal gordinha Maria-rapaz, mal educada etc e as suas alterações, Graças a Deus, tiraram isso a limpo, trazendo de novo à luz que o que aquela senhora disse não é nada mais nada menos que uma parvoíce pegada.

Obrigado

Já agora, se quiser dê uma vista de olhos no meu blog
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De Manuel Joaquim Sousa a 26.08.2012 às 23:25

«Graças a Deus, tiraram isso a limpo, trazendo de novo à luz que o que aquela senhora disse não é nada mais nada menos que uma parvoíce pegada.»

Sinta-se bem consigo própria.

Cumprimentos,

Manuel Joaquim Sousa
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De Tiestita a 27.08.2012 às 02:25

Talvez por eu me sentir bem com o que sou e ter noção de quem sou e como sou é que não gostei do texto.
Acredita se houvesse alguém igual a mim eu casava comigo mesma :D de qualquer forma não gostei do texto que aquela mulher escreveu e apreciei o seu gesto de o ter alterado, porque neste género de situações a palavra dos homens vale mais que as das mulheres...
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De Alexandra a 27.08.2012 às 02:55

Se pensarmos bem, muitas das coisas que ela disse das "gordinhas" até são um elogio. Ou melhor, nem é uma questão de gordinhas ou não, ela estava nitidamente a falar de alguma moça que lhe roubou o protagonismo, e daí os maus modos, mas na verdade descreveu uma mulher feliz, de bem com a vida, boa amiga, boa companheira, desejável, sexy até. Demonstrou inveja e um grande desejo de ser como a "gordinha", que no caso, pode até nem ter peso a mais, mas a ela pesa-lhe de alguma forma, porque lhe faz sombra. "o que aquela senhora disse não é nada mais nada menos que uma parvoíce pegada", não deixe que de forma nenhuma o que aquela senhora escreve lhe fira sentimentos. Faca no coração? ela não tem poder para isso. Seja feliz.
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De Gato Pardo a 26.08.2012 às 15:43

Caro Manuel,

São excelentes e acertadas todas as "alterações" ao texto original.
E subscrevo cada uma delas como sabe. Embora eu tenha sido muito mais corrosivo na minha análise. Nada tenho contra a senhora em si. Simplesmente não a gramo nem a molho de tomate.

Gato Pardo
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De Manuel Joaquim Sousa a 26.08.2012 às 23:27

Eu nada tenho contra a senhora. Não pude ficar indiferente a tamanha agressão. Não gostaria de ser metido no mesmo saco se fosse o caso.

Obrigado pela visita! Volte sempre!

Cumprimentos,

Manuel Joaquim Sousa

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